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Mitologia em Português

Um exemplo de óstraco com fragmento da história

A História de Sinué é um texto egípcio com cerca de 3800 anos, que nos chegou em fragmentos como aqueles representados na imagem acima. Conta-nos, sob a forma de algo que poderíamos descrever como um brevíssimo poema épico (tem apenas cerca de 311 versos na versão a que tivemos acesso), alguns fragmentos da vida adulta do homem que lhe deu o título.

 

A história começa contando como Sinué, assustado com a notícia da morte do monarca dos seus dias, fugiu do Egipto e passou vários anos a servir um outro rei. E serviu-o bem, sem qualquer dúvida. Foi tendo vários filhos, venceu opositores muito fortes, mas nunca deixou de querer voltar à terra que o viu nascer. E quando, já velho, acabou por fazê-lo, foi até muito bem recebido de volta.

 

Esta História de Sinué é, como pode ser visto pelo breve resumo acima, uma que tem uma trama bastante simples. Não contém nada de muito implausível, não apresenta qualquer episódio estritamente mitológico, sendo até possível que se tenha tratado de uma história completamente real, cuja grande popularidade conseguiu fazer chegar até aos nossos dias. Agora, cabe apenas a cada um de nós decidir se iremos lê-la, ou não...

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Na religião do Antigo Egipto muitas eram as coisas que tomavam lugar após a morte, entre elas uma confissão negativa - mas já lá iremos! A pesagem da ka (ou do coração) de um defunto, que não poderia exceder o peso de uma pena divina, é provavelmente uma das mais famosas para os leitores comuns, mas evidentemente que não era a única.

De facto, uma das mais interessantes era o defunto ter de passar por um período em que fazia uma "confissão negativa" dos seus erros, ou seja, contrariamente ao que fazemos hoje, em que na religião de Jesus Cristo vamos a um padre e dizemos o que fizemos de mal, este processo passava por declarar, de uma espécie de lista, um conjunto de erros dos quais não somos culpados. No Papiro de Ani estas eram 42 cláusulas, que deveriam ser declaradas a Maat, deusa da justiça. Mas em que consistiam?

 

No seu âmago, passavam por negar roubos, violência (assassinatos, etc.), a disseminação de más palavras (mentiras, feitiços, enganos, difamações, etc.), ou traições amorosas. Mas entre elas também se contavam afirmações mais inesperadas, como "não fiz ninguém chorar", "não comi corações", "não escutei o que não devia", "não me zanguei sem razão", "não actuei com pressa indevida", "não falei demais", "não falei alto demais" ou "não fui arrogante".

 

Curioso é o facto de estas afirmações terem alguma semelhança com os "10 Mandamentos" do Judaísmo e do Cristianismo, não só pela forma negativa de algumas cláusulas ("Não matarás", "não matarás", "não cobiçarás a mulher alheia", etc.), mas pela própria natureza dos seus conteúdos. Até podem ter uma enorme divergência - as recomendações dos mandamentos, antes dos factos ocorrerem versus a confissão dos mesmos, após tomarem lugar - mas é provável, até tendo em conta toda a história de Moisés, que estas regras judaicas se tenham baseado, de alguma forma, em conteúdos egípcios pré-existentes.

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Apófis e o sol

Os mitos do Egipto chegaram-nos quase sempre de uma forma fragmentária, e o mito de Apófis é um bom exemplo disso mesmo, já que sabemos alguns elementos gerais sobre esta figura, mas de uma forma que também nos deixa diversas interrogações.

Sabemos que Apófis, também conhecido como Apep, era nestes mitos dos Egípcios uma enorme serpente que combatia Rá, a divindade solar, acabando por devorá-lo ao final de cada dia. Na manhã seguinte, Rá vencia-a e acabava por matá-la, emergindo da barriga do monstro, apenas para o ver ressuscitar algumas horas mais tarde, num ciclo eterno e que se repetia, sempre sem cessar, dia após dia.

 

Assim, apesar de simples, este é um daqueles mitos que servia claramente para explicar a existência do dia e da noite, da luz e das trevas, naquela que é provavelmente a mais famosa de todas as dualidades. Mas, ao mesmo tempo, deixa questões por responder - por exemplo, se era tão fácil aos deuses pura e simplesmente voltarem à vida, como explicar o caso de Osíris? Talvez pelo facto dos mitos do Egipto se terem prolongado ao longo de infindáveis séculos, dando-lhes menos consistência do que esperaríamos? É possível, porque dificilmente eles continuariam a acreditar em Apófis século após século...

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Qualquer pessoa que conheça as histórias do Antigo Testamento estará bem familiarizado com a sequência de eventos que liga um faraó do Egipto a Moisés, e a forma como através da influência do profecta o povo judaico foi libertado da sua grande escravidão (depois deambulando no deserto por 40 anos, mas isso já é aqui secundário). Porém, poucos parecem interrogar-se sobre a identidade do monarca, quase como se o considerassem uma figura puramente mítica. Mas será que o é? Ou, em caso negativo, quem foi o faraó do Egipto que aparece na história de Moisés?

 

Não existem provas indisputáveis seja para o afirmar ou negar, mas sabe-se que o Egipto teve, famosamente, um monarca monoteísta, Akhenaten. Sobre ele existem diversas opiniões na literatura - alguns afirmam que ele teria sido o próprio Moisés; outros, que a figura cristã podia ter sido o seu irmão Tutmose (o texto afirma que as duas figuras foram criadas "como irmãos"), que desapareceu dos registos; e até existem aquele que afirmam que Moisés poderá ter sido um sacerdote desse mesmo culto monoteísta que, posteriormente, foi expulso do Egipto. Não temos forma de saber se estas teorias vão além disso, de meras hipóteses, mas não deixa de ser curioso que o Antigo Egipto tenha tido um único faraó monoteísta, cujo culto quase que nasceu e morreu com ele. É invulgar, demasiado invulgar para se poder acreditar que isso aconteceu apenas "porque sim". Por isso, se a história de Moisés tem um fundo de verdade, faz todo o sentido que ela seja ligada ao culto (solar, relembre-se!) originado por Akhenaten.

 

Que opiniões têm sobre o tema?

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São poucos os mitos gregos que abordam o tema de uma possível transexualidade, mas mesmo dentro desse tema o de Ifis é provavelmente o menos conhecido.

 

Conta-nos Ovídio que Ligdo não queria ter um filho, pelo que quando a sua esposa engravidou este lhe ordenou que caso desse à luz uma menina deveria matá-la. Como qualquer mulher Teletusa ficou em pleno desespero, mas alguns deuses egípcios surgiram-lhe num sonho e pediram-lhe que criasse a criança, já que eles fariam com que tudo corresse bem.É evidente que esta futura mãe seguiu as indicações divinas.

Vários anos mais tarde, quando a jovem Ifis [atente-se no nome masculino] se preparava para casar, também o seu estado de desespero a levou a dirigir-se aos deuses, num lamento curiosíssimo reproduzido pelo poeta latino. Foi Isis que a transformou num homem, permitindo o casamento, mas o mito pouco mais nos diz sobre a vida desta figura.

 

A presença de diversas divindades egípcias tornam este um mito curioso. É provável que o poeta só o conhecesse em segunda mão, até pelo facto de muitas perguntas ficarem por responder, dando uma sensação de se tratar de uma rescrita. Nenhum outro autor menciona este mito, nem sabemos se Ifis estava totalmente de acordo com esta metamorfose (amaria ela a sua futura esposa? Não é totalmente claro), mas existem várias outros mitos em que mulheres eram transformadas em homens, de que o caso de Ceneia/Ceneu é o mais famoso.

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fonte
As religiões, no seu geral, têm muitos fundamentos semelhantes. Cada uma é válida para os seus seguidores, mas o que aconteceria se, como neste pequeno comic, quando chegássemos ao outro mundo lá estivesse uma religião tão desaparecida como a do Antigo Egipto? Fica a ideia.

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