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Mitologia em Português

17 de Fevereiro, 2016

O que significa "Quo Vadis", e qual a origem da expressão?

O que significa Quo Vadis, e qual a origem da expressão? Se hoje muitos conhecerão o famoso filme com este título, é igualmente possível que sejam já poucos os que ainda conhecem uma curiosa história que, alegadamente, se terá passado na cidade de Roma há muitos, muitos séculos atrás. Ou talvez seja mais justo chamar-lhe uma lenda... esta é uma breve lenda que, para explicar o verdadeiro significado de Quo Vadis (expressão que, traduzida literalmente, significa apenas "onde vais?"), será aqui recordada:

O filme Quo Vadis

Segundo os Actos de Pedro, um texto apócrifo dos primeiros séculos da nossa era, São Pedro ia a escapar de Roma, a fugir de uma morte que tinha por quase certa, quando encontra um Jesus Cristo ressuscitado no seu caminho. Espantado com um tal milagre, o antigo pescador teve de lhe perguntar para ele ia, dizendo-lhe, obviamente que em Latim, Domine, quo vadis? Traduzindo-se para Português, "Senhor, onde vais tu?"

Jesus responde-lhe então que ia a Roma, para ser novamente crucificado para benefício de toda a humanidade. Pedro, triste, entendeu as palavras do seu mestre e arrependeu-se do seu acto de grande cobardia. Decidiu então voltar à cidade, onde depois acabará por ser crucificado de cabeça para baixo.

 

Nesse local lendário, nessa rua onde Pedro um dia perguntou Quo Vadis? a Jesus Cristo, viria a ser construída, séculos mais tarde, a pequena igreja Chiesa di Santa Maria delle Piante, mas isso já são histórias que ultrapassam o tema de hoje. A expressão Quo Vadis? tem um significado simples, mas nem por isso menos repleto de simbologia, como a lenda recordada acima facilmente nos permite compreender...

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16 de Fevereiro, 2016

A Antologia de Estobeu

Falar de toda a história por detrás da chamada Antologia de Estobeu não é uma tarefa fácil, pelo que nos bastará resumi-la aqui recordando parte dos seus elementos mais significatvos. O seu editor original viveu por volta do século V da nossa era. Com o objectivo de ajudar na educação do seu filho, numa dada altura este João Estobeu decidiu compilar milhares de citações e extratos de mais de 500 autores não-cristãos da Antiguidade, organizando os seus temas em diversos capítulos, cujo número depende agora bastante da edição consultada. A sua edição passou, depois, por diversas fases ao longo dos séculos, mas será suficiente dizer aqui que sua obra é, hoje e numa forma mais ou menos completa, conhecida sob o nome simples de Antologia. Não existe em qualquer tradução, mas apenas a título de curiosidade podemos apresentar aqui parte do seu conteúdo, recordando sete frases de Pitágoras presentes na obra que ainda se aplicam muito bem aos nossos dias de hoje:

Nem sequer penses em fazer o que não deve ser feito.
Escolhe ser forte na alma mais do que no corpo.
Não é muito difícil errar, tal como não é muito difícil criticar quem erra.
É impossível que seja livre aquele que é um escravo das suas paixões.
Não é possível controlar um cavalo sem um freio, nem as riquezas sem prudência.
Poupa a tua vida, para que não seja consumida pela tristeza e preocupações.
Tudo o que vemos quando acordados é morte, e quando a dormir, um sonho.

 

Entre os muitos autores presentes nesta Antologia de Estobeu contam-se, por exemplo, Arato, Ctésias, Esopo, Heródoto, Licurgo, Píndaro ou Zenódoto, entre muitos, muitos outros. Tentar apresentar todos eles seria uma tarefa muitíssimo difícil, mas quem tiver alguma curiosidade poderá ver um índice de 50 páginas dos autores presentes nesta obra neste endereço.

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14 de Fevereiro, 2016

A origem e significado da "alma gémea" (e o seu mito)

A origem e significado da alma gémea, enquanto uma expressão ligada ao tema do amor, é um tema interessante, porque também tem uma face muito significativa de que raramente ouvimos falar, e que até nos pode, e deve, demonstrar que todo o conceito é muito menos verdadeiro e digno de crédito do que nos pode soar.

A origem da alma gémea?

A origem da alma gémea é uma lenda, ou mito, que vem do Simpósio de Platão. Nessa obra, e como já contámos cá em parte anteriormente, diversas figuras discursam sobre o tema do amor. Entre elas conta-se Aristófanes, que conta uma espécie de mito grego em que os seres humanos, originalmente, eram compostos por um único corpo com ambos os sexos. Depois, os deuses decidiram separá-los em duas formas, em dois géneros diferentes, e então essas duas partes daquele que era originalmente um só ser estavam como que condenadas a procurar a sua outra metade até a encontrarem, altura em que eram levadas à maior das felicidades.

 

É essa a origem e significado da expressão alma gémea, mas contar esta história raramente é complementado com alguns elementos que lhe dão um tom bem diferente. Recorde-se então que Aristófanes era um autor de comédias, de pequenas peças de teatro com temas jocosos e apresentadas para se rir, o que só por si dá a entender que esta ideia, apesar de muito romântica, é meramente ficcional e deve ser tomada como uma mera brincadeira - e nada mais! O facto de quem contou a história na obra platónica estar parcialmente bêbado quando o faz é, ainda mais, uma grande prova nessa mesma direcção. E que tal o facto de ela ser recebida pelos demais participantes do simpósio com muita risota?

 

Então, será que a alma gémea existe mesmo? Não mais que Hipalectrion ou os Centauros, figuras ficcionais que caracterizam muitas das histórias - meras histórias, relembre-se - da Antiguidade e da Mitologia Grega. E é perigoso vê-las como algo mais que isso, porque demasiadas vezes implica tomar por verdadeiro algo que claramente não o é.

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13 de Fevereiro, 2016

"Ars longa, vita brevis" - origem e significado

A expressão ars longa, vita brevis é frequentemente citada em Latim, mas também pode ser traduzida para português dos nossos dias como "A arte é longa, [e/mas] a vida é breve". Na verdade, esta é uma ideia que foi popularizada por Séneca, que a menciona no seu tratado Sobre a Brevidade da Vida sob a forma de vitam brevem esse, longam artem. Porém, a sua verdadeira origem também antecede esse autor em alguns séculos, com os Aforismos de Hipócrates a começarem com uma frase e ela muito semelhante:

A vida é breve,

A arte [é] longa,

A ocasião passageira,

A experiência perigosa,

O julgamento difícil.

Ars longa, vita brevis

Esta ars longa, vita brevis trata-se então de uma ideia que foi passando de mão em mão ao longo dos séculos, e que nos remete, entre outras coisas, para a impossibilidade de se vir a saber tudo, dado que o nosso tempo de vida para isso seria mais que insuficiente.

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