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Mitologia em Português

Mitologia em Português

E... qual o significado do brasão da cidade do Rio de Janeiro?

30.01.20

Há poucas horas falámos sobre o brasão da cidade de Coimbra, apontando nessa altura a dificuldade que era descortinar o verdadeiro significado por detrás dos seus símbolos. E, nesse sentido, antes de voltarmos a um mito grego, queríamos então cá trazer também um exemplo de uma situação contrária, um caso em que é bastante mais fácil fazê-lo.

Agora, se Coimbra foi a segunda capital de Portugal, achámos que poderíamos igualmente dedicar algum tempo aos leitores "do outro lado do oceano" e falar da segunda capital do Brasil - Rio de Janeiro - cujo brasão pode ser visto abaixo.

Brasão da Cidade do Rio de Janeiro

No topo, como é costume, podem ser vistas as cinco torres que simbolizam o seu estatuto de cidade. Em redor, o louro e o carvalho e duas criaturas marinhas (foi-nos dito que são botos, parecidos com os golfinhos), cada qual com seu significado hieráldico. Mas o que está no centro?

O azul significa a lealdade. A esfera armilar e as três flechas, que já aí constam desde o tempo dos portugueses, remetem-nos para as descobertas manuelinas e a morte de São Sebastião (não confundir com Dom Sebastião). Finalmente, o barrete frigio central é, desde os tempos da Revolução Francesa, um símbolo da república.

 

O que distingue o caso deste brasão do de Coimbra, em Portugal? Se ambos foram sendo alterados ao longo dos séculos, no caso do Rio de Janeiro os símbolos essenciais foram (quase) sempre os mesmos, de uma simplicidade que evita quaisquer confusões. Já os de Coimbra, na sua complexidade tornaram possível que o significado inicial se fosse perdendo, levando a múltiplas interpretações que, por parecerem verdade, contribuíram para o esquecimento de uma simbologia que lá teria existido antes.

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Qual o significado do brasão da cidade de Coimbra?

30.01.20

Há alguns dias, enquanto passeávamos pela cidade de Coimbra, perguntaram-nos qual o significado do invulgar brasão da cidade. Para quem não souber a que nos referimos, aqui fica ele:

Brasão de Coimbra

Quem é a mulher na parte superior da imagem? Porque é o elemento central tão vermelho? A que se referem a presença de um dragão, um leão e um cálice?

 

O grande problema em descortinar o significado por detrás de todos estes elementos, e do próprio brasão de Coimbra, não se prende tanto com uma ausência de fontes, mas com uma enorme discrepância entre todas elas, cada qual com uma opinião muito distinta. E, por isso, nada como contar duas das versões que nos chegaram.

 

Segundo a Comédia sobre a Divisa da Cidade de Coimbra, de Gil Vicente, o elemento feminino era uma princesa de nome Colimena, que foi raptada por um gigante e aprisionada numa torre, acabando por ser salva por um leão e uma serpente que, inesperadamente, parecia ter amestrado. Poderia ser uma boa resposta ao mistério por detrás de toda a simbologia da cidade, mas na mesma peça a princesa acrescenta que "o cálice está errado, pois devia ser uma torre aprisionadora". Mas não é uma torre - é um cálice ou uma fonte (em algumas versões mais antigas do brasão da cidade até pode ser vista a figura feminina no seu interior), denotando que o autor da peça já desconhecia a razão verdadeira por detrás desse elemento central do brasão de Coimbra, descartando-o com uma alternativa muito pouco real.

 

Noutra versão, a figura feminina representada no brasão de Coimbra era a Rainha Santa Isabel. Face a séculos de confrontos na cidade (até se poderia dizer que o Mondego foi sendo tingido de sangue, daí o elemento vermelho), a sua vinda veio trazer comunhão e harmonia a dois grandes grupos que aí habitavam (seriam eles, por exemplo, cristãos e muçulmanos, escondidos por detrás das figuras do leão e do dragão?), juntando-os com um mesmo sangue (aqui representado na figura do cálice). É uma metáfora interessante, mas também só parece surgir mais tardiamente.

 

O que sabemos, na verdade, é que estes símbolos no brasão de Coimbra não surgiram por magia. Quando alguém decidiu, por exemplo, que este deveriam conter uma serpente (ou um dragão), isso foi feito com uma determinada intenção. Infelizmente, neste caso particular essa realidade una já se parece ter perdido ao longo dos séculos, como denota o facto de não existir uma só explicação horizontal, mas várias opiniões divergentes. E por isso não sabemos o que este brasão significava, na sua forma original - temos acesso, isso sim, é a diversas opiniões, aparentemente construídas sobre o desconhecimento de aquelas que foram, faz já muitos séculos, as razões reais.

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