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Mitologia em Português

Manuscrito aleatório

Este pequeno mito, ou lenda, já só nos chegou numa versão cristã, o que, curiosamente, aqui ainda contribui mais para o seu interesse.

 

Eric decidiu ir procurar o mítico Údáinsakr, uma espécie de paraíso terreno. Nessa sua busca acabou por chegar a Constantinopla, onde pôs algumas questões ao rei local [o Imperador?] e se converteu à religião cristã. Ainda assim, decidiu que a sua viagem ainda não tinha terminado e continuou a procurar o seu objectivo inicial em terras da Índia. Acabou por encontrar uma enorme serpente, e quando a atacou foi transportado, miraculosamente, para o local que procurava. Depois de constatar os prodígios que aí existiam, falou com um anjo, que lhe revelou que por muito fantástico que o local fosse, o Paraíso do Deus cristão ainda era melhor. Eric decidiu então voltar a casa, para poder contar aos outros tudo aquilo que tinha visto.

 

O mais curioso de toda esta história é, sem qualquer dúvida, a forma como as crenças ditas pagãs e as cristãs se intersectam, mas de uma forma que as segundas se apresentem sempre como superiores às primeiras. A forma como a trama está estruturada leva-nos a crer que foi composta para uma audiência pagã, prestes a ser ensinada nos preceitos da fé cristã (uma introdução para a qual as perguntas feitas ao rei de Constantinopla até são perfeitas), devendo estes ficar com a ideia final de que as suas antigas crenças nada ficavam a dever às da nova religião - face a isso, seria absurdo não se converterem, e é até provável que muitos o tenham feito!

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O mito de Ratatosk fala-nos de um esquilo que nos mitos nórdicos tem a tarefa de transportar mensagens entre uma águia, que vivia no topo da árvore Yggdrasil, e o dragão/cobra Nidhogg, que vivia entre as raízes do mesmo local. Pouco mais nos é contado sobre esta criatura mitológica, mas merece ser referida aqui por ser um dos poucos esquilos existentes em mitos europeus (para quem estiver curioso, o mesmo animal também aparece em diversos mitos da América do Norte). Presume-se, ainda assim, que na sua forma original Ratatosk tenha sido muito menos fofinho do que o representado na imagem acima, que provém de um jogo de computador dos nossos dias, mas que serve bem para ilustrar a sua importância continuada mesmo nos nossos dias.

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Na Edda Poética, de que aqui falámos há alguns dias, surgem os seguintes versos:

 

A árvore Yggdrasil

É a melhor das árvores.

Skithblathnir é o melhor navio,

Odin o melhor deus,

Sleipnir o melhor cavalo,

Bifrost a melhor ponte,

Bragi o melhor poeta,

Habrok o melhor falcão,

Garm o melhor cão.

 

A existência de uma lista desta natureza, de valor canónico, levanta questões. Se faz todo o sentido que a gigantesca árvore seja a melhor do seu reino, que um navio pertencente aos deuses seja fantástico, que um cavalo de oito patas tenha especial valor, ou que o deus da poesia seja o melhor na sua arte, como escolher o melhor deus, a melhor ponte, ou o melhor de dois outros animais? Que critérios terão existido? Serão eles objectivos ou, como no caso de Habrok (em relação ao qual quase nada sabemos), dever-se-ão somente a tradições já há muito esquecidas? Fica a questão - como definir "os melhores" em alguma coisa?

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O Gleipnir do mito

Sucintamente, nos mitos nórdicos Gleipnir era uma espécie de trela que prendia o lobo Fenrir (visto acima já agrilhoado), até ao momento do fim dos tempos. É esse o significado da palavra Gleipnir, e isto absolutamente nada teria de especial, nem sequer seria mencionado por cá, não fossem os estranhos ingredientes com que ela foi construída:

 

  • O som da queda de um gato;
  • A barba de uma mulher;
  • As raízes de uma montanha;
  • Os nervos de um urso;
  • A respiração de um peixe;
  • O cuspo de uma ave.

 

A dificuldade de arranjar todos estes ingredientes até é parcialmente gozada no Gylfaginning, dando-nos a entender a falta de realismo de todos estes pedidos, mas acaba por ser mesmo esse aspecto invulgar que merece referência aqui. Se a barba de uma mulher, ou os nervos de um urso, nem são hoje assim tão difíceis de arranjar, fica aqui um pequeno convite aos leitores - como conseguiriam arranjar os restantes ingredientes? Alguma ideia?

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Baldur, também conhecido como Baldr ou Balder, poderá até ser um dos deuses mais famosos do panteão da Mitologia Nórdica, na medida que a sua morte acabou, de alguma forma que não é muito explícita, por levar ao Ragnarök, o fim do mundo. Mas como morreu este deus Baldur?

 

A história começa com Baldur a ter um conjunto de sonhos alusivos à sua própria morte. Assustado com essa possibilidade, confrontou os outros deuses com o que se passava e estes fizeram com que (quase) tudo o que existia prometesse não magoar este deus. Depois, de uma forma que devemos considerar hoje um pouco absurda, juntaram-se todos e, numa espécie de brincadeira festiva, decidiram atirar coisas a Baldur, já que este não poderia vir a sofrer qualquer mal.

 

Entretanto, o traiçoeiro Loki investigou tudo isto e acabou por descobrir uma pequena falha nas promessas dos seres vivos - uma pequeníssima planta, o visco [mais conhecida entre nós pelo seu nome inglês, "mistletoe"], nada tinha prometido, por parecer demasiado inofensiva. De uma forma dificil de perceber, este deus fez então uma lança com essa planta e entregou-a a Hoder, o cego irmão de Baldur, para que este a atirasse, tal como os outros deuses estavam a fazer. Quando o fez, matou, acidentalmente, o próprio irmão.

Mas a história não termina por aqui. Dirigindo-se à deusa dos mortos, Hel, Odin pediu que Baldur fosse trazido de volta ao mundo dos vivos. Esta aceitou o pedido, pondo apenas uma pequena condição - todos os seres vivos teriam de chorar pelo deus. E (quase) todos o fizeram, salvo uma única excepção, a de uma velhota que pareceu preferir afastar-se de todo o assunto (mas que até poderá ter sido Loki disfarçado). Por isso, Baldur iria continuar morto.

A morte de Baldur

Este mito nórdico apresenta-nos algo de muito invulgar, a morte de um deus, episódio sem paralelo nos mitos dos gregos e romanos. De facto, a trama até nos permite compreender um conjunto de características dos deuses nórdicos, entre elas a sua mortalidade, o facto de não serem omnipotentes nem omniscientes, mas, talvez mais que tudo o resto, o facto de serem tão falíveis e imperfeitos como os próprios mortais. Posteriormente, até acabarão por se vingar de Loki, mas essa é uma espécie de sequela deste mito que ficará para outro dia.

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Aqui fica um outro vídeo, em Inglês, este sobre diversos mitos nórdicos.

(Legendas automáticas para o vídeo podem ser activadas clicando na roda dentada)

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Aqui fica uma interessante imagem que bem sumaria os mitos nórdicos e as interrelações entre os seus diversos deuses.

Genealogia dos mitos nórdicos

 

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