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Mitologia em Português

Contar todas as lendas de Portugal poderia parecer-nos uma tarefa bastante difícil, até porque é certo e sabido que novas histórias dessa natureza estão constantemente a ser criadas, até mesmo ainda nos nossos dias de hoje, como a agora-famosa história de Teresa Fidalgo nos deixa compreender. Porém, face a um tal desafio, Teófilo Braga, no segundo volume da sua obra O Povo Portuguez nos seus Costumes, Crenças e Tradições, datada de finais do século XIX, elenca de uma forma muito directa aquelas que considerava serem as maiores e mais significativas lendas de Portugal. São cerca de cinquenta. Infelizmente ele nunca as reconta a todas de uma forma completa*, sendo difícil estabelecer com que contornos mais precisos conhecia cada uma delas, mas a sequência é tão importante e interessante que não poderíamos deixar de a recordar nestas linhas, com ligações directas para aquelas lendas de Portugal que já cá foram sendo faladas:

Todas as lendas de Portugal

  1. Ilhas Encantadas;
  2. Milagre de Ourique;
  3. Pajem Henrique;
  4. Praga de Dona Tareja [ou Teresa];
  5. Fidelidade de Egas Moniz;
  6. Fundação de Lisboa;
  7. Geraldo Sem Pavor;
  8. Gaia;
  9. Moura Saluquia;
  10. Traga-Mouros;
  11. Dama Pé de Cabra;
  12. Egas Moniz Trovador;
  13. O Bispo Negro;
  14. João Soares de Paiva;
  15. A Torre do Sapo;
  16. Tributo das Donzelas ou Guesto Ansures;
  17. Fuas Roupinho;
  18. Martim de Freitas;
  19. O Solar dos Marinhos;
  20. Castelo de Faria;
  21. Dona Branca;
  22. Rainha Santa;
  23. Maria Pais;
  24. Dona Inês de Castro;
  25. Confissão de D. Pedro I;
  26. O Castigo do Bispo;
  27. Roussada de Benfica;
  28. Beato João de Montemor;
  29. Ala dos Namorados;
  30. Doze de Inglaterra;
  31. Preste João das Índias;
  32. Espada do Condestável;
  33. Pegas de Sintra;
  34. Beato Amadeu;
  35. Abóboda da Batalha;
  36. Estátua do Duque de Coimbra;
  37. Morte de Dona Guiomar Coutinho;
  38. Amores de Machim;
  39. Padeira de Aljubarrota;
  40. Estátua da Ilha do Corvo;
  41. Quinto Império (falado em associação com Bandarra e o Padre António Vieira);
  42. Amores de Bernardim Ribeiro;
  43. Anel de Bênção;
  44. Vinda de Dom Sebastião;
  45. Barbas de Dom João de Castro;
  46. Nau Catrineta;
  47. Obras de Santa Engrácia, ou "O Calado é o melhor" (recorde-se que nessa altura a construção da igreja ainda não tinha terminado, pelo que a tese da maldição lendária ainda fazia algum sentido, sendo essa parte da lenda quase esquecida posteriormente);
  48. Pedro Sem.

 

Já cá falámos de algumas delas, como é fácil constatar, mas será que acabaremos por contar todas as lendas de Portugal apresentadas acima, mais cedo ou mais tarde? Nada podemos prometer em relação a isso, pelo menos por agora, mas certamente que podemos ir tentando fazê-lo ao longo do tempo. E, como tal, iremos dedicar este mês dos Santos Populares e de Camões exclusivamente a temas relacionados com o nosso país. Naturalmente que não serão só lendas de Portugal, mas também alguns outros temas relacionados directamente com a cultura nacional... é aguardar para ver!

 

*- Uma anotação na obra original diz que "estas lendas são objecto de um volume que publicaremos em tempo, transcritas na sua redacção mais antiga, com estudos sobre a sua formação". Se essa outra obra, prometida pelo mesmo autor e que seria certamente fascinante, acabou efectivamente por ser publicada não a conseguimos encontrar. Ainda pensámos tratar-se de Contos Tradicionais do Povo Português, mas apenas inclui algumas delas, aparentemente as mais conhecidas. Por isso, se ela foi mesmo publicada e alguém souber de qual se trata, por favor deixe-nos um comentário ou envie-nos um e-mail a propósito do tema!

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A lenda de La Llorona é provavelmente uma das mais famosas da cultura mexicana, mas é relativamente conhecida na cultura ocidental graças a filmes como A Maldição da Mulher Que Chora (no seu original, The Curse of La Llorona). Ademais, teve um impacto significativo na cultura sul-americana, gerando outras lendas, como a de La Sayona na Venezuela, ao ponto de muitas vezes estas figuras se confundirem, como se de uma só se tratassem. Assim, e como é natural, existem muitas versões de toda a sua história, mas iremos contar aqui a mais famosa de todas elas.

A lenda de La Llorona

Conta-se então que uma mulher nativa do México - sobre o seu nome, já lá iremos - se apaixonou por um nobre espanhol. Amavam-se muito, queriam-se ambos muito, mas os pais desse espanhol não consentiram no seu casamento, e então este par de amados decidiu viver juntos sem casar, e acabaram por ter dois filhos. Depois, os anos passaram-se, até que os pais deste nobre lá o conseguiram convencer a contrair um casamento legítimo com uma outra mulher. Infinitamente triste, aquela que um dia o tinha amado, e que agora já não era amada, decidiu matar os seus próprios filhos num curso de água próximo, suicidando-se em seguida, entre lágrimas sem fim. E agora, em virtude dessas suas acções (a razão mais concreta depende de versão para versão), assombra o mundo dos vivos, matando também os filhos de outras mulheres.

 

Antes de se comentar brevemente toda esta história, há um ponto que convém explicar - quem eram, na verdade, este par de amados? A lenda nem sempre refere os seus nomes, mas numa das versões mais curiosas a que tivemos acesso eles são apresentados como Hernán Cortés e uma mulher que ficou conhecida popularmente como La Malinche, e que o ajudou na conquista do México. É curioso notar que a história de ambos até apresenta algumas semelhanças com a lenda - Cortés teve filhos dela, mas foi casado legitimamente com duas espanholas, Catalina Suárez e Juana de Zúñiga... por isso, esse caso (real) poderá ter sido uma inspiração para toda esta lenda, que posteriormente foi alterada para dar um novo contexto e significado a todos os acontecimentos; é possível que, originalmente, La Llorona tivesse chorado não por perder este amor de um homem, ou mesmo por matar os seus filhos (o que La Malinche não fez, na realidade), mas por ter traído o país que a viu nascer, gerando até o adjectivo malinchista!

 

Volte-se agora à propria lenda de La Llorona. A ideia por detrás dela não é propriamente nova - recordem-se os casos de Gello, de Medeia, de Lilith, entre muitos outros - e apresenta, como é comum em muitas outras culturas pelo mundo fora, a ideia de uma mãe que, ao ter perdido os seus próprios filhos, agora causa um sofrimento semelhante em todas aquelas que partilham o seu estatuto. As razões para tal não são completamente claras na versão da lenda que recontámos acima, mas outras tornam o seu objectivo mais claro - ou ela sente inveja das mulheres que ainda têm os seus filhos vivos; ou mata-os porque, agora completamente insana na sua tristeza, os confunde com os seus próprios, e pensa que ainda estão vivos, desejando-lhes então uma nova morte.

Em qualquer dos casos, na sua forma actual La Llorona é, essencialmente, uma figura muito usada para recomendar às crianças que evitem cursos de água durante a noite. Foi assim que primeiro a conhecemos, no México e através de uma idosa mexicana, mas também é uma ideia que ocorre em muitas outras culturas pelo mundo fora, e.g. recorde-se o caso do Kappa nipónico.

 

Finalmente, se existe uma canção mexicana muito famosa, "La Llorona" (um exemplo pode ser ouvido aqui), há que frisar que ela não se refere concretamente a esta lenda, mas sim a uma mulher que chora pelo facto do seu amado ir para a guerra. Se esse evento se refere a uma outra versão desta lenda, é algo que deixamos à consideração de quem ler estas linhas...

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A lenda de Bigfoot, também conhecido como o Pé Grande (ou Sasquatch, na língua dos nativos americanos), deve aqui ser apresentada no contexto da anterior, a do Jersey Devil, em que brincávamos um pouco com a situação ao apontar que as imagens de criaturas como essas - ou até de outras, como as fotografias de extraterrestres - são quase sempre desfocadas. Assim, achámos que poderíamos aqui apresentar aquela criatura que pode ser vista como o grande rei, ou rainha, das fotografias e vídeos desfocados.

A lenda de Bigfoot

Diz-se então que o Bigfoot, conhecido no Canadá como Sasquatch e entre nós como Pé Grande (o nome foi-lhe dado em virtude de deixar pegadas tamanho XXL nos locais por onde passa), é uma criatura potencialmente simiesca que vive nas florestas dos Estados Unidos da América. A ideia não é nova, já existia nos mitos e lendas locais no tempo dos nativos americanos, fazendo-nos acreditar que até se poderá tratar de uma espécie local, mas o que a tornou especialmente popular foi um pequeno vídeo que foi gravado, diz-se que por puro acidente, em 1967, e que aqui reproduzimos numa forma melhorada:

O que vêem aqui? Um ser desconhecido? Um homem num fato de gorila? Algo completamente distinto? É, na verdade, precisamente nisso que consiste a lenda de Bigfoot dos nossos dias. Não se reporta a um evento específico, ou a uma história com príncipio, meio e fim, mas sim à grande ideia de que poderá existir uma estranha criatura a viver nos bosques locais. Será, então, mesmo uma lenda, um mito, ou uma ficção criada para fomentar o turismo em dadas regiões? Pense-se nisso. Um amigo vosso diz que viu uma coisa estranhíssima na floresta, mas apesar das centenas de fotografias bonitas nas redes sociais, em apoio do que viu tem apenas um vídeo e/ou imagens desfocadas. Acreditavam nele? Tinham algum cepticismo? Ou, como São Tomé, só acreditavam se tivessem visto tudo isso com os vossos próprios olhos?

 

Na verdade, não existem quaisquer provas reais, e completamente indisputáveis, da existência de Bigfoot, o Pé Grande. Como no caso da outra figura lendária de que cá falámos há alguns dias, o que existem, isso sim, são muitas teorias sobre a possível existência desta criatura. Por exemplo, uma das mais estranhas diz que os seres desta espécie se movem num espaço interdimensional, sendo por isso impossíveis de encontrar além daqueles breves momentos em que se materializam no nosso plano existencial. Será verdade? Como em tudo o que se reporta a esta criatura, é uma mera questão de demasiadas opiniões e muito poucos factos reais. Se acreditam, ou não, só depende mesmo de vocês...

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Existem lendas americanas pouco conhecidas nos países lusófonos, e a do Jersey Devil - ou, em Português, o Demónio de Jersey - é uma particularmente curiosa, por nos preservar um conjunto de temas que é mais típico dos mitos e lendas europeus. Se, por exemplo, nos mitos e lendas de Portugal se acreditou, em outros tempos, que um Lobisomem nascia quando uma mulher tinha sete filhos (seguidos) do sexo masculino, essa ligação ao Diabo, a um número simbólico e à feitiçaria é tipicamente europeu, mas também ocorre nesta lenda.

A lenda do Jersey Devil

O que nos diz, então, a lenda do Jersey Devil? Na sua versão mais famosa, conta-se que no estado americano da Nova Jérsia, na primeira metade do século XVIII,  viveu uma mulher chamada Jane Leeds. Se outros lhe dão o nome de Deborah Leeds, o que sabemos - sem qualquer dúvida - é que esta mulher existiu mesmo e teve pelo menos 12 filhos. O que se segue é que é menos certo!

Um dia, esta Senhora Leeds descobriu que estava novamente grávida. Plenamente cansada e em evidente choque (imaginem-se a cuidar de 12 filhos e facilmente entenderão a dor desta mãe!), disse algo como "ele que vá é para o Diabo" ou "este míudo vai ser o diabo". Passaram-se então os meses naturais de uma gravidez, e esta senhora deu à luz um belo filho, apenas para depois o ver rapidamente transformar-se numa estranha criatura, uma espécie de cabra com asas de morcego, fugiu pela chaminé da casa e nunca mais foi vista pelos seus pais. Alguns dizem que ela tende a chupar o sangue dos animais, confundindo-se até um pouco em alguns relatos com o Chupa-cabra, mas há que frisar que esse elemento não é constante nas suas lendas.

 

Onde começa e acaba a verdade em toda esta história? Sabemos, com todas as certezas, que na época em questão uma Senhora Leeds viveu na área e, conforme já foi dito, tinha mesmo 12 filhos - não sabemos é se alguma vez lhe nasceu um décimo-terceiro. Sabemos igualmente que o seu marido, um tal Daniel Leeds, tinha um grande - e perigoso, no contexto da época - interesse no Oculto, publicando literatura em que estava contido o brasão da família, onde pode ser vista uma criatura lendária:

A possível origem do Demónio de Jersey

É provável que tenham sido estas as razões - o facto da sua esposa ter quase 13 filhos, o interesse do seu marido no Oculto, e a coincidência do brasão (onde um público menos habituado a essas coisas pode ver algo de intrigante) - que levaram à lenda por detrás desta estranha criatura, também conhecida como o Demónio de Leeds. Mas, ainda assim, toda a história do Jersey Devil ainda persiste - na imagem ali em cima ele até pode ser visto numa fotografia, tipicamente desfocada, já do século XXI - e quem passa por esse Estado dos EUA algumas vezes até argumenta que o viu (mas ou não teve oportunidade de o fotografar, ou fê-lo imperativamente em fotografias desfocadas). Ou seja, que viu uma criatura que, a acreditar-se em toda a lenda, teria agora mais de 200 anos de idade.

 

É esse, talvez, o maior problema de toda esta lenda. Quer lhe chamemos Jersey Devil, Demónio de Jersey ou Demónio de Leeds, nenhuma das versões que lemos o trata como uma espécie animal, mas somente como uma criatura puramente nascida por influência diabólica. E a acreditarmos nisso, que mais se torna impossível? Se esta criatura é mesmo um vestígio do Oculto de outros tempos, e se existe mesmo, e se é imortal, seria uma enormíssima descoberta para a Ciência, mas em vez disso só pode ser vista em vídeos e fotografias convenientemente desfocados... curioso, não é?

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Apesar do seu nome, há que deixar claro que a lenda de Fílis e Aristóteles cavalgado tem uma origem medieval, existindo numa forma escrita pelo menos desde inícios do século XIII. Não temos forma de saber quando foi criada, mas também não conseguimos encontrar qualquer prova real de que já existisse nos tempos da Antiguidade. Assim, quase certamente que se trata de uma invenção medieval, destinada a demonstrar de uma forma muito misógina o carácter nefasto das mulheres, como acontece em muitas outras histórias da época (ainda recentemente aqui apresentámos outro exemplo), mas que merece ser recontada por cá face à sua popularidade no medievo europeu e sua ligação evidente com os temas da Grécia Antiga:

A lenda de Fílis e Aristóteles cavalgado

Alexandre Magno era aluno de Aristóteles, mas Fílis - cuja identidade precisa nem sempre é muito clara - queria afastá-los. Assim, fez com que o famoso filósofo se apaixonasse por ela, pedindo-lhe depois uma prova do seu amor. Completamente apaixonado, este dispôs-se a fazer tudo o que a amada lhe pedisse, e então esta quis cavalgá-lo, num sentido que parece ter sido puramente literal. Ele aceitou o estranho pedido, e face ao ridículo de toda esta situação, de ver Fílis e Aristóteles cavalgado (atente-se à presença do jovem no interior de um castelo, na imagem acima), a personagem feminina foi capaz de mostrar a Alexandre Magno que... bem, a moral de toda a história parece divergir mediante a versão, mas tipicamente é comunicado que o poder da Filosofia nada conseguia contra os esquemas malévolos e manipuladores das mulheres, tão constantes em muitas outras obras e lendas da Idade Média. Por isso, dizia esta malévola figura ao jovem, estudar Filosofia era completamente inútil!

 

Claro que este já não é o Aristóteles da Antiguidade, aquele famoso autor de obras filosóficas, mas em pelo menos uma das versões que consultámos ele até acaba por dar a volta a toda esta estranha situação, aproveitando para ensinar a Alexandre Magno que a Filosofia também passava por se saber escolher os actos da nossa vida, pesando-os pelas consequências, neste caso aceitando ridicularizar-se somente para poder aproveitar os encantos do corpo de Fílis.

 

Na verdade, toda esta ideia de reutilizar temas e personagens da Antiguidade em novos contextos é uma característica relativamente comum da literatura medieval. Basta ter-se em conta, por exemplo, as adaptações aos Ciclos Troiano e Tebano feitas nessa época, ou a forma como obras como Orlando Enamorado ou o Livro do Armeiro-Mor pegaram em mitos antigos e os readaptaram para novas audiências. Nesse sentido, as figuras desta lenda de Fílis e Aristóteles cavalgado são como que meros fantasmas de outros tempos, cujos nomes subsistem mas cujo espírito original já há muito tinha sido perdido. Bastaria substituir-se os nomes das personagens por outros com o mesmo espírito e tudo o resto poderia ser mantido nesta história. Mas, ainda assim, numa dada altura esta lenda foi famosa por toda a Europa, e até chega a aparecer em alguns manuscritos nacionais...

 

[P.S.- Na semana que vem iremos cá apresentar três famosos mitos do continente americano.]

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