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Mitologia em Português

27 de Outubro, 2020

A lenda de La Sayona

A lenda de La Sayona vem-nos da América do Sul, mais particularmente da Venezuela, e se ouvimos bastantes variantes de toda a história, todas elas assentam em dois pontos comuns - que o nome da figura vem de um vestido longo que usa, e que a sua função mitológica é sempre a mesma. Contemos, por isso, o cerne da sua história:

La Sayona

La Sayona tinha originalmente o nome de Casilda, e era uma mulher muito bonita. E, pensava ela, também muito amada pelo seu marido. Mas depois, um dado dia, descobriu que este a andava a trair com outra mulher. Então, movida por uma enorme loucura, matou o marido e a respectiva amante, mas não sem que esta última tivesse uma derradeira oportunidade de a amaldiçoar - assim, Casilda, agora conhecida como La Sayona, ficou eternamente condenada a testar a fidelidade dos homens. Aparece perante eles com um longo vestido branco, com um corpo absolutamente divino, deixa-se seduzir, e depois mata-os, breves momentos antes de atingirem o orgasmo que tanto procuravam.

 

Conforme já dito acima, existem as mais diversas versões de toda esta história, mas todas elas procuram explicar as razões pelas quais a figura conhecida como La Sayona faz a sua tarefa, matando os homens que são infiéis às suas esposas. Nesse sentido, até o grau de culpabilização da jovem Casilda varia - em pelo menos uma das versões, talvez a mais grotesca a que tivemos acesso, a amante do marido da jovem é a própria mãe desta, dando-lhe então mais do que razões para a sua quase inevitável loucura.

Mas, ao mesmo tempo, esta lenda é uma espécie de aviso a todos os homens casados - não se envolvam com outras mulheres, e ainda menos com mulheres que vos pareçam muito atraentes, porque elas podem ser La Sayona disfarçada e estarem mais do que desejosas de vingar a vossa infidelidade! Será que resulta? Será que esta lenda torna os homens mais fiéis? Esse é um aspecto de toda a história que, infelizmente, não conseguimos averiguar, mas é certamente possível que pelo menos alguns homens tenham sentido algum medo, e sido movidos a uma fidelidade adicional...

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27 de Outubro, 2020

O que são os Íncubos e Súcubos?

Entre as muitas criaturas que a humanidade foi imaginando ao longo dos tempos contam-se dois grupos conhecidos como Íncubos e Súcubos. São relativamente parecidos - o primeiro é normalmente do sexo masculino, enquanto que o segundo é feminino - na medida em que até podem ser definidos como duas faces, ou distintas transformações, de uma única criatura demoníaca, que depois adopta sexos diferentes mediante aqueles com quem se cruza.

Íncubos e Súcubos

Nascidos do pensamento da Idade Média, acreditava-se que os Íncubos e Súcubos entravam durante a noite no quarto das pessoas, pela mais completa magia, e muitas vezes sentavam-se em cima de quem dormia, causando-lhes uma impossibilidade de se moverem. Isto poderá parecer estranho, mas quem já tiver sofrido pelo menos um episódio de Paralisia do Sono saberá que em alguns casos se têm visões estranhas, o que poderá ter originado esta crença.

 

Mas, no entanto, não era só isto que se dizia sobre os Íncubos e Súcubos. À medida que a crença foi evoluíndo, passou a acreditar-se também que além de entrarem nos quartos das pessoas, eles tinham relações sexuais - pouco ou nada consensuais - com essas pessoas. E isso explicava, por exemplo, como é que uma mulher que não vê o marido há dois anos tinha engravidado...

Curiosamente, a tradição também diz que os Íncubos e Súcubos não podiam engravidar nem conceber um filho, por se acreditar que não eram seres físicos. Então, o que estes demónios faziam era - e atenção, frise-se que esta ideia é mesmo defendida em escritos da época - transformarem-se em Súcubos, recolherem a semente geradora de um homem, depois adoptarem a forma de um Íncubo, e nessa altura implantarem essa semente geradora numa mulher com a qual, na verdade, esse homem nunca tinha tido sexo. E isto explicava, por exemplo, como é que o filho de uma determinada mulher era muito parecido com o padeiro da aldeia, por muito que ela afiançasse que jamais traiu o marido...

 

Mas, para terminar, como acabaram estas estranhas crenças? Essencialmente, aquando da perseguição às bruxas começou a acreditar-se que um pacto entre uma mulher e o Diabo tinha de ser feito com uma relação sexual carnal, e que os Íncubos e Súcubos tinham, portanto, de fazer parte de todo esse processo místico. Mas depois, quando se decidiu que as bruxas, afinal de contas, provavelmente até nem existiam, existiram um conjunto de crenças que foram sendo abandonadas como completamente inverídicas, entre as quais se contavam uma crença muito maior nestas criaturas demoníacas de que aqui falamos hoje. E, se mesmo hoje em dia as pessoas continuam a ver "coisas" durante os seus episódios de Paralisia do Sono e se referem muitas vezes a elas como "monstros", já pouco pensam nestas duas e estranhas categorias de outros tempos, com as violações por demónios a se terem tornado, hoje, uma excepção exclusiva à mente de pessoas muito perturbadas psicologicamente...

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