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Mitologia em Português

Mitologia em Português

12 de Março, 2021

"Viriato Trágico", de Brás Garcia de Mascarenhas

Se existem obras de autoria portuguesa que foram imerecidamente esquecidas ao longo dos séculos, como a Gaticanea, já outras parecem ter sido muito bem esquecidas. Este Viriato Trágico, de Brás Garcia de Mascarenhas, pertence a esse segundo grupo. E não o dizemos de ânimo leve - quando se tenta ler uma obra do século XVII e, repetidamente, ela faz o leitor pensar algo como "meu deus, isto é profundamente aborrecido, porque estou mesmo a ler este poema?", o que mais podemos sequer dizer sobre ela?

Viriato Trágico

Bem, o Viriato Trágico, de Brás Garcia de Mascarenhas, é um poema épico que só foi publicado após a morte do seu autor, em 1699 (ele faleceu em 1656), e que narra as aventuras de Viriato, aquela figura da história ibérica de que já cá falámos anteriormente. Para o escrever, o autor parece ter-se apoiado em fontes da Antiguidade, mas também recorrido, muito significativamente, à sua própria imaginação. É um poema de exaltação nacional, de defesa contra um invasor - Romano, no caso de Viriato, ou Espanhol, já no caso do poeta - com tudo aquilo que esperaríamos encontrar num épico. E até aí tudo bem, o tema é interessante e o contexto em que o poema foi escrito também, MAS já o próprio poema, a forma como foi escrito, é completamente aborrecida. Mesmo quando surge uma ideia mais interessante - um colega apontou, a título de exemplo, o instante em que o herói tem um sonho em que vê o futuro de Portugal - o tratamento que o poeta lhe dá é aquilo a que os anglófonos chamariam um snoozefest, um aborrecimento tal que numa sala de aula dificilmente um único aluno permaneceria acordado e disposto a ouvir uma leitura.

 

Talvez seja até possível ler este Viriato Trágico em extratos, em breves momentos aqui e ali, mas de um modo geral esta parece ser uma das obras poética mais aborrecidas alguma vez escritas em Português, quase tornando a Elegíada, do século XVI, uma construção em verso bem digna de ser apresentada e lida a todos os alunos do nosso país. Não a lemos por completo, pelas razões já tornadas claras acima, mas mencionamo-la aqui pelo simples facto de relembrar a existência de um poema épico nacional sobre Viriato...

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