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Mitologia em Português

27 de Setembro, 2020

A mitologia por detrás dos Pokémons

Já cá referimos anteriormente que existe uma mitologia por detrás da criação dos Pokémons. Falámos até do exemplo concreto do mito da Magikarp, que tem a sua origem na China, mas o que dizer das restantes criaturas da série? São agora já quase 900, e gabamos a paciência de quem conseguir dizer o nome de todas elas (ou sequer reconhecer as suas formas individuais), pelo que não nos é possível ir estudar a origem de todas elas. No entanto, podemos falar das clássicas, aquelas primeiras 151 criaturas que ainda são as mais conhecidas. Refira-se, portanto, alguma da mitologia por detrás dos Pokémons de primeira geração:

Para pensar na mitologia dos Pokemons

  • Charmander, Charmeleon, Charizard - baseados nos dragões ocidentais. Porém, a sua cauda reluzente, sempre em fogo, poderá relembrar-nos a Salamandra, uma criatura dos bestiários que era capaz de viver nesse elemento sem se magoar.
  • Clefairy, Clefable - naturalmente baseadas nas fadas das histórias. A segunda delas até tem asinhas!
  • Vulpix, Ninetales - trata-se da raposa das noves caudas do folclore japonês.
  • Oddish, Gloom, Vileplume - baseados na espécie de flores rafflesia arnoldii, que é das maiores do mundo e cheira bastante mal.
  • Meowth, Persian - têm algumas semelhanças com o Maneki-neko do Japão, um pequeno gato a dar a pata que até pode ser visto em algumas lojas em Portugal, e que supostamente dá sorte a quem o tiver.
  • Growlithe, Arcanine - potencialmente baseados nas criaturas mitológicas, um misto de cão e leão, que podem ser vistas à entrada de muitos templos orientais.
  • Ponyta, Rapidash - a segunda destas criaturas tem por base a figura do Unicórnio.
  • Slowpoke, Slowbro - a segunda poderá, também, basear-se na lenda japonesa de uma criatura chamada Sazae-oni, que é um caracol do mar que, tendo chegado aos 30 anos, ganha poderes místicos.
  • Farfetch’d - derivado de uma expressão japonesa, "um pato a aparecer com um alho francês", que significa algo de muito conveniente.
  • Grimer, Muk - o primeiro deles baseia-se na lenda de uma criatura japonesa conhecida como Doratabo, que é um espírito do dono de um campo de arroz que decide voltar ao mundo dos vivos, num misto de carne e de lama, para se vingar de todos aqueles que não têm cuidado do seu antigo campo de cultivo.
  • Drowzee, Hypno - o primeiro é baseado na lenda do Baku.
  • Lickitung - possivelmente baseado na lenda de Akaname, uma criatura que lambe a sujidade existente nas casas de banho. Não para as limpar, somente porque gosta do sabor!
  • Magikarp, Gyarados - já cá falado anteriormente.
  • Lapras - baseado no Monstro de Loch Ness, que dispensa grandes apresentações.

 

Como é fácil compreender por esta lista sucinta, existe mesmo uma mitologia por detrás dos Pokémons, na medida que os criadores destas criaturas ficcionais se basearem, em alguns casos, em criaturas mitológicas e lendárias de todo o mundo para criar os seus bonecos, dando um espírito renovado a ideias que em alguns casos já têm vários séculos. É uma ideia interessante, e que provavelmente terá contribuído para a popularidade de toda esta série de videojogos!

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27 de Setembro, 2020

Promoções Continente, um enorme mito urbano

Hoje falamos das promoções Continente, um famoso mito urbano dos nossos dias de hoje. Nesse sentido, a maior parte das pessoas tende a acreditar que os grandes hipermercados fazem promoções verdadeiras; eles, supostamente e segundo se acredita, compram os produtos a um dado preço, adicionam-lhes uma determinada margem de lucro (que tipicamente costuma ir até 20%), e depois - crê o consumidor comum - existem períodos em que, por uma qualquer razão, lá decidem ser simpáticos com o cliente e baixar essa sua margem de lucro, vendendo um produto a um preço mais barato do que é habitual. Até aqui tudo bem, isto nada teria de mal (bem pelo contrário), não fosse o facto de lojas como o Continente Online estarem a mentir descaradamente aos seus clientes. Vejamos aqui um exemplo bem real deste problema, com que nos deparámos há alguns dias:

Um exemplo de Promoções Continente

Na parte superior da imagem pode ser visto um exemplo de promoções Continente, em que, através de um desconto directo anunciado por eles, os clientes são informados que esta sapateira recheada custava originalmente 7,99€, mas que com um belíssimo desconto de 26% fica só a 5,89€.

Agora, relembre-se que nenhuma loja gosta de perder dinheiro. Nenhuma loja iria vender um produto se não tivesse um cêntimo que fosse a ganhar com isso. Por isso, na parte inferior da imagem podem ser vistos os preços do mesmíssimo produto em três outras lojas do mesmo concelho nacional, para o mesmo período de tempo. Colocados assim, lado a lado, é-nos revelada uma verdade muito inconveniente - o Aldi vendeu (temporariamente) este produto a 5,99€ mas sem qualquer desconto, ou seja, o preço a que o compraram, mais a margem de lucro que essa cadeia de supermercados lhe adicionou, é desse valor específico. Portanto, se forem ao Continente comprar esse produto, estão normalmente a pagar uma margem de lucro de pelo menos 26%, mas eles anunciam essa promoção para encher o olho, sem informar as pessoas que o desconto real, face ao preço de mercado, é de somente 2%. Nada mais, nada menos, que dez cêntimos - grande exemplo de promoções Continente, não é?!

 

Não iremos aqui falar da concertação de preços mais que evidente nas imagens acima, mas existe uma razão pela qual o hipermercado Continente é vulgarmente considerado o mais caro em testes comparativos de Portugal. Isto porque as promoções deste supermercado, como de outros, são um enorme mito urbano dos nossos dias, de que só duvidará quem nunca tiver feito uma comparação desinteressada dos preços de produtos muito específicos, como o que fizemos aqui. E esta, hem?!

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27 de Setembro, 2020

O mito de Sísifo

De entre os que nos chegaram da Antiguidade, é possível que o mito de Sísifo se encontre entre aqueles cujo desfecho é mais famoso, ao ponto da sua punição infindável ter dado, por exemplo, o nome e a ideia a um famoso livro da autoria de Albert Camus. Mas já lá iremos, por agora recorde-se a trama essencial desta história da Mitologia Grega:

O mito de Sísifo e a pedra eterna

Conta-se que Sísifo terá sido um dos maiores espertalhões da Antiguidade, uma espécie de um determinado antigo primeiro ministro português mas há muitos séculos atrás. E, na verdade, dizia-se que ele até se considerava mais sábio e capaz do que o próprio Zeus, o rei dos deuses do Olimpo. Então, depois de uma vida repleta das maiores malfeitorias, cujos contornos e eventos variam de versão para versão, o monarca do Olimpo decidiu que já era altura de alguém punir este rei de Corinto e condenou-o à morte.

Na maior parte dos mitos a trama tenderia a acabar por aqui, mas o caso de Sísifo foi bem diferente. Uma e outra vez, ele foi capaz de escapar das garras da própria morte. Numa das histórias, ele pediu à esposa que não lhe fizesse o devido funeral; assim, quando chegou ao barco de Caronte, como não tinha o óbolo necessário para pagar o cruzamento para o reino dos mortos, teve de voltar para trás (e à vida). Numa outra, quando Tânato (ou Hades, mediante a versão) se preparava para o agrilhoar, o herói enganou-o e prendeu essa divindade, fazendo com que durante várias semanas nenhum ser vivo falecesse. E fez outras maldades como estas... ás tantas, os deuses lá se fartaram e prenderam mesmo este espertalhão, condenando-o para toda a eternidade a levar uma grande pedra para o topo de uma montanha, apenas para rapidamente a ver a cair desse local, obrigando-o a recomeçar todo o trabalho.

 

Como podemos ver através deste pequeno resumo, o grande interesse do mito de Sísifo não passa tanto pelos seus actos em vida - como é muito comum nestas histórias, que vulgarmente terminam com a morte do herói - mas pela forma como, uma e outra vez, foi capaz de iludir o próprio fim da vida humana, levando a que os deuses o condenassem a uma punição completamente original (para outros exemplos, podem ser vistos mitos como os das Danaides, Ixion ou Tício). E, nesse contexto, a sua eterna punição parece fazer muito sentido - condenado a um trabalho que não tem fim, é provável que os deuses tenham pensado que essa tarefa acabaria por vergar a vontade do condenado, mas... segundo Albert Camus, no seu livro Mito de Sísifo, também é possível ver nessa tarefa de completa inutilidade uma espécie de metáfora para a própria vida humana, em que demasiadas vezes repetimos (inutilmente) as mesmas acções sem alguma vez conseguirmos chegar a algum lado. Dá que pensar, não é?

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