Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mitologia em Português

Juntem-se a nós numa imprevisível viagem por mitos, lendas, livros antigos e muitas outras curiosidades.

Mitologia em Português

Outras obras de Platão

31.07.12

Além das obras de Platão já aqui faladas existem muitas outras, as que têm pouco ou (quase) nenhum conteúdo mitológico. Sobre essas, gostaria de aqui deixar uma simplicíssima sinopse, só para que possam ficar a conhecer o tema de cada uma delas, já que uma referência maior, ou até uma análise, sai fora do âmbito deste espaço. Aqui ficam, então, essas informações:

 

- "Primeiro Alcibiades" - diálogo sobre a importância do auto-conhecimento.

 

- "Segundo Alcibiades" - de autenticidade dúbia (i.e. pode não ter sido escrito por Platão), é um diálogo sobre o perigo de fazer pedidos aos deuses sem se ter a total certeza das consequências.

 

- "Apologia" - defesa de Sócrates face a um conjunto de acusações de que era alvo (nomeadamente as de corromper a juventude e adorar novos deuses).

 

- "Axíoco" - diálogo sobre a morte, considerado espúrio. Apresenta uma descrição do submundo, diferente da constante em "Fédon".

 

- "Cármides" - discute-se o significado do conceito σωφροσύνη ("sophrosyne"), que pode ser traduzido como prudência, bom senso, auto-controlo, etc.

 

- "Clitofon" - poderá não ter sido escrito por este autor. É um curto monólogo de Clitofon contra Sócrates, que nem a ele acaba por responder.

 

- "Crátilo" - é discutido o nome das coisas, mais especificamente se estes são naturais (ou seja, nascem com as próprias coisas), convencionais (definidos pelos seres humanos) ou simplesmente definidos pelos deuses.

 

- "Crito" - passado na prisão, este é um diálogo sobre a justiça.

 

- "Da Justiça" - pequeno diálogo, de autoria dúbia, sobre o que é justo e injusto.

 

- "Da Virtude" - diálogo sobre a virtude, de autoria dúbia, em algumas passagens muito semelhante, quase igual, a outros textos deste mesmo autor.

 

- "Definições" - atribuída a Platão, mas certamente não da autoria deste, esta obra apresenta um conjunto sintético de definições de termos filosóficos.

 

- "Demódoco" - um conjunto de duas obras diferentes sobre a tomada de decisões e o senso comum. Apesar de ser atribuído a este autor, obviamente que não foi escrito por ele.

 

- "Epínomis" - pode ser visto como uma possível continuação de "Leis" (ver mais abaixo), mas também é de autoria dúbia.

 

- Epístolas - existem, ainda hoje, um conjunto de 13 epístolas com suposta autoria de Platão. Têm, porém, pouca relevência para este espaço.

 

- "Eríxias" - diálogo apócrifo sobre a relação entre virtude e riqueza.

 

- "Eutidemo" - um pouco difícil de descrever... pessoalmente, creio que pode ser visto como uma sátira à lógica usada pelos Sofistas, em que se provam coisas totalmente absurdas (mas não tão ilógicas como poderíamos pensar) com argumentos que parecem até ser desenvolvidas de forma a causar confusão.

 

- "Eutífron" - diálogo sobre a piedade, tem lugar numa data próxima do julgamento de Sócrates.

 

- "Fédon" - também passado na prisão. É um diálogo sobre a alma, mas narra igualmente os últimos momentos de Sócrates. Contém, ainda, uma descrição do submundo.

 

- "Filebo" - diálogo sobre o prazer e o conhecimento.

 

- "Hiparco" - pode não ter sido escrito por este autor. Diálogo entre Sócrates e um desconhecido sobre a cobiça.

 

- "Hípias Maior" - diálogo sobre o que é, e não é, o belo.

 

- "Hípias Menor" - sobre a melhor acção? Tem um (pequeno) debate sobre Aquiles e Odisseu, e qual dos dois é melhor.

 

- "Ion" - discussão entre Sócrates e um rapsodo, um declamador de poesia, sobre a forma como este segundo faz o seu trabalho.

 

- "Laques" - sobre a coragem, em que Sócrates admite que ele e os outros intervenientes ainda têm muito mais para aprender.

 

- "Leis" - como o próprio nome dá a entender, trata-se de um diálogo sobre as múltiplas problemáticas que envolvem as leis. De notar, contudo, que Sócrates não aparece nesta obra, e que apesar de existirem aqui algo muito semelhante a mitos, nenhum deles é, a meu ver, de especial importância ou interesse.

 

- "Lísis" - sobre a amizade. Termina com um pensamento que acho muito curioso - se outras pessoas poderiam olhar para o grupo e considerá-los como amigos a dialogar, acaba por ser irónico que eles nem tenham conseguido saber o que é, realmente, a amizade.

 

- "Menexeno" - Sócrates apresenta à personagem titular uma oração fúnebre alegadamente composta por Aspásia, amante de Péricles.

 

- "Menon" - diálogo sobre a virtude, mas que aborda também o conhecimento, a forma como pode ser obtido e transmitido. Inclui, ainda, um diálogo matemático entre Sócrates e um jovem escravo (algo que aqui menciono mais por piada que qualquer outra coisa).

 

- "Minos" - pode não ter sido escrito por este autor. Pequeno diálogo entre Sócrates e um desconhecido sobre as leis.

 

- "Parménides" - difícil de resumir, mas é essencialmente uma conversa entre dois filósofos e um jovem Sócrates.

 

- "Sísifo" - obra espúria, um pequeno diálogo sobre a deliberação.

 

- "Sofista" - também este difícil de resumir, já que é um diálogo entre dois filósofos (Teeteto e um misterioso visitante de Eleia) sobre diversos temas, entre eles a figura do Sofista, a questão do não-ser, etc.

 

- "Teages" - de autoria disputada. Diálogo entre Sócrates e um jovem sobre o tipo de conhecimento que este queria obter. De notar que este diálogo também apresenta a famosa menção à forma como o daemon de Sócrates o influenciava.

 

- "Teeteto" - um relato, em segunda mão, de um diálogo sobre a natureza do conhecimento.

 

 

Os mais atentos poderão notar que falta aqui uma obra, uma que também não foi mencionada anteriormente - "A República", a mais famosa e uma das mais importantes deste autor. Essa ausência é propositada; devido à sua extensão, e ao facto de a ter relido há cerca de um ano - altura em que abordei o segundo dos mais importantes mitos aí constantes (ver aqui e aqui) - será deixada para uma oportunidade futura.

 

Porém, na sequência destas mesmas linhas, sinto que devo um pedido de desculpas aos leitores. É, a meu ver, quase absurdo fazer os resumos que antecedem estas linhas, pelo facto de serem sempre incapazes de captar a beleza e interesse de cada uma das obras. Devo então justificar-me. Não pretendo dizer que cada uma delas é acessível a todos os públicos, tal como não quero dizer o contrário, mas muitas delas são obras que qualquer pessoa deveria ler pelo menos uma vez na vida. Infelizmente, são também muitos os que jamais o farão, e que jamais lerão uma única linha dos textos platónicos... daí as referências feitas acima; se pelo menos uma delas servir para tornar um único leitor mais interessado nas obras de Platão, e o levar a ler "Lísis", "Hípias Maior" ou qualquer outro texto platónico, já me valeu a pena esta estranha tentativa.

~~~~~~~
Se gostam destes temas podem ir recebendo as nossas novidades, de forma rápida e gratuita, introduzindo o vosso e-mail abaixo e confirmando a subscrição:

"Hálcion", de Platão(?)

30.07.12

Este texto, anteriormente já atribuído tanto a Platão como a Luciano, é hoje de autoria desconhecida. Nele é abordado o tema do poder divino face ao poder humano, e toda a discussão parte de um misterioso som que o companheiro de Sócrates ouve, e que este segundo identifica como sendo o canto de um pássaro. Sobre esse pássaro, é então dito que era originalmente uma mulher cujo amado marido tinha morrido; procurando-o por toda a terra, foi depois transformada pelos deuses num pássaro, e continuou a sua busca nos céus.

 

Se este mito é sobejamente conhecido (é um dos muitos contado por Ovídio nas "Metamorfoses"), ainda assim este texto leva-nos a uma pergunta bastante interessante - poderiam os deuses realmente transformar uma mulher em pássaro? Como a Sócrates, também a mim me parece impossível conhecer os limites do poder divino, e portanto nada podemos concluir em relação a essa fabulosa questão.

~~~~~~~
Se gostam destes temas podem ir recebendo as nossas novidades, de forma rápida e gratuita, introduzindo o vosso e-mail abaixo e confirmando a subscrição:

"Político", de Platão

25.07.12

Tal como a obra "Sofista", que lhe é obviamente anterior, esta tenta definir o que é um político, o que faz um bom político, e aí por diante. Contudo, para este espaço tem certamente mais interesse um mito que é contado pelo misterioso visitante de Eleia.

 

Este começa por fazer uma alusão à querela entre Atreu e Tiestes. O jovem Sócrates pensa que este se referia ao nascimento do cordeiro de ouro, algo que o seu interlocutor nega, referindo-se a uma outra parte do mesmo mito, na qual Zeus fez o sol passar a mover-se ao contrário. Diz, então, que esta história, como mil outras, tinham uma origem comum, nomeadamente o facto de, por vezes, os deuses permitirem que o mundo girasse só (nas outras alturas seriam eles a movê-lo), altura em que este girava em sentido oposto. Numa dessas alturas passadas, é depois contado, o crescimento dos humanos e dos animais invertia-se por completo, fazendo-os crescer da velhice para a juventude. Como nasciam, então, os animais e os homens? Segundo a mesma personagem, estes eram então gerados pela própria terra, e os mortos voltavam até ao mundo dos vivos. E como se governavam os homens nestas alturas? Segundo esta mesma história, um deus (parece entender-se ser Chronos, mas não é totalmente claro) servia de governador, sendo todas as leis inatas. Quando esse deus se retirou, o mundo inverteu o seu sentido e sofreu um enorme terramoto; eventualmente, todos os males da época actual começaram a surgir de forma progressiva, até que esse deus voltou e nos deu alguma nova estabilidade.

 

Uma interpretação parcial deste mito é dada na própria obra, pelo que a deixarei aqui de parte, mas é muito curioso constatar a referência do autor a uma época em que se nascia com os cabelos cinzentos. Pode parecer uma informação secundária, mas Hesíodo também refere algo de semelhante (comprar com esta obra), dando-a como um dos sinais do fim do mundo. Agora, a este coincidência poderia ser dado um sem número de explicações, mas a mais óbvia é que ambos se baseavam numa mesma tradição comum, num mito que hoje estará parcialmente perdido, e cuja fonte que nos é mais conhecida acaba por ser a obra de Hesíodo.

~~~~~~~
Se gostam destes temas podem ir recebendo as nossas novidades, de forma rápida e gratuita, introduzindo o vosso e-mail abaixo e confirmando a subscrição:

"Crítias", de Platão

23.07.12

Sobre este texto de Platão, eu poderia resumi-lo simplesmente dizendo que é uma sequela de "Timeu", em que o monólogo de Crítias deveria seguir-se ao de Timeu (e, as estes dois, seguir-se-ia "Hermócrates", como este texto dá a entender) e falar sobre os deuses. Porém, o texto está parcialmente perdido, e o único mito aqui contado é o da Atlântida, de que já falei anteriormente.

~~~~~~~
Se gostam destes temas podem ir recebendo as nossas novidades, de forma rápida e gratuita, introduzindo o vosso e-mail abaixo e confirmando a subscrição:

"Timeu", de Platão

22.07.12

Quando, há alguns dias, uma amiga soube que eu estava a reler os textos de Platão e a falar dos seus mitos, fez-me uma especial referência a "Timeu", pelo facto desta obra estar pejada deles. Se, por um lado, isso é difícil de refutar, por outro esses mesmos mitos também sofrem de um enorme problema, o de serem impossíveis de resumir. Claro que se poderá dividir esta obra em três partes - a criação do Universo, os elementos, e a criação do Homem - mas nem isso torna mais fácil realizar esta tarefa de sintetização simples. Estes não são mitos fáceis de explicar (com excepção da alusão ao mito da Atlântida, já aqui falado anteriormente), não são simples histórias com um início e um final, e na sua generalidade tendem a assumir que o leitor lê toda a obra, uma tarefa complicada devido à sua complexidade.

 

Se, por exemplo, na segunda parte da obra são referidos todo um conjunto de informações relativas aos quatro elementos, isto também assume que o leitor já sabe a razão pela qual Timeu os compõe por triângulos, algo que não é propriamente simples. Se é dito, mais tarde, que na segunda geração alguns homens foram transformados em mulheres, e outros em peixes, e ainda outros em pássaros, também as razões para tal não são simples. E como explicar o facto de, aqui, o mundo ser visto como uma criatura viva? Ou que existiria, acima dos famosos deuses gregos, uma outra entidade que os criou, e que levaria depois à criação dos homens? Ou como explanar os vários procedimentos com que cada pedaço do corpo humano foi criado? Tudo isto, e muito mais, está explicado nesta obra, através de palavras postas na boca da personagem que dá título ao "diálogo" (para ser mais correcto, é um longo monólogo).

 

Não se trata, como já referi, de uma obra simples, mas é igualmente uma obra de extrema importância, já que muitas das ideias nela referidas  influenciaram profundamente o Cristianismo, o Gnosticismo, o Neoplatonismo... em suma, a Religião, a Filosofia, e até a nossa cultura popular. Posso, como exemplo, referir que a figura do demiurgo, enquanto criador das mais diversas coisas, é muito semelhante ao Yaldabaoth gnóstico e até ao Deus cristão, e que muitos dos argumentos teológicos dos Padres da Igreja se parecem, curiosamente, com muitos dos elementos referidos nesta obra. Porém, os mitos entrelaçados desta obra são muito difíceis de separar, pelo que a melhor forma de os conhecer é, obviamente, a leitura de toda a obra, se possível com muito debate e exploração à mistura. Fica esse desafio, caso exista por aí um leitor mais corajoso!

~~~~~~~
Se gostam destes temas podem ir recebendo as nossas novidades, de forma rápida e gratuita, introduzindo o vosso e-mail abaixo e confirmando a subscrição:

"Górgias", de Platão

20.07.12

No seu geral, este é um diálogo sobre a retórica. Sobre isso pouco mais haveria a dizer neste espaço; porém, perto do seu final, o autor conta-nos, através da boca de Sócrates, um importante mito:

 

No tempo de Crono os mortos tinham dois possíveis destinos: quem tivesse vivido de forma justa e honesta ia para as Ilhas Afortunadas, enquanto que quem fosse injusto e impiedoso seria punido no Tártaro. Porém, este julgamento era feito por juízes vivos, e as pessoas eram julgadas ainda em vida, o que levava a que algumas almas acabassem nos lugares errados. Plutão [outro nome de Hades] confrontou Zeus com este problema, e este segundo disse-lhe que o problema advinha dos julgados ainda estarem vivos e, portanto, terem as suas roupas, os seus estatutos, e até quem por eles testemunhasse. Então, decidiu deprivar o Homem do seu pré-conhecimento da morte, devendo este apresentar-se a julgamento nu (estando o juíz também ele nu de vida e vestes). Também, os homens vindos da Ásia seriam julgados por Radamanto e os da Europa por Éaco, sendo Minos o decisor em casos de dúvida dos anteriores.

 

Este mito parece-me demonstrar uma interessante oposição entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Se, no mundo em que agora vivemos, existem um sem número de formas de formas de diferenciar os homens - seja a riqueza, as vestes, a quantidade de amigos, o emprego que têm, etc. - já no mundo dos mortos todos estaremos em pé de igualdade, e seremos julgados de uma forma imparcial. Esta ideia, depois tão popular na Idade Média e que me recorda os "Versos da Morte", é uma interessante herança que nos chegou até aos dias de hoje, já que também muitas das religiões modernas (se todas, já não sei...) referem um julgamento dos mortos com base no que foram em vida - bons ou maus, entenda-se - e não em quem foram em vida. Seja ou não verdade, também nada perdemos em ser bons, justos e honestos...

~~~~~~~
Se gostam destes temas podem ir recebendo as nossas novidades, de forma rápida e gratuita, introduzindo o vosso e-mail abaixo e confirmando a subscrição:

"Simpósio", de Platão

15.07.12

Quando um grupo de pessoas se reúne num banquete, é decidido que deverão discursar sobre o amor, um de cada vez. É essa a ideia por detrás deste texto platónico, em que a vários discursos se segue, eventualmente, o do sempre esperado Sócrates. Posso mencionar que cada um desses discursos tem o seu interesse particular, já que exploram as várias vertentes do amor, das mais básicas até ao amor pela sabedoria, mas é-me impossível resumir essas linhas, até porque muito da beleza e do conteúdo original acabariam por se perder. No entanto, posso e devo mencionar alguns dos mitos referidos na obra:

 

- É recordado, como importante exemplo de amor, a situação de Alceste, uma esposa que deu (literalmente) a vida pelo marido, quando os próprios pais deste se recusaram a fazê-lo. Depois, por amor e com intervenção divina, ela é trazida de volta ao mundo dos vivos; esta situação é oposta à de Orfeu, incapaz de trazer a amada de volta. Se o mito não é contado na sua totalidade, posso referir que esta é a mesma figura sobre a qual Eurípides escreveu uma tragédia.

 

- Se, na versão de Homero, a vida curta de Aquiles se deve ao facto deste ter escolhido juntar-se à Guerra de Tróia, é referida aqui uma outra versão do mesmo mito. Segundo esta, a morte de Aquiles derivava do facto deste ter morto Heitor, algo que fez como vingança pela morte do seu amado Pátroclo. Uma alteração no oráculo - Aquiles poderia juntar-se aos Gregos, não podia era matar Heitor - faz com que esta se torne uma história do poder e do ímpeto que o amor suscita nos seres humanos, quando estes se encontram em circunstâncias extremas.

 

- Sobre a relevante figura de Afrodite, é revelada a existência de duas deusas - uma delas filha de Urano, e outra filha de Zeus e Dione - que partilham um mesmo nome mas têm características diferentes, sendo a primeira a do amor intelectual e a segunda a do amor carnal e sexual.

 

- Da boca de Aristófanes surge um mito que considero muito interessante. Inicialmente existiam três sexos - o masculino, o feminino e um caracterizado pela junção dos dois anteriores, com duas cabeças, quatro braços, quatro pernas, etc - o último dos quais tinha capacidades muito superiores aos outros dois, sendo até capaz de desafiar os deuses. Então, estes decidiram separá-lo em dois, levando à configuração humana actual (e não temeriam voltar a fazê-lo caso continuassem a existir problemas, ficando os seres humanos a saltitar, providos de uma única perna). Assim, um dos objectivos humanos seria o de encontrar essa segunda parte de nós mesmos, de que fomos separados pelos deuses.

 

- Num relato em segunda mão (é-nos contado por Sócrates, que o ouviu da boca de Diotima de Mantinea), é dito que o Amor nasceu de uma relação sexual entre a Pobreza e a Abundância, explicando-se através desta paternidade o carácter tão contraditório da nova figura.

 

 

Em relação a estes mitos, devo começar por fazer uma menção ao mito de Alceste, que sempre considerei ser extremamente belo, não tanto pela forma como Eurípides o retratou mas por todo um conjunto de questões que pode suscitar. Era capaz de jurar que já tinha falado dele por cá, mas infelizmente não o encontro... terá então de ficar para uma oportunidade futura.

Também o mito de Aristófanes merece ser referido, não por ser absurdo, como as personagens da obra parecem pensar, mas por poder ser uma possível fonte da ideia de "alma gémea", explicando a necessidade humana de um parceiro, de alguém que nos faça completos, como até poderíamos ser antes de Zeus nos ter separado. Seria uma sátira às teogonias da época? Talvez, mas é muito curiosa, essa ideia dos humanos como seres incompletos, sempre em busca da metade que lhes falta, e que parece até ter chegado aos dias de hoje.

~~~~~~~
Se gostam destes temas podem ir recebendo as nossas novidades, de forma rápida e gratuita, introduzindo o vosso e-mail abaixo e confirmando a subscrição:

Outros temas

Pág. 1/2