Histórias do Zodíaco #6 e #7 – a Virgem e a Balança

Como já foi escrito em 2012, a presença da balança nos céus poderia ser difícil de explicar excepto se pela associação com uma figura próxima, hoje quase sempre chamada “a Virgem”. Mas de onde vem o nome desta última, e qual é mesmo a história que a coloca nos céus?

 

Infelizmente, se muitas são as potenciais histórias para essa figura – por exemplo, poderia associar-lhe Astreia, Deméter ou Erígone, entre outras – a mais natural seria mesmo a da presença de uma deusa da justiça nos céus, juntamente com a sua imparcial balança. Não me recordo de qualquer razão muito contundente para as suas colocações gerais entre as estrelas, mas em relação ao nome moderno dessa figura feminina, sempre ouvi dever-se ao facto de, já na Idade Média, esta ter sido equiparada com a mais famosa das virgens do Cristianismo – Maria, mãe de Jesus Cristo.

“Cronográfica” de João Malalas

Na sua Cronográfica João Malalas (ou Malelas) conta-nos a história do mundo desde o seu início até ao próprio tempo de vida do autor, por volta de 550 d.C. . Tanto o início como o final da obra estão parcialmente perdidos, mas no contexto deste espaço é de alguma importância os primeiros livros da obra; segundo outras fontes nele baseadas, a obra de Malalas começava com a criação do mundo segundo o Antigo Testamento, prosseguindo depois com as histórias que se seguiam a este evento.

 

Muitos outros autores criaram obras semelhantes, mas o que esta tem de especial é o facto de proceder a uma cristianização dos muitos mitos gregos. Zeus, por exemplo, torna-se Pico Zeus, um rei do qual vão nascendo um grande número de heróis, todos eles somente humanos, que vão povoando a obra através de uma humanização das aventuras mitológicas. Poderia ser uma boa ideia para a sua audiência, agora já crescentemente cristã, mas essa adaptação nem sempre é feita da melhor forma, como podemos constatar no caso da morte de Perseu, de que já falámos antes (ver aqui); se à cabeça da Medusa é, inicialmente, retirada qualquer elemento mágico, no momento fulcral do mito, e sem qualquer explicação, esta torna-se novamente capaz de transformar, por magia, as pessoas em pedra.

 

Estes elementos, apesar de imperfeitos, tornam esta uma obra interessante para o estudo dos mitos gregos e latinos num período mais tardio, mas também importantes para o estudo dos eventos que tiveram lugar durante o tempo de vida do próprio autor, em que a obra se torna mais detalhada.

Creio que não existe em Português, pelo que a edição consultada foi a inglesa de Jeffreys e Scott (1986).

Histórias do Zodíaco #5 – o Leão

Tal como acontecia no caso do caranguejo, também a presença deste leão nos céus era de fácil justificação para os Antigos. Tratava-se do Leão da Nemeia, o feroz (e invulnerável) animal que Héracles defrontou no primeiro de todos os seus trabalhos; se este foi derrotado e morto pelo herói, que depois passou a usar a sua pele como uma espécie de armadura, a razão da colocação entre as estrelas não é totalmente clara, podendo ter-se tratado apenas de uma forma de imortalizar o primeiro dos feitos do mais famoso filho de Zeus. Parece-me uma razão tão boa como qualquer outra, até pelo facto de nem todos os trabalhos do herói estarem colocados nos céus, levando-nos a pensar que este, em específico, deveria ter alguma razão especial para aí ser representado.

Uma pequena história do “Triângulo de Pitágoras”

Infelizmente, creio que nenhum autor da Antiguidade nos diz como foi criado o famoso “Triângulo de Pitágoras”, mas todos tendem a repetir que foi esta figura, e somente ela, a criar a famosa fórmula. Depois, é-nos também dito que fez um sacrifício aos deuses, seja de um boi, de várias dezenas, ou, como até nos diz Porfírio, um boi feito de farinha (poderá parecer uma opção invulgar, mas só assim não violaria algumas das regras do Pitagorianismo).

Sabemos agora que a famosa fórmula precede Pitágoras, mas mesmo assim tanto os Gregos como os Latinos nunca parecem ter duvidado dessa sua autoria.

O problema da acção de Judas

[A necessidade da crucificação] would not only exonerate Judas from any criminality or guilt for the part he took in the affair, but would entitle him as well as Christ to the honorable title of a “Savior” for performing an act without which the crucifixion and consequent salvation of the world could not have been effected. If it was necessary for Christ to suffer death upon the cross as an atonement for sin, then the act of crucifixion was right, and a monument should be erected to the memory of Judas for bringing it about.

fonte

 

Esta é uma questão que sempre me pareceu fascinante, o problema da acção de Judas. Se havia a necessidade de Jesus Cristo ser crucificado para bem da humanidade, alguém teria de ser o responsável por esse acto. O responsável é, inegavelmente, Judas, mas porque razão é ele visto de uma forma tão negativa, quando devia era ser homenageado pelo seu acto?