Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mitologia em Português

06 de Dezembro, 2019

A origem do anjo e diabo no ombro

A ideia de que falamos hoje não é muito comum na cultura portuguesa, mas é provável que já todos a tenhamos visto pelo menos em séries e filmes americanos - uma personagem tem de tomar uma decisão sobre algo, e depois aparece-lhe num ombro um diabinho, que a insta a fazer uma qualquer maldade, enquanto que no outro ombro lhe surge um anjinho, que a tenta convencer a tomar uma boa decisão. A ideia é muito frequente, talvez até mais em séries animadas dos nossos dias, mas de onde vem ela?

Um anjo e um diabo no ombro

Na verdade, toda esta ideia do anjo e diabo no ombro não é senão uma adaptação cristã de uma ideia que já existia na Grécia Antiga - ela dizia que todos os seres humanos eram acompanhados por dois espíritos, chamados κακοδαίμων e ἀγαθοδαίμων (i.e. algo como "mau espírito" e "espírito nobre"), que ao longo da sua vida o iam instando, respectivamente, a más e boas acções. O conceito nunca parece ser explicado de uma forma muito mais precisa, mas sabemos, por exemplo, que Sócrates - o filósofo - dizia sentir algum aviso por parte de um seu daemon - sem qualquer sentido pejorativo - quando estava a tomar uma atitude correcta na sua vida, e até autores como Apuleio e Plutarco escreveram sobre essa ocorrência, que é provavelmente a mais famosa de todos os textos que nos chegaram da Antiguidade.

 

Mais tarde, ao longo dos séculos, quando o daemon foi obtendo um carácter completamente negativo na cultura cristã, o antigo - e, originalmente, bom - ἀγαθοδαίμων foi substituído pelo nosso "anjo da guarda", mas a sua função parece ter permanecido praticamente a mesma, acabando por gerar toda esta ideia do anjo e diabo no ombro, tal como a temos nos dias de hoje, que não faz propriamente parte da cultura portuguesa, mas que nos chegou pela cultura anglófona!

Gostas de mitos, lendas, livros antigos e muitas curiosidades?
Recebe as nossas publicações futuras por e-mail - é grátis e irás aprender muitas coisas novas!
05 de Dezembro, 2019

O mito de Endovélico?

Em relação a um mito de Endovélico, há que começar por esclarecer que uma parte significativa das histórias que vão sendo contadas por cá provêm da Grécia Antiga ou do tempo dos Romanos, e que temos acesso a esse conhecimento porque os autores da altura decidiram deixar-nos, por escrito, algumas das histórias que envolviam cada uma dessas divindades e heróis. Contudo, o caso de esta figura divina, de origem bem portuguesa, é significativamente diferente.

A Face do mito de Endovélico

Endovélico é conhecido como o mais popular dos deuses (ou heróis divinizados? Não podemos ter a certeza...) da Península Ibérica na Antiguidade. Mas, mesmo se tratando, aparentemente, de uma importante divindade nativa do nosso país, nenhum autor grego ou romano nos fala dele, nem nenhum autor ibérico a ele se refere com informação completamente credível. E, na verdade, nada saberíamos hoje sobre esta figura não fosse o facto de terem sido encontrados diversos ex-votos com o seu nome, como aquele que pode ser visto na imagem acima, juntamente com uma cabeça que se supõe ser a do próprio Endovélico. A pouca informação que temos sobre ele (ver, por exemplo, aqui um interessante artigo de José D'Encarnação que a resume), permite-nos perceber alguns dos seus contornos e poderes, mas nada nos diz sobre alguma possível história real que possamos associar a esta figura ou ao seu santuário do serro de São Miguel da Mota.

 

Nesse sentido, se Endovélico até é uma divindade de uma importância inegável na cultura ibérica, procurar um mito associado a ele é, na verdade, uma tarefa impossível. Nenhum autor nos parece ter deixado a sua história real, sendo ele, para nós, pouco mais que um mero nome de um passado há já muito esquecido.

Gostas de mitos, lendas, livros antigos e muitas curiosidades?
Recebe as nossas publicações futuras por e-mail - é grátis e irás aprender muitas coisas novas!
05 de Dezembro, 2019

Sobre a lenda de Avalon

A lenda de Avalon, um castelo no nevoeiro

Onde é Avalon, e quais as suas grandes lendas? Quem decidir partir em busca dessa informação depressa se aperceberá de um problema - a primeira referência a um lenda de Avalon é feita nas obras de Geoffrey of Monmouth, figura muito ligada às lendas arturianas, mas nada nos seus relatos nos indica que seja um local verdadeiro. Pelo contrário, Avalon é representada como uma ilha lendária, com contornos mágicos e muito misteriosos, onde foi forjada a espada Excalibur e onde, após a sua derradeira batalha, o Rei Artur descansa até ao momento do seu regresso profético.

 

Face a essa falta de informação original sobre Avalon, o que aconteceu foi que à medida que as lendas arturianas se foram desenvolvendo, os mais diversos autores sentiram necessidade de tornar bem real o famoso provérbio "quem conta um conto aumenta um ponto", adicionando cada vez mais tradições às histórias e elaborando cada vez mais sobre os contornos da lenda de Avalon - características essas que, originalmente, a ilha ainda não tinha, e que foram somente fruto de sucessivas gerações de autores com necessidades muito distintas. Por exemplo, as agora famosas "brumas de Avalon" surgiram para explicar o porquê da ilha não poder ser encontrada facilmente...

 

Na verdade, a lenda de Avalon em Geoffrey of Monmouth não é a mesma que em Chrétien de Troyes, Thomas Malory, ou de Marion Zimmer Bradley. Cada um deles (entre muitos outros...) adicionou novos elementos a uma mesma lenda, dando contornos mais reais a uma Avalon que, originalmente, era uma pura ficção lendária - se não o fosse, qualquer pessoa poderia ir salvar o Rei Artur do seu túmulo eterno (e não há memória de que alguém o tenha tentado), acabando as lendas arturianas com a sequência em que esse famoso rei, desaparecido em Camlann, se retira para uma espécie de paraíso terreno, então chamado Avalon...

Gostas de mitos, lendas, livros antigos e muitas curiosidades?
Recebe as nossas publicações futuras por e-mail - é grátis e irás aprender muitas coisas novas!
02 de Dezembro, 2019

Um evento para o mês de Dezembro de 2019, e a exposição “Magia, um olhar sobre um tesouro oculto”

Este mês de Dezembro de 2019 será dedicado exclusivamente aos temas de Portugal. Enquanto nos preparamos - a primeira publicação virá já no dia 5 - fica igualmente aqui uma pequena sugestão para visita.

 

No dia 4 de Dezembro começará, no Palácio Nacional de Mafra, a exposição "Magia, um olhar sobre um tesouro oculto". A informação que nos foi prestada pelo local da exposição diz o seguinte:

O Palácio Nacional de Mafra – património da Humanidade – entre dezembro de 2019 e maio de 2020, desvela alguns dos seus tesouros bibliográficos relacionados com as várias temáticas que um Mago tem de dominar se quer ser tratado como tal. Livros de alquimia, astrologia, cabala, criptografia, esteganografia, filosofia, quiromancia – livros que todos eles se podem reunir numa palavra: Magia – escolhidos de entre muitos outros que a sua Biblioteca guarda.
São livros que foram lidos e consultados pelos frades que viveram em Mafra, embora a leitura de muitos desses livros fosse proibida pela Igreja, e muitos estivessem arrolados no Index da própria Inquisição e, alguns, até, tenham sido escritos por membros do clero.
Esses livros, porque proibidos e guardados pelas chaves secretas dos responsáveis da biblioteca no tempo em que ela servia os monges, são de difícil consulta e encontram-se arredados do público.
Livros de Magia. Quem não se deixou um dia encantar pela palavra, mesmo só lhe adivinhando um pouco do muito que se esconde por detrás desse nome: magia diabólica; magia lícita; magia mecânica; magia natural; magia oculta; magia recreativa; e tantas outras que podem provocar ilusões.

 

Parece uma exposição muito interessante, à qual certamente também iremos, mas quem ainda quiser saber um pouco mais sobre a mesma poderá sempre carregar na imagem abaixo.

Convite para a exposição

Gostas de mitos, lendas, livros antigos e muitas curiosidades?
Recebe as nossas publicações futuras por e-mail - é grátis e irás aprender muitas coisas novas!

Pág. 2/2