Aqui fica mais um pequeno e sucinto vídeo sobre a Antiguidade, desta vez apresentando uma pequena história daquilo a que hoje chamamos Império Bizantino.
Mitologia.pt
A confissão negativa dos egípcios
Na religião do Antigo Egipto muitas eram as coisas que tomavam lugar após a morte, entre elas uma confissão negativa – mas já lá iremos! A pesagem da ka (ou do coração) de um defunto, que não poderia exceder o peso de uma pena divina, é provavelmente uma das mais famosas para os leitores comuns, mas evidentemente que não era a única.
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De facto, uma das mais interessantes era o defunto ter de passar por um período em que fazia uma “confissão negativa” dos seus erros, ou seja, contrariamente ao que fazemos hoje, em que na religião de Jesus Cristo vamos a um padre e dizemos o que fizemos de mal, este processo passava por declarar, de uma espécie de lista, um conjunto de erros dos quais não somos culpados. No Papiro de Ani estas eram 42 cláusulas, que deveriam ser declaradas a Maat, deusa da justiça. Mas em que consistiam?
No seu âmago, passavam por negar roubos, violência (assassinatos, etc.), a disseminação de más palavras (mentiras, feitiços, enganos, difamações, etc.), ou traições amorosas. Mas entre elas também se contavam afirmações mais inesperadas, como “não fiz ninguém chorar”, “não comi corações”, “não escutei o que não devia”, “não me zanguei sem razão”, “não actuei com pressa indevida”, “não falei demais”, “não falei alto demais” ou “não fui arrogante”.
Curioso é o facto de estas afirmações terem alguma semelhança com os “10 Mandamentos” do Judaísmo e do Cristianismo, não só pela forma negativa de algumas cláusulas (“Não matarás”, “não matarás”, “não cobiçarás a mulher alheia”, etc.), mas pela própria natureza dos seus conteúdos. Até podem ter uma enorme divergência – as recomendações dos mandamentos, antes dos factos ocorrerem versus a confissão dos mesmos, após tomarem lugar – mas é provável, até tendo em conta toda a história de Moisés, que estas regras judaicas se tenham baseado, de alguma forma, em conteúdos egípcios pré-existentes.
“Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo”, de Galileu Galilei
Este Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo é um daqueles livros que indubitavelmente mudaram o nosso mundo. O mais evidente de todos eles é a Bíblia, mas quantos terão sido os leitores que já a leram do início ao fim? Infelizmente, essa mesma ideia de “ouvi falar [bastante?] da obra, mas nunca a li” parece ser uma constante em relação a alguns dos textos mais importantes da história da humanidade.

É por essa razão que hoje aqui trazemos uma obra mais inesperada, o Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo, de Galileu Galilei. O título dificilmente soará familiar, mas suficiente será dizer que esta é a obra em que o famoso polímata italiano discute se é a Terra ou o Sol o elemento central do universo. Assim, o sistema cósmico de Ptolomeu é comparado com o de Copérnico; não nos é dito directamente qual dos dois é o melhor ou o correcto, mas quem for ler a obra poderá compreender que as evidências apontam claramente para um deles (nada de spoilers!). Terá certamente sido essa visão muito pouco imparcial da questão que levou à condenação do autor e das suas obras, bem como à colocação deste texto no catálogo de obras proibidas pela Igreja Católica.
Contrariamente ao que poderíamos pensar este Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo é fácil de ler, até porque o autor apresenta as suas ideias sob a forma de um diálogo, quase sempre com explicações bastante simples e apropriadas para um público não-especialista. Contém algumas breves referências a mitos gregos e latinos, juntamente com muitas ideias de Aristóteles, devido essencialmente à ideia vigente no seu tempo que apresentava o corpus aristotélico como a base para (quase) todo o conhecimento. É, por isso, uma obra que não podemos deixar de recomendar para todos aqueles que também estejam interessados em Astronomia.
O mito de Ratatosk

O mito de Ratatosk fala-nos de um esquilo que nos mitos nórdicos tem a tarefa de transportar mensagens entre uma águia, que vivia no topo da árvore Yggdrasil, e o dragão/cobra Nidhogg, que vivia entre as raízes do mesmo local. Pouco mais nos é contado sobre esta criatura mitológica, mas merece ser referida aqui por ser um dos poucos esquilos existentes em mitos europeus (para quem estiver curioso, o mesmo animal também aparece em diversos mitos da América do Norte). Presume-se, ainda assim, que na sua forma original Ratatosk tenha sido muito menos fofinho do que o representado na imagem acima, que provém de um jogo de computador dos nossos dias, mas que serve bem para ilustrar a sua importância continuada mesmo nos nossos dias.