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Mitologia em Português

Mitologia em Português

13 de Maio, 2020

O mito de Caos

O mito de Caos é o do primeiro deus dos Gregos, segundo Hesíodo, um famoso autor de grande impacto na Mitologia Grega. Porém, o facto de muitas pessoas buscarem este mito específico não afasta um problema significativo - os únicos mitos que conseguimos encontrar em que o Caos tenha qualquer papel real são teogonias.

Uma possível imagem do Caos

Na verdade, como já acontecia em casos como o de Nyx, a Noite, nos mitos da Grécia o Caos não era uma entidade antropomórfica. Não tinha cara, braços ou pernas, ou sequer uma voz real. O Caos era uma entidade completamente disforme, cujo único verdadeiro mito que nos chegou passa pela criação (completamente asexual, presume-se?) de várias outras entidades de maior relevância. O seu grande papel nos mitos é o de criador de outros deuses e divindades, mas um criador pouco ou nada interventivo, o que alguns séculos mais tarde levaria alguns filósofos a teorizar uma visão do divino que existe mas que pouco ou nada se importa com as nossas próprias vidas.

 

Assim, como podemos resumir o papel do Caos na Mitologia Grega? É, pura e simplesmente, um criador de outras figuras - se o primeiro, ou um secundário, já varia entre Hesíodo, [Pseudo-]Orfeu e outros autores - cujos actos se prendem com essa acção primordial - e nada mais. Quem disser o contrário, fá-lo sem qualquer apoio real das fontes da Antiguidade.

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13 de Maio, 2020

O que aconteceu (verdadeiramente) nos Milagres de Fátima?

O Milagre de Fátima - Parte IV (e última)

Face aos temas que abordámos nos últimos três dias surge agora a questão fulcral - o que aconteceu verdadeiramente durante os chamados "Milagres de Fátima"?

Os Pastorinhos e Nossa Senhora?

Segundo a história que a própria nos conta na sua obra Memórias da Irmã Lúcia, os chamados "Três Pastorinhos", de que ela fazia parte, tiveram diversos encontros com um anjo e outros com a própria Nossa Senhora, mãe de Cristo. Esta incumbiu-lhes um conjunto de mensagens e de tarefas, aparecendo-lhes pelo menos seis vezes. Mesmo quando mais alguém estava presente nestes eventos, pouco viu que fosse digno de ser contado - uma nuvem a descer e subir aos céus, só isso.

Ao mesmo tempo, a mudança de comportamentos nos Três Pastorinhos e o facto de eles nunca negarem o que supostamente viram, não pode deixar de nos fazer crer que "algo" lhes aconteceu. E, na verdade, não duvidamos que estas crianças tenham acreditado que viram aquilo que diziam que viram - o que é, frise-se bem, um pouco diferente de acreditar que o tenham mesmo visto!

 

Sabemos que os três meninos eram muito religiosos, mas sabemos também que a mãe de Lúcia lhe contava histórias populares antes de irem dormir. Infelizmente nunca nos diz quais as suas preferidas, mas é muito possível que estivesse não só familiarizada com parte da história dos milagres de Lourdes, mas igualmente com lendas como as das Mouras Encantadas - e em ambos os casos se encontram elementos presentes na história de Fátima (por si só já um nome de notória influência islâmica).

 

Quem via uma Moura Encantada - e até há cerca de um século não eram poucos os que afirmavam que isso lhes tinha acontecido - afirmava frequentemente e com toda a convicção que a tinha mesmo visto, antes de acrescentar que esta não se identificou, que lhe deu uma qualquer mensagem e que esse pedido devia ser mantido secreto - como nas histórias de Fátima e de Lourdes. Isto não quer dizer, no entanto, que as quatro crianças viram uma Moura Encantada ou um prodígio semelhante - o que nos permite provar, no entanto, é que existia uma horizontalidade nas crenças atribuídas a um sobrenatural com que as populações da altura estavam bem familiarizadas, e que um dos seus elementos essenciais é o de se acreditar que se viu verdadeiramente essas coisas - seja uma Moura Encantada ou a própria Nossa Senhora.

 

Face às provas existentes não nos é possível negar que Lúcia dos Santos, Francisco Marto, Jacinta Marto e até Bernadette Soubirous acreditavam ter visto "algo". As mesmas provas permitem-nos concluir que mesmo que estivéssemos presentes no local na altura dos acontecimentos, não teríamos visto qualquer figura divina, mas somente "algo" que poderia ser interpretado como difícil de explicar, ou até miraculoso - como o Sol a bailar, ou uma fonte a brotar misteriosamente. Face a isto, a verdadeira questão pode e deve alterar-se um pouco:

 

Imagine-se que duas pessoas estão no sofá de casa e que, de repente, lhes surge uma figura misteriosa no canto da sala. Ambos a vêem e ambos falam com ela. Ligam a um amigo e ele vai a sua casa, mas não consegue ver nada nesse mesmo canto. Estariam loucos? Estariam a mentir? Ou, talvez mais que tudo, o que teria de acontecer para convencer os três envolvidos que essa figura era bem real, apesar de nem todos a poderem ver?

Procurar a verdade por detrás de milagres como os de Fátima e de Lourdes passa por conseguir responder a essa questão, averiguando os limites das nossas próprias crenças. Algumas pessoas são fáceis de convencer e outras nem tanto; ás primeiras bastariam pequenas provas, para as segundas talvez nem todas as provas deste mundo seriam suficientes. E, por isso, a questão do milagre, mais do que uma questão de fé, é uma questão de intercessão de crenças, e da forma como nos dispomos a acreditar naquilo que os outros nos dizem ter visto, porque pode ser a mais completa verdade para eles, mas algo bem menos certo para nós.

 

Para terminar, como já foi dito acima, face às provas existentes não nos é possível negar que Lúcia dos Santos, Francisco Marto, Jacinta Marto e até Bernadette Soubirous acreditavam ter visto "algo", algo que lhes era difícil de explicar. Mas será que nos basta a palavra deles, para nos levar a acreditar no mesmo? Essa resposta já fica para os leitores...

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