Uma breve descrição do mito de Admeto e Alceste

Este mito de Admeto e Alceste é-nos famoso de uma tragédia de Eurípides. Porém, foi assim relembrado, nas suas linhas gerais, por Musónio Rufo, já no primeiro século da nossa era:

 

Admeto recebeu como presente dos deuses que vivesse o dobro do tempo que lhe foi dado se alguém consentisse morrer em seu lugar. Descobriu que os seus próprios pais não estavam dispostos a tal, apesar de serem idosos. Mas a sua esposa, apesar de bastante jovem, aceitou prontamente a morte em lugar do seu marido.

 

E este o cerne da história; o resto pode ser visto na respectiva tragédia.

A história do Saci (ou Sacy)

Saci

O Saci, também conhecido por Sacy ou Saci-pererê (entre outros nomes), não é uma figura fácil de definir, já que os eventos que lhe estão associados parecem divergir nas diferentes zonas do Brasil. Entre as suas características essenciais contam-se o facto de ter um gorro vermelho, usar cachimbo e ter uma única perna, movendo-se ora aos saltinhos, ora por magia.

 

Por vezes é visto como uma criatura malvada, mas outros dizem que apenas faz traquinices aos incautos. Curioso é o facto do Saci poder ser capturado, seja roubando o seu gorro vermelho (a fonte do seu poder), ou fechando-o numa garrafa. Depois, para ser libertado, concede um desejo a quem o tiver capturado.

 

Sabendo que muitos dos nossos leitores são do Brasil, será que conhecem histórias concretas associadas ao Saci? Se sim, por favor partilhem-nas connosco, já que esta figura é pouco conhecida em Portugal e as suas aventuras parecem variar entre os vários estados do Brasil.

Actualização deste espaço

Foi feita uma nova actualização a este espaço; entre alterações cosméticas e outras menores, foi criada uma nova secção que irá conter mitos e lendas provindas de Portugal e do Brasil. Retroactivamente, algumas publicações relativas a esses conteúdos foram movidas para o novo local.

“Púnica”, de Silio Itálico

Este poema é essencialmente conhecido por ser o mais longo da Antiguidade escrito em Latim (obviamente que o épico de Nono de Panópolis tem maior número de versos, mas recorde-se que foi escrito em Grego), tendo por tema a Segunda Guerra Púnica. Por si só, este tema poderia parecer enfadonho para os leitores dos nossos dias, mas um dos seus aspectos mais interessantes é mesmo o facto de intersectar a Mitologia e os aspectos históricos da própria guerra nas mesmas linhas.

 

É, por exemplo, aqui dada bastante ênfase ao mito de Eneias e (Elisa) Dido, mas também através de elementos que nos são pouco conhecidos da Eneida de Virgílio. Também existem, aqui e ali, outras sequências mitológicas, muitas delas com menos desenvolvimento noutras fontes, como a do combate entre o herói Hércules e o gigante Anteu. É, por isso, um poema relativamente fácil de ler, mas também tão agradável como alguns dos relatos de Heródoto.

Uma representação divina no século V (d.C.)

Nos primeiros séculos do Cristianismo surgiu um importante problema – como representar a(s) figura(s) divina(s)? As respostas foram-se sucedendo umas ás outras, mas o exemplo que aqui hoje apresentamos provém da Basilica di Santa Maria Maggiore, em Roma. Jogando uma espécie de “Onde está o Wally?”, será que vêem algo de muito curioso nesta primeira imagem?

Muitas poderiam, naturalmente, ser as respostas, dada a vasta extensão iconográfica vista na imagem, mas foquemo-nos então num pormenor mais limitado:

Estas interpretações são sempre muito discutíveis, mas podem aqui ser vistos os quatro evangelistas (sob a forma de de um touro alado, um homem alado, um leão alado e uma águia), juntamente com São Pedro e São Paulo. Por baixo, um pequeno texto diz algo como “O bispo Sexto, para o povo de Deus”. Mas o que está dentro de um círculo? Aqui não é muito fácil de se perceber, mas assemelha-se a uma espécie de trono com uma cruz, ambos ricamente adornados. Será Deus? Será Cristo? Será toda a Trindade? Em qualquer um dos casos é notável, esta representação da(s) figura(s) divina(s) pela ausência; a nós, até nos poderá parecer muito estranha, pelo que importa perguntar – a que se deve ela?

 

Bem, simplificadamente, o Judaísmo tem uma proibição da representação da figura divina, que até está muito bem presente no Antigo Testamento. Uma interdição semelhante existia nos primeiros séculos do Cristianismo, pelo que cedo se pôs a questão de como mostrar o que não podia ser mostrado, e esta foi uma das soluções encontradas. Por estranha que ainda nos pareça é, filosoficamente, uma representação mais fiel do que a do velho de barbas brancas que tanto imaginamos nos nossos dias.