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Mitologia em Português

25 de Novembro, 2020

"O Julgamento das vaginas", de autoria desconhecida

Relativamente a este texto, O julgamento das vaginas (sim, é o título original), conforme cá dissemos quando falámos de O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos], existem um conjunto de textos medievais que gozam com muitos dos ideais literários da época. Esta outra produção literária, de autoria desconhecida, é outra fabliau francesa que mantém essa ideia, apresentando-nos não só uma situação muito caricata, mas também um desenrolar de toda a acção igualmente caricato, quase sempre com alguma malandrice. Vejamos:

Um porqueiro medieval

O julgamento das vaginas tem cerca de 166 versos, em que nos apresenta a estranha história de três irmãs que estão muito apaixonadas por um mesmo homem. Todas elas queriam casar com ele, mas só uma o poderia fazer, como é mais que natural. Então, aproximaram-se de um tio, apresentaram-lhe todo o problema por que passavam, e ele prometeu o marido - bem como uma recompensa monetária substancial - àquela que conseguisse responder a uma pequena questão - "Quem nasceu primeiro, a tua vagina ou tu?"

A primeira irmã, confrontada com o problema, respondeu: "A minha vagina é mais velha que eu, porque ela tem uma barba e eu não."

A segunda irmã retorquiu depois: "Sou mais velha, bastante mais, porque ela ainda não tem dentes, mas eu sim."

Já a terceira replicou: "A minha é mais nova, porque eu já deixei de mamar há muito tempo, mas ela está sempre de boca aberta, com sede, e por isso, nessa sua tenra idade, precisa de mamar."

Foi a última dessas três irmãs que acabou por ganhar o prémio, o marido e o dinheiro, mas o autor do poema, cuja identidade já não nos chegou, deixa uma questão adicional para contemplação por parte do ouvinte ou leitor - "Será que o veredicto foi o correcto?"

 

Não sabemos. É uma questão discutível, até porque desconhecemos, na verdade, como foi escolhido o vencedor. Todas as três arguentes têm uma certa razão, mas como pode ter uma mais, ou menos, razão que as restantes já é mais difícil de se compreender. O que nos é fácil perceber, no entanto, é que estes são bons exemplos de um conjunto de piadas, de âmbito sexual, que já existiam na Idade Média, e que também ocorrem em muitos outros exemplos da fabliau medieval. E passaram-se os séculos, sim, mas pequenas brincadeiras como estas ainda fazem rir os mais velhos, tal como na altura em que foram compostas, por ainda preservarem um conjunto de ideias ridículas - algumas mais realistas que outras, claro está - que se mantêm tão actuais como no dia em que primeiro foram postas por escrito. E, por isso, continuamos a rir com elas...

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