Sinon é uma de muitas figuras da mitologia grega que poucos conhecem por nome, mas que parece ter ganho uma certa popularidade em virtude um novo filme baseado nas aventuras de Ulisses. Sobre esse filme, iremos deixar de parte uma crítica, por agora, para em alternativa nos focarmos neste mito da Antiguidade que é hoje muito pouco conhecido.

Para contexto, recorde-se a Guerra de Tróia, que pode ser lida em resumo aqui, já que o episódio que será relatado abaixo prende-se já quase com o seu final…
Dada essa introdução, Sinon é, como pode ser visto na imagem acima, uma figura grega da Guerra de Tróia que ficou conhecida por um ou dois episódios sequenciais. No primeiro deles, os Gregos fugiram da zona de Tróia e deixaram este homem abandonado perto das muralhas da cidade, com a intenção de ele vir a dizer aos habitantes locais que ele próprio tinha sido deixado em terra, e que o grande Cavalo (de Tróia) que aí também tinha sido abandonado era uma derradeira prenda dos vencidos para os deuses da cidade. Houve um certo debate, sobre se o agora-famoso Cavalo deveria ser destruído ou guardado; pelo primeiro caminho votaram figuras como Cassandra, pelo segundo, heróis como Timetes… e em busca de respostas, Sinon até foi entrevistado pelos habitantes de Tróia.
No segundo desses episódios, também mostrado acima, este herói até se apresenta nu, como que a dizer que nada tinha a esconder, que falava apenas e somente a mais pura da verdades… mas, de facto, tudo o que dizia aos habitantes da cidade era mentira, uma verdadeira fraude destinada a enganar os Troianos, para que o Cavalo entrasse na cidade e assim se possibilitasse a sua completa – e muito fácil – destruição durante a noite. O que, na verdade, até veio a acontecer, como obras como a Queda de Tróia, de Quinto de Esmirna bem nos informam!
O mito de Sinon é, de certa forma, o de um dos maiores traidores da Antiguidade Clássica, talvez a par de Alexandre Páris, que matou o grande Aquiles com recurso a um subterfúgio igualmente reprovável – não em combate, mas com um flecha, à distância, que até poderia estar envenenada… e, em troca desta sua acção, não só Tróia foi conquistada, mas este herói até parece ter sobrevivido a toda a guerra, sem que os deuses alguma vez o punissem. Por isso, séculos mais tarde, Dante, no seu Inferno, equiparou-o a outro dos maiores traidores da História – Judas, o traidor de Jesus Cristo – provavelmente pela sua traição aos que bem o acolheram, quando acreditaram que ele tinha sido abandonado pelos Gregos…


