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Mitologia em Português

09 de Abril, 2020

A verdadeira história da origem da Páscoa

A história da origem da Páscoa é, verdadeiramente, um daqueles temas que dá um grande e proverbial pano para mangas. Na verdade, durante dias até tentámos contá-la de uma forma muito completa nestas linhas mas, de uma forma inesperada, depois o sistema disse-nos, pela segunda vez em seis anos, que a publicação era longa demais. Por isso, conte-se toda esta história mas de uma forma muito mais sucinta e simplificada.

 

Os primeiros passos do ritual da Páscoa vêm dos tempos relatados no Antigo Testamento, quando os Judeus ainda viviam em terras do Egipto. Quem se recordar das famosas "dez pragas" saberá que a última foi a morte dos primogénitos dos Egípcios; para que se salvassem os filhos dos Judeus, Deus ordenou-lhes que, entre outras coisas, sacrificassem um cordeiro e untassem as suas portas com o sangue do animal, de forma a que o espírito divino os reconhecesse e poupasse. Por essa passagem divina é que o festival que viria a comemorá-la ficou conhecido em hebraico como Pesach, i.e. "passagem".

 

Saltando agora alguns séculos no tempo, importa recordar que Jesus Cristo era Judeu. Ele celebrava esse festival da Pesach. Na verdade, é possível - mas não totalmente certo - que a Última Ceia tenha tido lugar nessa altura. E, se tivermos em conta o seu sacrifício e os paralelismos com a história acima, é fácil compreender aquela metáfora de Jesus como um cordeiro que (também) se sacrificou pela humanidade. Nesse sentido, se os primeiros crentes cristãos tinham praticado a religião judaica, pareceu fazer-lhes sentido celebrar o sacrificio do seu "novo" cordeiro na mesma altura em que tinham celebrado o sacrifício de um outro, o "antigo".

Última Ceia e a Páscoa

Esta imagem mostra de uma forma muito interessante essa interrelação entre a Pesach e a Páscoa. Para os crentes cristãos, é aqui fácil reconhecer Judas com a bolsa do dinheiro na mão, acompanhado pelos outros apóstolos e Jesus com o pão e o vinho da Eucaristia... porém, quem também olhar para a mesa, poderá aperceber-se que está lá um (pequeníssimo) cordeiro, pães redondos espalmados (o chamado matzá) e alguns copos de vinho - todos eles directamente relacionados com o ritual dos Judeus. Quando Jesus ofereceu o pão e o vinho, i.e. o seu corpo e o sangue, fê-lo num contexto em que esses elementos eram muito significativos para os Judeus, e em que a Eucaristia até pode ser vista como uma celebração diária do seu sacrifício, enquanto novo e segundo cordeiro de Deus. E se até existem outras semelhanças entre os dois rituais religiosos, detalhá-las a todas vai além do nosso objectivo actual.

 

Mas tudo isto faz sentido, certo? Porém, a história ainda não acaba por aqui. Esta interrelação entre o ritual judaico e o cristão levou a um problema significativo - quando e como celebrar a Páscoa do Cristianismo? Se, em relação ao segundo elemento, na Páscoa cristã ainda existem múltiplas interrelações com a Pesach judaica, já a sua data levou a imensas discussões ao longo dos séculos, mas acabou por ficar definido que seria celebrada na data do primeiro domingo após a primeira lua cheia seguinte ao equinócio da Primavera. Quem fizer as contas notará que este ano é daqui a alguns dias, a 12 de Abril. A Pesach judaica, para quem estiver com curiosidade, é este ano celebrada entre os dias 8 e 16 de Abril.

Dúvidas, será que alguém as tem?

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09 de Abril, 2020

A lenda do Incêndio de Meireiki

A dois de Março de 1657 tomou lugar na cidade japonesa de Edo (hoje Tóquio), um incêndio tão grande que ficou conhecido pelo nome da era em que tomou lugar - o Grande Incêndio de Meireiki. É um facto histórico indisputável que esse flagelo aconteceu mesmo, mas a razão pela qual falamos dele aqui hoje é o facto de uma pequena lenda também se esconder por detrás de toda essa ocorrência real. Não sabemos se esta história também é tão real como o fogo que ardeu na altura, mas diz que tudo começou quando um sacerdote decidiu tentar queimar um kimono que estava amaldiçoado e que acabava por matar todos aqueles que o viessem a possuir. Mas as palavras desta lenda do Incêndio de Meireiki, hoje, deixamo-las para Niall de Burca, que um dia tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente, e a cujas histórias já cá fizemos alusão anteriormente.

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