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Mitologia em Português

13 de Março, 2020

A lenda de Santiago de Compostela

Recentemente alguém aqui quis saber a lenda de Santiago de Compostela. A tradição atribui a essa cidade de Espanha a presença do túmulo de São Tiago*, um dos apóstolos de Jesus Cristo, mas que lenda aí se esconde?

Catedral de Santiago de Compostela

Resumidamente, após a morte e ressurreição de Jesus Cristo os diversos apóstolos - com a evidente excepção de Judas, o traidor - foram pregar a mensagem do seu Salvador por todo o mundo. Nesse seguimento, a tradição medieval diz-nos que São Tiago veio para a Ibéria, onde pregou a sua mensagem divina aos habitantes locais, antes de retornar a terras de Jerusalém, onde - como nos é dito nos Actos dos Apóstolos, por contraste com as fontes apócrifas do resto da mesma lenda - acabaria por ser decepado por ordem de Herodes Agripa.

Mas a lenda não fica por aqui. Ela também nos diz que após a morte de São Tiago alguns anjos transportaram o corpo deste mártir para um barco - uma ocorrência comum nas lendas da época - e fizeram com que, pelo que apenas pode ser considerado um completo milagre, este fosse parar à costa noroeste de Espanha. Em seguida, as mesmas entidades divinas levaram-no para uma caverna e taparam a entrada com uma enorme pedra. E depois, já em inícios do século IX, o local foi descerrado pelo bispo Teodomiro de Iria, levando às grandes peregrinações agora associadas à cidade de Santiago de Compostela.

 

Será tudo isto verdade? Ou será que, pelo menos, tem um fundo de verdade? Há quem jure eternamente que sim. Há quem o negue repetidamente. Mas, ao fim ao cabo, como é muito comum nestas circunstâncias, trata-se tudo de uma grande questão de fé.

 

*- Na verdade, e como apontado por Pedro Oliveira nos comentários, o nome original deste santo não era "Tiago", mas sim "Iago". O seu nome na versão grega do Novo Testamento era Ἰάκωβος (algo como "Jacobo ou Jacó"), mas ao longo dos séculos parece ter sido corrompido para "Iago", e pela forma "Sant'Iago" levou ao Santiago dos nossos dias. Assim, usamos aqui o nome de "São Tiago" não porque ele esteja completamente correcto, mas porque é a forma mais comum adoptada nos nossos dias, salvo em excepções como "Sant' Iago da Espada" (i.e. possivelmente o "Mata-mouros").

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13 de Março, 2020

Qual o significado de "Avada Kedavra"?

A expressão Avada Kedavra é particularmente famosa nos nossos dias devido à sua ocorrência nas aventuras de Harry Potter. Mas qual é o seu significado no mundo real? Qualquer leitor das obras de J. K. Rowling saberá que, nas obras de ficção, se trata de um dos feitiços mais dolorosos e mortais presentes nas aventuras do jovem feiticeiro, usado por Lord Voldemort, e até banido pelo Ministério da Magia. E, de um modo geral, os feitiços da série estão em Latim, ou são de alguma forma derivados da língua latina, mas este é diferente... Este é uma excepção a essa regra, como até deveria ser fácil entender pelo estranho som das suas palavras, muito mais difíceis de dizer do que os restantes feitiços recitados durante as diversas aventuras em Hogwarts.

Qual o significado de Avada Kedavra?

Na verdade, o significado de Avada Kedavra não vem do Latim, mas sim do Aramaico (i.e. um conjunto de línguas faladas na Antiga Síria e Mesopotâmia). E, originalmente, a expressão aparecia em textos mágicos, em que significava algo como "que [a doença, infere-se pelo contexto] seja destruída". É esse elemento destrutivo, mas agora privado da referência a alguma doença específica, que foi reutilizado pela autora de Harry Potter.

Porém, esta pequena história ainda não fica por aqui. Naturalmente que J. K. Rowling não fala Aramaico, mas então como terá ela conhecido estas invulgares palavras, que depois reutilizou na sua obra? Bem, segundo diversos autores, a palavra Abracadabra, muito utilizada na magia lúdica dos nossos dias, tem a sua origem na Antiguidade. Qual é a sua origem concreta, em específico, não é ainda claro, existindo muita disputa na sua possível etimologia, mas é provável que esta escritora tenha tomado conhecimento da expressão original, aquela que falamos neste artigo, numa pesquisa pessoal pela mais famosa das expressões mágicas dos nossos dias. E, depois, utilizou-a nas suas obras, fazendo deste um feitiço particularmente poderoso talvez até para homenagear a fama da expressão original; essa reutilização de conteúdos é recorrente na obra, como também pode ser constatado no caso do hipogrifo.

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