Sobre o jogo “God of War”

Nos últimos dias, tive finalmente a oportunidade de jogar mais um jogo com conteúdo retirado da mitologia grega, chamado God of War “, o qual está disponível para a consola Playstation 2.

Apesar de se tratar de um jogo demasiado violento, é interessante constatar o aparecimento de figuras como hidras (o herói chega a fazer uma viagem ao interior da mesma), minotauros , hárpias , sereias e medusas, entre muitas outras. Apesar do modo como essas figuras são representadas não ser totalmente fiel (por exemplo, Hades é mostrado como um ser monstruoso), é interessante poder ver o modo como as mesmas foram adaptadas, para terem um carácter mais guerreiro.

Ainda assim, o herói chega a interagir com diversos deuses da mitologia grega, os quais o ajudam durante toda a aventura, ou simplesmente nela aparecem, como é o caso do titã Cronos. Através desses deuses, é ganha a hipótese de atirar raios de Zeus, usar a cabeça da medusa para petrificar inimigos ou respirar debaixo de água, uma habilidade oferecida pelo tridente de Poseídon. Aparecem, ainda, objectos como a tão conhecida Caixa de Pandora, que acaba por desempenhar um  papel importante na história.

No final, existe ainda um confronto contra o próprio deus da guerra, Ares, que acaba por servir como antagonista ao personagem principal, por razões explicadas durante a aventura.

Muito infelizmente, tenho de desaconselhar este jogo a todos aqueles que gostem de mitologia. Apesar da aventura estar bem escrita, os cenários serem, geralmente, fieis à época e o jogo apresentar um ou outro pormenor interessante, em termos do uso da mitologia, é também incrivelmente violento, ao ponto de ter recebido a classificação de “Para Maiores de 18 anos”. Existem cenas demasiado violentes, com o herói a decapitar minotauros , arrancar cabeças a medusas, matar pobres inocentes, centenas de litros de sangue a jorar de tudo quanto é sítio, entre muitas outras coisas do género.

Ainda assim, quem quiser saber mais sobre o jogo, pode visitar o site do mesmo, disponível aqui .

O mito de Ragnarok resumido

Na mitologia nórdica, o mito de Ragnarok é de uma grande batalha que acabará por ter lugar numa espécie de fim dos tempos. E ela apresentará, basicamente, Odin e os principais deuses do panteão nórdico (como Baldur), lutando contra Loki, os gigantes, e várias outras bestas da mitologia em questão. Nesse evento, não só ambos os lados do conflito serão totalmente aniquilados, mas será também esse o destino do próprio universo.

Outro tipo de Ragnarok

Existem diversas versões do que irá ter lugar depois, mas nas mais famosas existe sempre um denominador comum – após o conflito os dois únicos humanos sobreviventes acabarão então por repovoar tudo o que foi destruído, tendo os seus descendentes a honra de, também eles, viverem em terras de Midgard.
Noutras versões, tudo acabará por renascer e, eventualmente, chegar-se-iam a infinitos Ragnaröks, uma provável metáfora para a natureza cíclica da vida, um elemento que também é repetido em muitas outras mitologias e religiões.

Sobre a Questão Homérica

Há uns tempos, foi deixado neste espaço um comentário sobre se a Odisseia e a Ilíada teriam sido escritas por um único homem, ou se este Homero, a quem é atribuída a autoria de pelo menos essas duas obras (para outros exemplos, basta pensar-se no Margites ou na Batalha dos Sapos e dos Ratos), era uma espécie de entidade colectiva – a chamada Questão Homérica!

 

Conforme dito no comentário em questão, mais informação sobre o tema pode ser lida neste site. Apesar de me ser apenas permitido conjecturar sobre essa tal Questão Homérica, a minha opinião resume-se a uma clara incerteza. É, talvez, possível provar que a obra provém de tempos da Grécia Clássica, mas é-nos impossível provar, sem margem para quaisquer dúvidas, a sua autoria real. Deste modo, poderia até ter havido uma contaminação dos escritos originais com trabalhos de outros autores, relativas também ao conflito de Tróia, o que facilmente explicaria algumas diferenças de estilo em dados momentos da obra. Existe também a possibilidade de ter sido, efectivamente, escrita por diversos autores, e que este “Homero” seja não mais que um nome colectivo, uma hipótese que poderia ser argumentada com a morte de um dos poetas e com a necessidade de outrém continuar a obra do mesmo. No entanto, e como já disse, estam tratam-se apenas de meras hipótese pessoais, nada mais que isso!

Conotação negativa de Hades

Outro dia estava a ler mensagem da mailing list de mitologia em que participo (a qual já foi publicitada por aqui anteriormente) e este tema, da conotação negativa de Hades, surgiu por lá. Um tema certamente interessante, devo admitir.

O deus Hades

Enquanto que nos dias de hoje a morte é geralmente vista como uma coisa má, com o próprio Hades a ser imaginado como um deus mau, um outro Satanás ou mesmo a personificação da própria morte (a qual aparece representada nas mais diversas formas nos dias de hoje), algo que não é certamente verdade. Hades era, acima de tudo, tratado pelos Antigos com o mesmo respeito que qualquer um dos outros deuses, sendo-lhe até consagrados alguns tempos e diversos cultos. O seu reino, apesar de se tratar vulgarmente do submundo, era por vezes apelidado de “reino dos mortos”, mas nem por isso era um sítio triste ou monótono, um tema interessante para ser desenvolvido num artigo posterior. O papel de matar, no sentido mais directo, era dado a Thanatos, irmão de Hypnos (entidada representante do sono) e filho de Nyx (a noite) e Erebus (a escuridão). É certamente curiosa a sua relação com Hypnos, visto grande parte das mortes tomarem parte durante o sono. Quanto aos seus pais, é talvez graças a eles que vem a conotação negra, negativa, dada hoje ás entidades relativas á morte. Um outro facto interessante é que a própria figura de Thanatos parece mudar durante os tempos clássicos, começando por ser uma personagem um pouco negra mas acabando até por ser representada por figuras fisicamente mais atraentes. Por tudo isto, nota-se que a conotação negativa de Hades não é certamente merecida. O próprio deus mostrou por diversas vezes ser provido de sinceros sentimentos e de alguma benevolência, como pode ser visto no mito de Orfeu e Eurídice e também no de Perséfone, bem como em muitos outros. Apesar de não me recordar de um mito específico para apoiar esta teoria (apesar de a mesma surgir, em parte, nos “Diálogos” de Platão, mais especificamente em “Fédon”), Hades parece ser, acima de tudo, alguém que tenta gerir o seu domínio, algo que (e como já dito em artigos anteriores) também Poseídon e o poderoso Zeus tinham de fazer. No entanto, o medo que a humanidade tem do desconhecido tornou talvez Hades numa figura bem mais negra do que seria originalmente…

Sobre os Quatro Elementos – Água, Terra, Fogo e Ar

Num comentário relativo ao post anterior foi-me pedida informação sobre os deuses que representavam os quatro elementos, normalmente considerados – na cultura ocidental – como Água, Terra, Fogo e Ar na cultura ocidental. Assim, aqui fica o mesmo.

Os Quatro Elementos

Sobre a água, a sua associação com Poseídon (ou Neptuno, na congénere romana) é óbvia, tratando-se este essencialmente de um deus dos mares. No entanto, para outros cursos de água (como rios, riachos, lagos, etc.) existem também entidades específicas, como ninfas, Deuses-rio e outros, tendo-se como claro exemplo as Tágides, representantes do rio Tejo na poesia de Luís de Camões.

 

Sobre a terra, enquanto elemento, são diversas as associações possíveis. A mais clara de todas é relativa a Gaia, não só em termos de “terra”, enquanto elemento, mas também do próprio planeta em que vivemos. No entanto, Hades e Atena são também associadas a esse mesmo elemento.

 

Sobre o fogo, este é associado com Hefesto, o deus do Olimpo que usou mesmo os seus dotes de ferreiro para a criação dos lendários raios de Zeus.

 

Agora, sobre o ar, essa trata-se de uma associação mais difícil de encontrar, que necessitou de mais alguma pesquisa. Aquando da divisão dos poderes em 3 partes, a terra (ou, mais especificamente, o submundo) foi dado a Hades e os mares a Poseídon. Quanto a Zeus, foi-lhe dado poder sobre os céus, podendo assim talvez ser considerado como um deus representante do “ar”. Tanto quanto sei, não existe uma figura específica para o próprio ar, existindo algumas para os ventos, escuridão (da noite), etc.

 

Além das poucas associações que referi por aqui, existem certamente muitas outras. Estas são apenas as mais conhecidas, existindo até alguns casos interessantes, como (por exemplo) Hecáte, que poderia até ser associada com as mais diversas áreas, por estranho que pareça.