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Mitologia em Português

Nunca se interrogaram sobre a identidade do autor mais antigo do mundo? Claro que não sabemos quem foi a primeira pessoa a escrever uma letra ou uma frase, ou sequer quem terá sido a primeira pessoa a deixar por escrito uma composição de índole puramente literária, mas de entre aqueles nomes de que ainda há registo nos nossos dias, qual terá sido o autor mais antigo do mundo?

Escrita cuneiforme - talvez pelo autor mais antigo do mundo?

Na verdade... foi uma autora, do sexo feminino - hoje conhecida apenas pelo nome de Enheduanna, ela terá vivido há cerca de 4300 anos atrás e foi sacerdotisa da deusa Inana. Naturalmente que a padroeira divina tem um papel principal em grande parte das linhas que esta sua seguidora compôs, mas também nos chegaram alguns hinos para os outros deuses. E é até entre esse segundo grupo, o dos hinos, que nos chegou uma frase verdadeiramente digna de nota - depois de escrever o seu nome, a autora acrescenta umas palavras que nos podem ser traduzidas por algo como "meu monarca, [aqui] algo foi criado que ninguém criou antes."

São certamente intrigantes, essas palavras... A que se referia Enheduanna? Estaria ela a referir-se à composição dos próprios hinos, que então atribuía a si mesma e à sua imaginação pessoal, ou a fazer alusão ao facto de ter sido, potencialmente, a primeira a preservá-los numa forma escrita? Já não sabemos - quarenta e três séculos é muito tempo, como poderão imaginar - mas quando essas mesmas palavras são agora lidas, nestes nossos dias de hoje, podemos ver nelas um sentido completamente novo - para nós, o que ela criou, e que até nunca tinha sido criado antes, é a oportunidade de sabermos o seu nome!

 

Assim, o autor mais antigo do mundo é, na verdade, uma mulher. Enheduanna viveu há uma (metafórica) eternidade atrás, ao ponto de muitos dos mitos que conhecia já terem sido esquecidos (uma excepção pode ser vista na história de Lugalbanda), mas pela mera menção do seu nome entre alguns textos de um contexto religioso acabou, de certa forma, por se tornar tão imortal como as muitas figuras que cantava nos seus hinos.

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