O mito de Minta, também conhecida por Menta, é muitíssimo simples: essa era uma ninfa que se apaixonou por Hades, e que foi transformada numa planta (evidentemente, a menta) pela esposa desse deus, Perséfone. Trata-se este mito, então, de mais um criado para justificar a existência de uma dada planta, como tantos outros que ocupam as páginas das Metamorfoses de Ovídio.
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“Quilíadas”, ou “Livro das Histórias”, de Tzetzes (livro II)
Está agora disponível, aqui, a tradução do segundo livro das Quilíadas.
Se, aqui, o autor continua o mesmo trabalho que principiou no primeiro livro (recorde-se que a divisão desta obra em diferentes “livros” não proveio de Tzetzes), contando muito mais mitos associados às mais diversas figuras, é curioso que, entre eles, se conte já uma figura do Cristianismo – Sansão, mais conhecido pela sua relação com Dalila, mas cujas aventuras o autor até conta de uma forma mais abrangente. É também nessa sequência que é mencionado o poder mágico do cabelo desse herói, ao que o autor acrescenta que nos mitos gregos também existiam duas outras figuras cujos cabelos tinham poderes sobrenaturais.
Além dessa história, que me pareceu importante mencionar, este segundo livro (que, para usar uma expressão mais moderna, se poderia equiparar a um segundo capítulo) também reconta algumas histórias de figuras como Arquimedes, Héracles (mais conhecido como Hércules entre os romanos), Protesilau, Alceste, ou Apolónio de Tiana, entre outros.
O mito de Pentesileia e de Térsites
O mito de Pentesileia e de Térsites, que une estas duas figuras, não é mito conhecido entre as aventuras do Ciclo Troiano, mas nem por isso se torna menos interessante. Como tal, podemos contá-lo de uma forma breve:

Pentesileia era filha de Ares e, após a morte de Heitor (que ainda tem lugar na Ilíada), foi a primeira das grandes figuras a ajudar os Troianos. Dela sabemos que venceu vários opositores gregos, mas que acaba por ser vencida por Aquiles. Porém, é precisamente dessa morte que surge o momento mais importante deste mito – após esse falecimento, a armadura da heroína é removida, e toda a sua exuberante beleza é exposta, causando a paixão até daqueles que se lhe tinham oposto em combate. Notavelmente, Aquiles chora (pelo menos um autor justifica essa acção com o facto do herói ter entendido que apenas Pentesileia o poderia amar por completo), e acaba por ser gozado por Térsites; essa outra figura, bem conhecida da Ilíada de Homero, é, nessa sequência, rapidamente morta pelo filho de Peleu.
Se sobre a morte de Térsites sabemos agora muito pouco, já a de Pentesileia é muitas vezes mencionada como tendo “algo” de especial. O quê, já é mais difícil conseguir precisar, até porque os vários autores não são muito claros em relação ao tema – parecem presumir que os leitores já conheciam, e bem, o episódio – mas é muito possível que, nos textos originais, até tenha existido um momento de enorme beleza e singularidade nessa morte de Pentesileia, bem como na forma como o próprio Aquiles, seu conquistador, a testemunha.
“História Sagrada” de Evémero, e o Evemerismo
A figura de Evémero chegou-nos, essencialmente, naquilo a que hoje até chamamos evemerismo, a ideia de que os deuses do paganismo eram mortais que, devido aos seus actos em vida, tinham depois sido deificados. A teoria é bem conhecida, mas a obra em que originalmente aparecia, História Sagrada, não nos chegou nem na sua forma original, nem na tradução latina feita por Énio (o mesmo que escreveu os Anais).
Porém, o carácter geral da obra pode ser descoberto através de uma compilação dos elementos que três autores – Diodoro Sículo, Eusébio de Cesareia e Lactâncio, já aqui falados anteriormente – nos preservaram nas suas próprias obras. Recorrendo a elas, podemos saber que, nesta sua obra, Evémero dizia ter feito diversas viagens, eventualmente visitando a (fictícia?) ilha de Panceia, local de uma sociedade utópica onde, entre muitas coisas idílicas, existia um templo a Zeus. Era nesse templo que estava uma coluna com letras gravadas a ouro, onde eram contadas as histórias de um mortal Zeus, e dos seus antecessores (Urano e Crono), às quais tinham, mais tarde, sido adicionadas histórias de figuras como Afrodite, Apolo ou Cadmo. Devido ás suas descobertas, todas elas teriam sido, à medida que o tempo passava, passadas a ser vistas como deuses.
Se é esta última ideia que, para nós, até acabou por caracterizar a figura de Evémero, há que ter em conta que essa ênfase poderá nem ter existido na obra original. Sabemos, através das obras mencionadas acima, várias das ideias desse autor, e parece-me absurdo tentar negar que a ideia dos deuses enquanto mortais divinizados existia nessa sua obra, mas, ao mesmo tempo, não podemos afirmar que essa ideia era a principal do seu trabalho. Há que pensar que, quando este autor é mencionado, é quase sempre com base nessa importante teoria, mas nada nos diz que, no trabalho original, a ideia possa até ter tido a mesma importância que outros lhe deram. De facto, se esta teoria é atribuída a Evémero, isso não quer dizer que tenha sido ele o originador da mesma. Até pode ser anterior a ele, mas o que sabemos, sem qualquer dúvida, é que foi ele o principal autor a popularizá-la; porém, o pouco que sabemos desta sua História Sagrada também nos deve levar a compreender que essa teoria poderá não ter sido tão importante para ele como, mais tarde, se provaria para os muitos autores que se lhe seguiram.
Seria esta uma obra de ficção, como a História Verdadeira de Luciano? Estaria o autor, quando se referiu às suas próprias viagens e à ilha de Panceia, a falar de algo por que efectivamente passou, ou a criar um contexto para apresentar uma sua teoria? Não sabemos, mas deve, aqui, é reter-se que esta obra de Evémero tinha, em si, mais do que a mera ideia de que os deuses do Olimpo eram mortais deificados.
A descoberta do íman
Plínio o Velho conta-nos apenas que o íman foi descoberto por um pastor chamado Magnes, quando este fazia a sua usual tarefa nos montes e deu por si com os pregos da sandália, bem como parte do seu bastão, a serem atraídos por uma dada rocha.
Seria esta uma história verdadeira? O nome grego remete-nos para a sua origem na região da Magnésia, onde, segundo nos é dito, existiriam muitas pedras com estas propriedades, pelo que é provável que a história deste Magnes, como muitas outras, nos pareça correcta, mas também seja apenas uma falsa etimologia que, apesar de já não ser preservada na língua portuguesa, ainda o é em línguas como o Inglês (“magnet”).