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Mitologia em Português

Mitologia em Português

05 de Dezembro, 2019

O mito de Endovélico?

Face de Endovélico

Sobre o mito de Endovélico, há que esclarecer que a grande maioria dos mitos que vão sendo contados por cá provêm da Grécia Antiga ou do tempo dos Romanos. Temos acesso a esse conhecimento porque os autores da altura decidiram deixar-nos, por escrito, algumas das histórias que envolviam cada uma dessas divindades e heróis. Contudo, o caso desta figura divina, de origem bem portuguesa, é significativamente diferente.

 

Endovélico é conhecido como o mais popular dos deuses (ou heróis divinizados? Não podemos ter a certeza) da Península Ibérica na Antiguidade. Mas, mesmo se tratando, aparentemente, de uma importante divindade nativa, nenhum autor grego ou romano nos fala dele, nem nenhum autor ibérico a ele se refere com informação credível. E, na verdade, nada saberíamos hoje sobre esta figura não fosse o facto de terem sido encontrados diversos ex-votos com o seu nome, como aquele que pode ser visto na imagem acima, juntamente com uma cabeça que se supõe ser de Endovélico. A pouca informação que temos (ver, por exemplo, aqui um interessante artigo de José D'Encarnação que a resume) permite-nos perceber alguns dos seus contornos e poderes, mas nada nos diz sobre alguma possível história real que possamos associar a esta figura ou ao seu santuário de São Miguel da Mota.

 

Nesse sentido, se Endovélico até é uma divindade de uma importância inegável na cultura ibérica, procurar um mito associado a ele é uma tarefa impossível. Nenhum autor nos parece ter deixado a sua história real, sendo ele, para nós, pouco mais que um mero nome de um passado há muito esquecido.

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05 de Dezembro, 2019

Sobre a lenda de Avalon

Um castelo no nevoeiro

Onde é Avalon, e quais as suas grandes lendas? Quem decidir partir em busca dessa informação depressa se aperceberá de um problema - a primeira referência a um lenda de Avalon é feita nas obras de Geoffrey of Monmouth, figura muito ligada às lendas arturianas, mas nada nos seus relatos nos indica que seja um local verdadeiro. Pelo contrário, Avalon é representada como uma ilha lendária, com contornos mágicos e muito misteriosos, onde foi forjada a espada Excalibur e onde, após a sua derradeira batalha, o Rei Artur descansa até ao momento do seu regresso profético.

 

Face a essa falta de informação original sobre Avalon, o que aconteceu foi que à medida que as lendas arturianas se foram desenvolvendo, os mais diversos autores sentiram necessidade de tornar bem real o famoso provérbio "quem conta um conto aumenta um ponto", adicionando cada vez mais tradições às histórias e elaborando cada vez mais sobre os contornos da lenda de Avalon - características essas que, originalmente, a ilha ainda não tinha, e que foram somente fruto de sucessivas gerações de autores com necessidades muito distintas. Por exemplo, as agora famosas "brumas de Avalon" surgiram para explicar o porquê da ilha não poder ser encontrada facilmente...

 

Na verdade, a lenda de Avalon em Geoffrey of Monmouth não é a mesma que em Chrétien de Troyes, Thomas Malory, ou de Marion Zimmer Bradley. Cada um deles (entre muitos outros...) adicionou novos elementos a uma mesma lenda, dando contornos mais reais a uma Avalon que, originalmente, era uma pura ficção lendária - se não o fosse, qualquer pessoa poderia ir salvar o Rei Artur do seu túmulo eterno (e não há memória de que alguém o tenha tentado), acabando as lendas arturianas com a sequência em que esse famoso rei, desaparecido em Camlann, se retira para uma espécie de paraíso terreno, então chamado Avalon...

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