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Mitologia em Português

11 de Maio, 2021

A lenda de São Cassiano de Ímola

Esta lenda de São Cassiano de Ímola surgiu-nos na sequência da associada a São Vicente, de que cá falámos há algumas semanas. A mesma obra de Prudêncio (século IV) que nos serviu de base para essa outra lenda contém muitos outros relatos de martírios, pelo que nesta semana de Nossa Senhora de Fátima achámos que poderíamos recordar três deles, aqueles que nos pareceram mais invulgares e interessantes para os leitores. E, nesse sentido, o martírio de São Cassiano de Ímola é talvez um dos mais estonteantes apresentados na obra em questão.

São Cassiano de Ímola

Sobre ele, é-nos dito que era professor, usando essa profissão para ensinar o Cristianismo a alguns dos seus alunos sem dar muito nas vistas. Depois, quando Juliano [o Apóstata] se tornou imperador, este homem foi acusado de ser cristão, e foi-lhe proposto que sacrificasse aos deuses pagãos. Ele rejeitou, como é comum em todas estas histórias da época, mas o que aconteceu em seguida foi curiosamente único - em vez de ser torturado pelos Romanos, como em muitos outros casos, este futuro mártir foi pura e simplesmente entregue aos seus alunos, para fazerem dele o que assim desejassem.

Presume-se que tenha sido entregue a alunos não-cristãos, ou toda esta trama se tornaria ainda mais estranha... mas então, aberta a possibilidade de se vingarem dos muitos TPCs e castigos por que tinham passado ao longo dos anos, os petizes que antes tinham sido alunos de Cassiano de Ímola ataram-no a uma coluna, deram-lhe dezenas de golpes com paus, e depois feriram-no até à morte com os mesmos instrumentos com que tinham tantas vezes sido obrigados a escrever.

 

Não sabemos até que ponto toda esta lenda de São Cassiano de Ímola terá um fundo de verdade, mas o seu acaba por ser provavelmente um dos mais estranhos martírios da Antiguidade, quanto mais não seja pela forma como isenta os Romanos de culpas na sua morte. Quer dizer, é provável que as crianças que o mataram fossem todas elas pagãs e filhas de cidadãos de Roma, mas não nos conseguimos recordar de nenhum outro conjunto de aflições tão singular como este, ao ponto de nunca o termos visto representado em qualquer igreja nacional... talvez só exista mesmo na região de Ímola, em Itália? É provável que sim, já que seria estranho explicar, de uma forma mais descontextualizada, a presença de um santo mártir numa representação como a mostrada ali em cima...

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