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Mitologia em Português

Mitologia em Português

29 de Abril, 2020

A misteriosa Casa do Medo, um exemplo de mito urbano português

A Casa do Medo

No contexto da publicação anterior achámos que poderíamos, naturalmente, dar um pequeno exemplo de aquilo a que até se poderia vir a considerar parte dos mitos urbanos portugueses.

 

Quem passar pelo distrito de Lisboa - a falta de uma identificação mais precisa é completamente intencional - poderá já ter visto a casa acima. Captada em duas fotografias num espaço de quatro anos, a casa mantém-se significativamente igual. Isto pouco teria de notável, não fosse o facto de, segundo os habitantes locais, esta ser conhecida como a Casa do Medo.

Porquê esse nome? O melhor que nos conseguiram explicar foi que, supostamente, essa casa está igual há mais de 70 anos, sem que alguma vez se tenha visto alguém a entrar ou a sair dela, alguma luz a acender, ou algum estore a abrir. Por isso, criou-se a ideia de que só tinha um único habitante, o Medo, e os locais parecem ter um verdadeiro receio do local.

 

Será verdade, essa ideia de que a casa está - aparentemente - desocupada há mais de meio século? Por um lado, existem nela ténues evidentes vestígios de ocupação, quanto mais não seja pelo facto das sebes terem sido aparadas e uma árvore ter sido cortada; por outro, os vizinhos confirmam e reafirmam a ideia de que nunca viram ninguém lá e que nem sabem a quem pertence a casa. E assim se geram mitos...

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29 de Abril, 2020

E a Mitologia Portuguesa, ou os mitos de Portugal?

São cá frequentemente feitas pesquisas pela Mitologia Portuguesa, mitos portugueses, ou mitos de Portugal. Não é fácil responder a essas pesquisas, porque como parte dessa mesma cultura portuguesa nos é difícil reconhecer os nossos próprios mitos. Para nós raramente são mitos, mas uma parte integrante daquilo que somos.

 

Salazar

Um pequeno exemplo. Há já alguns dias, em pleno 25 de Abril, um idoso contou-nos que o Salazar teve uma filha por uma cozinheira que lhe prestava serviço. Não há - e naturalmente que fomos procurar - qualquer registo disso. Por isso, o que chamar a essa informação? Um mito, uma lenda, uma ilusão, uma falsidade, uma invenção, uma verdade improvável? Não importa... mas suponha-se que daqui a 1000 anos alguém se depara com essa mesma informação, e escreve que "segundo alguns, Salazar teve uma filha ilegítima por uma cozinheira que lhe prestava serviço" - não seria essa informação semelhante àquelas que encontramos em tantos livros da Grécia Antiga?

 

De modo semelhante, existem histórias que todos conhecemos - a de Santa Isabel e o Milagre das Rosas, a de Viriato, a da Batalha de Ourique, a da Porca de Murça, e tantas outras que vamos ali armazenando na secção dos mitos e lendas de Portugal - mas que jamais consideramos como sendo mitos. Isto porque, a nós próprios, elas não nos parecem mitos, porque são nossas, fazem parte daquilo que somos no nosso âmago, como dos Gregos fazia parte a crença em Zeus, nos Latinos a crença em Eneias e Luperca, nos Ingleses da Idade Média a crença num Rei Artur, e nos antigos habitantes da Lusitânia uma crença (local?) em Endovélico.

O que distingue as nossas dessas outras crenças é o facto de as vivermos, de estarmos de alguma forma dentro delas. Por isso, só o peso do tempo dirá quais virão a ser as histórias que acabarão por compor a nossa mitologia colectiva; até esse momento chegar, não podemos senão contentar-nos com algumas das lendas que vamos deixando por cá...

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