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Mitologia em Português

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O destino das armas de Heitor e a obra "Orlando Enamorado"

A morte de Heitor

Se o grande apogeu da Ilíada é o confronto de Aquiles com Heitor, nesse mesmo episódio há uma pergunta que fica por responder - o que aconteceu ás armas do filho de Príamo? Parece natural que, inicialmente, Aquiles as tenha tomado para si próprio mas, como em muitos outros episódios semelhantes, nada de muito conclusivo nos é dito sobre isso.

 

A questão poderia ficar automaticamente por aqui, mas ao lermos Orlando Enamorado, de Matteo Maria Boiardo, encontrámos uma referência muito curiosa a este tema. Nela é dito que o equipamento guerreiro de Heitor foi separado, indo a espada para um lado e os restantes elementos para outro, acabado a primeira por se tornar a espada do herói Orlando. Já a armadura, essa, foi passando de mão em mão até ir parar a um dos heróis da história italiana.

 

Mas de onde vem toda essa história? Estaria Boiardo a apoiar-se em mitos gregos ou latinos agora desconhecidos para nós? Dificilmente - em diversas outras fontes, à espada de Orlando (também conhecido como Rolando), conhecida por Durandal ou Durindana, é dada uma origem muito mais comum, sendo quase exclusivamente dito que pertenceu a Carlos Magno.

Porém, esta associação de romances medievais com determinados elementos dos antigos mitos não é nova. Já aqui falámos de outro exemplo, e mesmo a obra Orlando Enamorado tem muitos outros exemplos semelhantes - na verdade, os seus heróis até defrontam (novamente) a Esfinge e a Medusa, ambas com os seus clássicos poderes.

 

Infelizmente, resumir Orlando Enamorado não é uma tarefa fácil. É um romance de cavalaria em que diversas personagens se vão cruzando e separando, em que a magia e eventos totalmente inesperados se fundem consecutivamente. Num dado momento um herói viaja no seu cavalo, como em tantas outras aventuras do género, e alguns versos depois está a defrontar um burro dourado, a reencontrar a Morgana arturiana ou a explorar uma cidade existente no fundo de um curso de água. Claro que é uma obra interessante para quem gostar de aventuras de fantasia, mas nem sempre fácil de seguir... porém, se é hoje uma obra muito esquecida, que foi muito apreciada na sua época pode ser facilmente compreendido pelo facto de, alguns anos depois, Ariosto ter composto uma continução para ela, Orlando Furioso, que é uma das grandes obras do cânone literário ocidental.

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