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Mitologia em Português

05 de Novembro, 2021

Lendas de Diógenes o Cínico

Como apresentar Diógenes o Cínico, famoso filósofo de Sinope, a quem ainda não o conheça? Não é tarefa fácil... talvez explicando que foi ele a origem da corrente filosófica do Cinismo, e que esta obteve o seu nome pelo facto de este seu fundador desprezar todas as conveniências sociais, vivendo em plena rua, dentro de um barril, juntamente com os cães abandonados do seu tempo. E se isto nos pode parecer um tanto ou quanto estranho, são muitas as fontes literárias que atestam que ele existiu, mas que também lhe associam um conjunto de histórias breves que, de um modo muito geral, poderíamos designar por lendas.

Lendas de Diógenes o Cínico

Na imagem acima, por exemplo, podemos ver Diógenes o Cínico acompanhado por um cão, pelas razões já explicadas, mas também com uma lanterna na mão. Isto porque se diz que um dia andou pelo mercado de uma cidade assim mesmo, em pleno dia; quando lhe perguntaram porque o fazia, respondeu apenas que andava em busca de uma pessoa honesta - devendo inferir-se que num mercado, uma não poderia ser encontrada nem com todas as ajudas do mundo.

Outro relato diz-nos que quando Alexandre Magno, visitando a cidade de Sinope, quis conhecê-lo, Diógenes o Cínico se encontrava em pleno descanso, a aproveitar o calor do sol. Face a tal, Alexandre apresentou-se-lhe e disse que lhe daria tudo o que ele quisesse; em retorno, o filósofo apenas lhe respondeu que se afastasse, pois estava a tapar o sol. Estupefacto, o conquistador revelou depois a um amigo algo de inesperado - "Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes."

Uma terceira história reporta que numa dada altura da sua vida esta figura possuía uma pequena taça de barro, que utilizava para beber água de uma fonte, até que um dia viu uma criança a beber desse local, fazendo "conchinha" com as suas mãos. Reconhecendo a inesperada sabedoria do menino, descartou a sua taça, para não mais tornar a utilizá-la.

 

Existem muitas mais lendas associadas a Diógenes o Cínico, mas talvez uma das menos conhecidas seja uma que provém das obras de Galeno. Aí, o médico grego conta-nos que este filósofo foi um dia visitar um homem riquíssimo, que tinha em sua casa tudo do bom e do melhor. Porém, este era também um homem profundamente inculto. Assim, quando o herói das linhas de hoje sentiu necessidade de cuspir, vendo toda aquela casa tão gloriosa, decidiu cuspir para o local que lhe pareceu ter menos valor - a própria cabeça do homem que visitava, que era tão rico em dinheiro mas muitíssimo pobre em sabedoria.

 

Podíamos aqui contar até muitas outras lendas sobre este Diógenes de Sinope - elas estão espalhadas pelas mais diversas obras gregas e latinas da Antiguidade, além de aparecerem na famosa obra histórica de Diógenes Laércio, e de lhe terem sido associadas diversas aventuras apócrifas em obras tardias - mas, por agora, estas terão de chegar, até porque são as mais conhecidas e que melhor representam o espírito da figura da Antiguidade Clássica.

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