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Mitologia em Português

Mitologia em Português

30 de Abril, 2020

A origem do nome de Benfica, e o seu animal - o pavão?!

Brasão de (um) Benfica

Quando pensamos no nome de Benfica, a termos de lhe associar um animal seria quase certamente a águia, por causa do clube de futebol. Porém, face à recente fuga de um pavão nessa zona lisboeta, lembrámo-nos de algumas breves histórias que podemos deixar por aqui.

 

Quem olhar para o brasão de Benfica (a freguesia lisboeta) encontrará lá uma coroa mariana e duas árvores de Monsanto. Porém, na mesma cidade, uma outra freguesia contígua - a de São Domingos de Benfica - tem um brasão significativamente mais interessante, que pode ser visto acima, em que estão representados dois pavões, uma laranjeira e uma flor-de-lis estilizada. Os dois primeiros elementos remetem-nos, naturalmente, para o Jardim Zoológico (movido para a Quinta das Laranjeiras em 1905, a freguesia data de 1959), talvez até num duplo sentido heráldico do orgulho por essas árvores, hoje já raras no local. Assim, a termos de associar um animal a esta freguesia, seria o pavão.

 

Já o nome de Benfica (o clube) vem da própria freguesia em que está localizado o seu estádio - São Domingos de Benfica. Por sua vez, o nome de freguesia vem do facto de ter sido fundado um Convento de São Domingos no local (já lá voltaremos), que naturalmente teria "de Benfica" pela sua localização, para o distinguir de outros que possam ter existido associados ao mesmo santo. E, nesse contexto, de onde vem então o nome de Benfica?

No passado lemos várias lendas destinadas a explicar este nome, mas têm um elemento comum - numa visita que D. João I fez ao local (onde viria a mandar construir o convento já mencionado acima), teve lugar algum evento que o fez dizer duas palavras, "Bem fica", que pela passagem dos séculos acabaram comprimidas em "Benfica". E que evento foi esse?

Numa versão, o rei diz que num dado local "bem fica[ria]" a construção de um convento proposto por João das Regras (e em que este até viria a ser sepultado). Numa outra, a uma mulher cujo amado foi executado por um crime, o rei disse que ela "bem fica" sem ele. Para quem quiser uma terceira, bastará inventar algum evento em que o rei seja posto a dizer essas palavras.

Já outros dizem apenas que o nome actual vem de um (possível) nome árabe, o que nos parece improvável, já que nada de significativo parecia existir no local aquando da construção do convento (e assim sendo, porquê dar-lhe um nome?). Qual destas versões é a verdadeira história por detrás do nome já é algo que nos escapa por completo.

 

Como é que a águia foi parar ao emblema do Benfica, em vez de um pavão, é uma história que ficará para um outro dia...

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29 de Abril, 2020

A misteriosa Casa do Medo, um exemplo de mito urbano português

A Casa do Medo

No contexto da publicação anterior achámos que poderíamos, naturalmente, dar um pequeno exemplo de aquilo a que até se poderia vir a considerar parte dos mitos urbanos portugueses.

 

Quem passar pelo distrito de Lisboa - a falta de uma identificação mais precisa é completamente intencional - poderá já ter visto a casa acima. Captada em duas fotografias num espaço de quatro anos, a casa mantém-se significativamente igual. Isto pouco teria de notável, não fosse o facto de, segundo os habitantes locais, esta ser conhecida como a Casa do Medo.

Porquê esse nome? O melhor que nos conseguiram explicar foi que, supostamente, essa casa está igual há mais de 70 anos, sem que alguma vez se tenha visto alguém a entrar ou a sair dela, alguma luz a acender, ou algum estore a abrir. Por isso, criou-se a ideia de que só tinha um único habitante, o Medo, e os locais parecem ter um verdadeiro receio do local.

 

Será verdade, essa ideia de que a casa está - aparentemente - desocupada há mais de meio século? Por um lado, existem nela ténues evidentes vestígios de ocupação, quanto mais não seja pelo facto das sebes terem sido aparadas e uma árvore ter sido cortada; por outro, os vizinhos confirmam e reafirmam a ideia de que nunca viram ninguém lá e que nem sabem a quem pertence a casa. E assim se geram mitos...

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29 de Abril, 2020

E a Mitologia Portuguesa, ou os mitos de Portugal?

São cá frequentemente feitas pesquisas pela Mitologia Portuguesa, mitos portugueses, ou mitos de Portugal. Não é fácil responder a essas pesquisas, porque como parte dessa mesma cultura portuguesa nos é difícil reconhecer os nossos próprios mitos. Para nós raramente são mitos, mas uma parte integrante daquilo que somos.

 

Salazar

Um pequeno exemplo. Há já alguns dias, em pleno 25 de Abril, um idoso contou-nos que o Salazar teve uma filha por uma cozinheira que lhe prestava serviço. Não há - e naturalmente que fomos procurar - qualquer registo disso. Por isso, o que chamar a essa informação? Um mito, uma lenda, uma ilusão, uma falsidade, uma invenção, uma verdade improvável? Não importa... mas suponha-se que daqui a 1000 anos alguém se depara com essa mesma informação, e escreve que "segundo alguns, Salazar teve uma filha ilegítima por uma cozinheira que lhe prestava serviço" - não seria essa informação semelhante àquelas que encontramos em tantos livros da Grécia Antiga?

 

De modo semelhante, existem histórias que todos conhecemos - a de Santa Isabel e o Milagre das Rosas, a de Viriato, a da Batalha de Ourique, a da Porca de Murça, e tantas outras que vamos ali armazenando na secção dos mitos e lendas de Portugal - mas que jamais consideramos como sendo mitos. Isto porque, a nós próprios, elas não nos parecem mitos, porque são nossas, fazem parte daquilo que somos no nosso âmago, como dos Gregos fazia parte a crença em Zeus, nos Latinos a crença em Eneias e Luperca, nos Ingleses da Idade Média a crença num Rei Artur, e nos antigos habitantes da Lusitânia uma crença (local?) em Endovélico.

O que distingue as nossas dessas outras crenças é o facto de as vivermos, de estarmos de alguma forma dentro delas. Por isso, só o peso do tempo dirá quais virão a ser as histórias que acabarão por compor a nossa mitologia colectiva; até esse momento chegar, não podemos senão contentar-nos com algumas das lendas que vamos deixando por cá...

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28 de Abril, 2020

"A Princesa de Três Seios", outra história do "Panchatantra"

Uma história contida nesta obra

Recordamos hoje outra história do Panchatantra, mas nesta são os seres humanos que têm o papel principal.

 

Um dado rei teve uma filha com três seios. Face a tão estranho prodígio, quis abandoná-la logo após o nascimento, deixá-la sozinha numa qualquer floresta da sua região, mas foi instado a consultar os sábios da sua corte, que lhe sugeriram casá-la com o primeiro homem que a aceitasse, antes de exilar o casal. Apesar das ofertas de uma esposa e de ouro, passaram dias, meses, anos, sem que alguém a aceitasse para esposa.

Depois, um dia, foi a essa cidade um cego acompanhado por um corcunda, e o primeiro decidiu que poderia tomar esta mulher para esposa, até porque o aspecto pouco lhe interessava. Dias depois, por uma qualquer razão o cego empurrou o corcunda contra a sua mulher; tal foi a força do impacto que não só empurrou o terceiro seio da mulher para dentro, como também endireitou o próprio corcunda. A história acaba com a mulher tornada bela, o corcunda tornado "normal", e o cego tornado marido e rico.

 

Que lições retirar desta outra história? Como há alguns dias, isso também ficará a cargo dos leitores...

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27 de Abril, 2020

Quem disse que a Terra é plana?

Há quase dois anos que aqui mostrámos que os Antigos acreditavam numa Terra redonda. Na altura, foi escrito que "de uma forma geral os autores gregos e latinos de maior importância nunca parecem argumentar que a Terra era plana". Contudo, uma questão ainda ficou em aberto nessa altura - afinal, de onde vem a ideia contrária, de que os Antigos acreditavam que a Terra não era redonda?

Terra plana

Encontrá-la não foi fácil, porque implicou procurar não só um autor que defendesse a ideia contrária (e não abundam...), mas também conseguir comprovar que ele tenha tido um impacto significativo na literatura mais tardia. Fazendo batotice, decidimos tomar o caminho inverso - procurar autores que tenham tido um impacto significativo na cultura ocidental, e depois andar para trás e ver se eles tinham escrito algo sobre este tema.

Naturalmente que essa ideia, para ter um impacto significativo, teria de vir de um autor cristão, mas nem Santo Agostinho nem Isidoro de Sevilha parecem ter escrito algo de muito contundente sobre o tema. Depois encontrámos um autor que, criticando aquilo a que chama a "falsa sabedoria dos Filósofos [Pagãos]", apelida a ideia de uma terra redonda de "maravilhosa ficção", antes de levantar um problema que lhe parece ridículo - se a Terra for redonda, como é que os habitantes não caem da parte de baixo?

 

Que autor foi este? Lactâncio, de finais do século III, que face à beleza do seu Latim ficaria conhecido nos séculos mais recentes como o "Cícero cristão". Foi um autor de algum relevo no Renascimento (por mera curiosidade, numa só biblioteca portuguesa encontrámos quatro manuscritos dos seus trabalhos, todos eles da segunda metade do século XV), pelo que faz algum sentido que a ideia possa ter sido popularizada por um dos seus trabalhos.

 

Quer isto dizer que quando as pessoas pensavam que o mundo podia não ser redondo, faziam-no exclusivamente por causa das linhas de Lactâncio? Afirmá-lo com uma absoluta certeza é muito difícil, até porque existiam outros autores que pensavam o mesmo, mas a sua popularidade poderá ter contribuído para disseminar uma ideia que não era a da maioria dos autores da Antiguidade, ao contrário do que muitos pensam nos nossos dias. E por isso, se tivessemos de atribuir esta ideia a um único autor, que seja ele Lactâncio.

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26 de Abril, 2020

Em busca da origem da expressão 'tempo da Maria Cachucha'

Há alguns dias fizeram-nos uma pergunta em que nunca tínhamos pensado antes - se existe uma expressão que nos fala de dadas coisas serem 'do tempo da Maria Cachucha', quem terá sido essa figura, supostamente tão famosa ao ponto de vir a designar algo de muito antigo? É uma expressão evidentemente portuguesa, não vem da Antiguidade, da Idade Média, ou do Renascimento... mas então, quem emprestou o nome à expressão?

Maria Cachucha

Uma primeira hipótese - em inícios do século XX parece ter vivido em Torres Vedras uma mulher que ficou conhecida por "Maria Cachucha". Por muito singular que essa figura tenha sido - e a breve entrevista prova isso mesmo - não se compreende como ela poderá ter inspirado a expressão. De facto, se uma alcunha tão singular ainda não fosse conhecida, certamente que lhe teriam perguntado de onde nasceu; não tendo sido feita essa pergunta, podemos presumir que já existia outra "Maria Cachucha" famosa e anterior a ela, com quem - muito possivelmente - partilhava o carácter que discutiremos abaixo.

 

Segunda hipótese - as mais variadas fontes referem incessantemente uma dança do século XIX como estando por detrás da expressão (ver este exemplo). Como nos informa o dicionário da Priberam, a cachucha era uma "dança popular espanhola do século XIX, de compasso ternário, executada geralmente por uma pessoa munida de castanholas, ao som de guitarras e, por vezes, canto." Um breve exemplo:

Esta é uma hipótese que parece ter satisfeito muitos curiosos, mas que deixa ainda duas questões por resolver - porquê Maria Cachucha, e porque seria esta expressão ligada a algo que é antigo?

 

Terceira hipótese - A cachucha original, como se depreende da definição acima, nem sempre tinha letra. Houve então a necessidade de criar uma letra para ela. Vejamos um primeiro exemplo, aparentemente de meados do século XIX (focamo-nos somente na informação dada no Youtube, que até pode estar incorrecta):

E outro já do século XX:

Em ambas existe uma frase comum - "Maria Cachucha, com quem dormes tu?" Todas as outras versões que encontrámos parecem manter a mesma questão e respondem-lhe das mais variadas formas - "Durmo com um gato dentro de um baú", "Com um menininho[ou marinheiro] chamado Angu", "Durmo sozinha com o dedo no cu", etc.

Independentemente da rima para "tu", esta Maria Cachucha parece ser sempre uma mulher de má reputação, com um gato, que se envolvia com muitos homens... Será que por detrás desse nome (fictício) existia uma figura popular portuguesa, bem conhecida na altura? A revista Pim-Pam-Pum, no seu número 555 (de 1936, ou seja, mais de um século depois!), até nos conta a história de uma Maria Cachucha, a quem foi feita a pergunta acima (e a que ela responde "Durmo sempre só, e de corpo nu!"), mas as fontes da autora dessa história infantil são desconhecidas... ainda assim, se quisermos acreditar que em inícios do século XIX já existiam histórias como essas, que inspiraram as várias letras, faria sentido que o seu tempo fosse localizado numa altura muito mais antiga, que já ninguém conseguia precisar, como aquele proverbial "tempo em que os animais falavam". E isso até poderia justificar a expressão, tal como é usada nos nossos dias...

 

Quarta hipótese - parte de uma das canções ficou na sabedoria popular, e ainda encontrámos idosos que se lembram de quatro versos, mas que insistem na ideia de que "não é nenhuma música, é só a Maria Cachucha". Nenhum sabia dizer de onde conhecia os versos ou quem lhe os tinha ensinado. Por essa dificuldade de precisão, de uns versos que lhes chegaram já nem se sabe bem de onde ou quando, poderá ter-se suposto que o "tempo da Maria Cachucha" era já muito antigo.

 

Qual destas hipóteses está correcta? As poucas provas que temos são puramente circunstanciais; a maior parte dos autores parece satisfazer-se com a segunda, mas a verdade é que ela deixa questões em aberto. Por isso... a resposta fica para quem for ler estas linhas, a quem deixamos igualmente um convite para que nos dêem a vossa opinião nos comentários.

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26 de Abril, 2020

Para rir um pouco...

Este domingo deixamos por cá um vídeo que satiriza as leituras demasiado académicas que por vezes são feitas de coisas muito simples. Mais que tudo, talvez devessemos perguntar - será que era isso que o autor original pretendia? Frequentemente, a resposta é negativa...

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25 de Abril, 2020

O segredo do Adamastor

Claro que todos conhecemos esta figura dos Lusíadas, mas o segredo do Adamastor tem muitas outras faces que a maior parte das pessoas desconhece. Por exemplo, sabiam que a sua estátua que aparece na maior parte dos manuais escolares não é tirada num qualquer país africano, como poderíamos supor, mas sim em Lisboa, mais precisamente no Miradouro de Santa Catarina?

O Adamastor de Lisboa

Agora, se os contornos gerais da figura do Adamastor foram invenção de Camões, o gigante já existia anteriormente, sendo conhecido pelo menos desde o século III d.C. como Damastor (em Claudiano) ou Adamasthor (em Sidónio Apolinário). Em ambos os casos, o nome deste mesmo gigante é mencionado num contexto de uma gigantomaquia, um enorme combate entre os deuses e os gigantes que tinha lugar na Mitologia Grega e Romana, sendo por isso possível que o nome até já viesse de um mito anterior, potencialmente grego, já que o nome Adamastos (Αδαμαστος, em Grego) significa "Indomável".

 

E, no contexto da obra de Camões, o significado do nome faz todo sentido - os Portugueses chegam ao Cabo das Tormentas, conquistam pela primeira vez o Adamastor, o "Indomável", e recebem então um sinal de boa esperança para a continuação da sua viagem. Será que já alguma vez tinham pensado nisto? Mesmo em caso negativo, este segredo do Adamastor não pode deixar de nos fazer pensar que outros elementos secretos se escondem por detrás das muitas figuras deste épico camoniano...

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24 de Abril, 2020

A lenda de Joe Magarac

Estátua de Joe Magarac

A lenda de Joe Magarac, que contamos hoje, vem dos EUA, mais precisamente da zona de Pittsburgh, Pennsylvania. O seu apelido e os próprios contornos da lenda dão a entender que esta história poderá ter tido origem em emigrantes do leste da Europa que aí se tinham fixado e trabalhavam na indústria do aço.

 

Então, quem é Joe Magarac? Essencialmente, é uma figura lendária que se distinguiu no trabalho da indústria do aço, talvez pelo invulgar facto de ser um homem feito desse material. Tinha ainda super-força, a capacidade de trabalhar sem jamais descansar, conseguia fazer dezenas de coisas diferentes com o aço e mostrava-se capaz de múltiplos feitos sobre-humanos.

De entre as várias histórias que lhe estão associadas encontrámos duas dignas de nota. Numa delas, Joe ganhou um concurso de força cujo prémio era uma bela mulher chamada Mary - mas depois, sabendo que ela já estava apaixonada por um outro operário, permitiu-lhe esse casamento, desejando as maiores felicidades aos noivos.

Numa outra, Joe salvou a vida de alguns operários mas acabou por cair numa fornalha, sendo derretido pelo fogo. Desaparecido então do nosso mundo, dizia-se que o seu legado continua na forte estrutura de uma qualquer construção da região em que ele viveu.

 

O que dizer de tudo isto? A relação da lenda de Joe Magarac com a indústria local do aço, que ainda hoje é muito significativa, é notória. Por isso, é possível que tenha nascido de um conjunto de tall tales locais, como se nos nossos dias um trabalhador de um qualquer call centre dissesse que já teve um colega que atendia 30 chamadas numa hora, tinha taxa de vendas de 100% e conseguia prémios de produtividade sem ser intrujado pelas chefias. Lendas como essas permitem tornar possível o impossível, na medida em que nos fazem sonhar com um limite sobre-humano a que até podemos tentar aspirar mas jamais iremos atingir.

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23 de Abril, 2020

Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato

Algumas personagens da obra

Se ontem falámos de Monteiro Lobato e do Saci, achámos que hoje seria apenas justo que falássemos também do Sítio do Picapau Amarelo, uma série de literatura fantástica muito famosa no Brasil mas que em Portugal só é quase conhecida por uma série infantil que deu na televisão há uns anos (já lá voltaremos). Então, decidimos comprar um dos livros de Monteiro Lobato - Reinações de Narizinho, Edição de Luxo - com onze histórias da colecção e ver onde isso nos levava.

 

De uma forma um tanto ou quanto irónica, a Cuca, o Saci e a Mula Sem Cabeça não aparecem em nenhuma das histórias da obra que comprámos... porém, o que não deixámos de encontrar foi um conjunto de histórias que são muito apropriadas não só para crianças como para adultos, e em que os níveis de leitura dos dois públicos se entrelaçam de uma forma que, em dados momentos, não pode deixar de fazer toda a gente rir.

Por exemplo, numa dada altura Narizinho, uma das personagens principais, diz às suas familiares mais velhas que aceitou um pedido de casamento do Príncipe dos Peixes. Elas insurgem-se contra a ideia, não pela idade da criança (que devia ter uns 10 anos?), mas pela dificuldade que seria ter um genro peixe, ou até porque poderiam, sem querer, acabar por fritar um dos seus próprios netos (e na verdade, uma personagem do reino dos peixes até acaba frita por acidente).

Nestas histórias existem alguns momentos para rir, outros mais tristes, uns para os pais (que criança conhecerá o "Cavaleiro da Triste Figura"?), e outros para os filhos (que traquinices fariam eles com uma varinha de condão?). Mas, de uma forma geral pareceram-nos histórias bastante bonitas, um misto de realidade e fantasia que entrelaça mitos, lendas e famosas histórias de ficção com criações totalmente originais por parte do autor. Mereciam estar mais divulgadas neste lado do oceano...

 

Bem, mas, para terminar, acima referimos uma série de televisão que deu em Portugal. Aqui fica o seu primeiro episódio, provindo da página oficial do programa no Youtube, para quem a quiser recordar. Para quem gostar deste, os restantes episódios também podem ser vistos no mesmo canal, de uma forma completamente gratuita!

(E não, não recebemos um cêntimo por nada do que está escrito ou apresentado aqui)

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