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Mitologia em Português

06 de Fevereiro, 2021

Quem foi Frankenstein?

Quem foi Frankenstein? Para alguns leitores, a resposta até poderá parecer mais que óbvia - é um monstro da ficção, ou o próprio doutor que o criou, numa história hoje conhecida em diversos filmes mas, originalmente, de um livro da autoria de Mary Shelley, autora inglesa de inícios do século XIX. Se fosse só esta a resposta nem estaríamos a perder tempo a escrever estas linhas, mas o que menos gente saberá é que existe uma história bem real por detrás de toda essa obra ficcional. Mas já lá iremos.

 

Quem for ler Frakenstein, ou Um Prometeu Moderno, da autoria de Mary Shelley, encontrará na obra uma história significativamente diferente da presente em tantos filmes do nosso dia. É, essencialmente, a história de um homem - o Dr. Frankenstein - que se tendo aplicado ao estudo intenso de autores como Paracelso e Cornélio Agrippa, foi capaz de criar vida - o processo não é retratado no livro (ele não a criou com pedaços de corpos, ou com electricidade, como vemos em tantos filmes), mas o mais significativo é que ele depressa começou a lamentar esse seu estudo e aquele que foi, sem qualquer dúvida, a sua grande criação. As razões para esse arrependimento são contadas na obra, para quem a quiser ler; por agora, voltemos no tempo um pouco mais.

 

Mary Shelley viajou pela Alemanha, e algum tempo antes de escrever este livro passou por um local perto da cidade de Gernsheim e que ainda hoje é conhecido como o Castelo de Frankenstein.

Quem foi Frankenstein?

Frankenstein, que significa algo como "a pedra dos Francos" (possivelmente em honra dos povos bárbaros que um dia aí viveram), acabou por dar o nome ao doutor que criou vida na agora-famosa obra inglesa. Mas toda a história ainda não fica por aqui. Reza uma lenda desse castelo que aí nasceu no século XVII um tal Johann Konrad Dippel, que mais tarde se dedicou ao estudo das artes da Alquimia, e entre as suas criações constava um suposto elixir da vida que era feito através da destilação de ossos. Não sabemos se funcionava mesmo - supõe-se que não... - mas é possível que ele até tenha tentado criar vida com as suas próprias mãos, um dos grandes desejos e objectivos da Alquimia.

Não sabemos se Mary Shelley conhecia toda esta lenda local, mas estando ela familiarizada com o nome alemão que viria a dar ao herói da sua história, é muito provável que sim... e que, depois, a trama da sua novela tenha surgido de uma questão implícita, i.e. o que aconteceria se Dippel tivesse verdadeiramente conseguido criar vida? Daí vem até o subtítulo da obra, com a referência a Prometeu a se dever ao facto de este titã ter criado a humanidade, segundo alguns mitos gregos.

 

Por isso, quem foi Frankenstein? O nome é alemão, mas não parece designar nenhum ser humano do passado em concreto; já a história escrita por Mary Shelley, que ainda hoje é muito conhecida sob esse mesmo nome, poderá ter-se baseado num caso bem real, o de Johann Konrad Dippel, que tal como o doutor da história terá tentado criar vida humana com as suas próprias mãos. A semelhança é demasiado próxima para ser ignorada, sendo por isso provável que a autora se tenha baseado no rumor de uma trama que alguns consideravam real; desconhecemos se o era, mas pelo menos havia uma lenda que apontava nesse sentido - e como qualquer boa lenda, oscila entre a verdade e a mentira...

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