
No contexto da publicação anterior achámos que poderíamos, naturalmente, dar um pequeno exemplo de aquilo a que até se poderia vir a considerar parte dos mitos urbanos portugueses.
Quem passar pelo distrito de Lisboa – a falta de uma identificação mais precisa é completamente intencional – poderá já ter visto a casa acima. Captada em duas fotografias num espaço de quatro anos, a casa mantém-se significativamente igual. Isto pouco teria de notável, não fosse o facto de, segundo os habitantes locais, esta ser conhecida como a Casa do Medo.
Porquê esse estranho nome, de Casa do Medo? O melhor que nos conseguiram explicar foi que, supostamente, essa casa está igual há mais de 70 anos, sem que alguma vez se tenha visto alguém a entrar ou a sair dela, alguma luz a acender, ou algum estore a abrir. Por isso, criou-se a ideia de que só tinha um único habitante, o Medo, e os locais parecem ter um verdadeiro receio do local. Curiosamente, se até existem criaturas mitológicas portuguesas sob o nome de “Medos”, não conseguimos encontrar qualquer associação deles a este lugar, sendo por isso e provavelmente uma mera coincidência de nomes.
Será verdade, essa ideia de que a casa está – aparentemente – desocupada há mais de meio século? Por um lado, existem nela ténues evidentes vestígios de ocupação, quanto mais não seja pelo facto das sebes terem sido aparadas e uma árvore ter sido cortada; por outro, os vizinhos confirmam e reafirmam a ideia de que nunca viram ninguém lá e que nem sabem a quem pertence a casa. E assim se geram mitos…
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos-300x199.jpg)





Onde é?
A omissão do local preciso é propositada, para impedir que algum leitor mais maluco queira ir lá confirmar a história e/ou invadir propriedade privada.
E os senhores da imobiliária continuam a mandar aparar as sebes durante a noite para alimentarem o mito, na esperança de que surja um milionário excêntrico – sim, 70 anos depois só um milionário para reparar tubagens e electrificação :)))
Um mito urbano interessante.
Até existe um caso no distrito de Lisboa em que se sabe que isso acontece, e que é muitíssimo famoso pelo mundo fora (fica aqui prometido que esse outro mito será contado daqui a uns dias), mas neste caso específico não será isso que acontece, até porque a casa não está à venda. Agora, quem é que paga o IMI dela… bem… hum… pois… isso seria uma boa questão, mas não fomos verificar.