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Mitologia em Português

20 de Agosto, 2020

A lenda do Papa Judeu

A lenda do Papa Judeu merece ser contada por cá em virtude do facto de levantar algumas questões curiosas. Claro que, por definição, um papa terá de ser católico, terá de ter professado uma vida religiosa, e mesmo em casos estranhos, como o da Papisa Joana ou do Bispo Negro, essa educação religiosa teve de existir. Mas então, qual é o seu limite? Poderá um antigo Judeu aceder ao trono papal?

A lenda do Papa Judeu

A lenda do Papa Judeu, que vem da Idade Média, conta-nos que numa dada altura o filho de um rabi (um chefe religioso de uma comunidade judaica) foi raptado por uma empregada cristã. Posteriormente foi aprendendo mais e mais da religião católica, até que se tornou religioso e foi ascendendo de posição na Igreja até que acabou por se tornar papa. Então, já desse topo do trono papal, começou a interrogar-se sobre as origens da sua família, acabando por descobrir que tinha raptado de uma família judaica. O seu pai foi então chamado, e foi - segundo as versões mais curiosas que encontrámos - capaz de o reconhecer durante um jogo de xadrez, instando-o depois a juntar-se àquela que considerava ser a verdadeira religião, o Judaísmo. Dias depois, este Papa - cujo nome a história não parece preservar - chamou todos os maiores dignatários, subiu a uma torre, abandonou a fé cristã e proclamou a sua fé judaica. Em seguida suicidou-se, atirando-se do local.

 

Claro que esta lenda do Papa Judeu é apenas isso mesmo, uma lenda. Provavelmente nem terá um fundo de verdade - desconhecemos a história de algum papa que se tenha suicidado como estas linhas nos dizem - mas é uma de muitas histórias judaicas criadas na Idade Média e que normalmente exaltam essa religião face ao Cristianismo. Se, como a trama desta lenda nos diz e como também devemos inferir, até um papa consegue ver a suposta falsidade da religião católica, como seria possível que os seus crentes não a vissem também? É uma questão que a história, com quase 1000 anos, nos deixa em aberto, mas para os seus leitores originais - quase sempre Judeus, porque ela aparece em livros de histórias judaicas - a resposta teria sido óbvia, exaltando a religião judaica face à sua congénere cristã.

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