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Mitologia em Português

Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas. Juntem-se a nós numa imprevisível viagem por mitos, lendas, livros antigos e muitas outras curiosidades.

Mitologia em Português

Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas. Juntem-se a nós numa imprevisível viagem por mitos, lendas, livros antigos e muitas outras curiosidades.

O mito de Narciso

10.02.20

Um Narciso dos nossos dias

Também o mito de Narciso é um dos mais famosos dos nossos dias, tanto que ainda se fala de "narcisismo" por uma ténue relação com o mito dos próprios Gregos:

 

Narciso era um jovem de incrível beleza. Porém, por muitas que fossem as mulheres a se apaixonarem por ele, rapidamente se dizia incapaz de amar qualquer uma delas. Até que um dia, farta de todas essas rejeições contínuas, uma dada jovem lhe desejou que este se viesse a apaixonar por si mesmo. E, por intervenção divina, assim aconteceu - um dado dia, enquanto bebia água de um pequeno ribeiro, o herói olhou para si mesmo, estacou por um breve momento, e... apaixonou-se. Não por outra mulher, ou por um mero homem, mas por si mesmo. Completamente apaixonado, incapaz de afastar o olhar por um só segundo que fosse, deixou-se ficar nesse local horas, dias, semanas... até falecer, num "júbilo" constante de se amar a si mesmo.

 

Este é o cerne do mito. Se as diversas versões adicionam um ou outro elemento - por exemplo, a de Ovídio funde-a com o mito de Eco, e metamorfoseia o jovem numa flor após a morte - tende sempre a ser um aspecto comum que Narciso seja levado à sua destruição pela sua húbris. E é esse amor desmesurado por si próprio, seja o deste Narciso ou o de cada um de nós, que o mito tenta instar-nos a temer. Num tempo de redes sociais, de vários "likes" a cada novo imagem, talvez seja uma boa ideia relembrar a lição que o jovem Narciso só aprendeu com a sua própria morte...