Lenda das barbas de Dom João de Castro

Falar sobre as barbas de Dom João de Castro implica retroceder alguns séculos no tempo, para um contexto cultural que em dados aspectos nos poderá parecer significativamente estranho, mas que nem é assim tão diferente dos nossos dias de hoje. Recorde-se, portanto, de uma forma sucinta a respectiva lenda.

A lenda das Barbas de Dom João de Castro

Dom João de Castro viveu na primeira metade do século XVI. Foram várias as suas aventuras dentro e fora do campo de batalha, até que numa dada altura se encontrou em Goa, na Índia, a tentar defender a cidade contra invasores. Fê-lo com sucesso, mas quando quis reconstruir a fortaleza de Diu, também ela em terras da Índia, apercebeu-se de que não tinha dinheiro para tal. Assim sendo, a 23 de Novembro de 1546 decidiu escrever uma carta para as pessoas mais importantes da cidade de Goa, pedindo-lhes um empréstimo para conseguir reconstruir esta fortaleza, que então estava quase completamente destruída. A carta em questão merece ser citada aqui de uma forma alongada, até para que se possa compreender o seu verdadeiro sentido. A edição é de Elaine Sanceau:

(…) Já agora me pareceo necessário não dissimular mais tempo, e dar-vos conta dos trabalhos em que fico, e pedir-vos ajuda para poder supprir, e remediar tamanhas cousas, como tenho entre as mãos; porque eu tenho a Fortaleza de Dio derribada até o cimento, sem se poder aproveitar hum só palmo de parede.
(…)
Pelo que vos peço muito por mercê, que por quanto isto importa ao serviço del Rei Nosso Senhor, e por quanto cumpre a vossas honras, e lealdades, levardes avante vosso antigo costume, e grande virtude, que he acodirdes sempre ás estremas necessidades de Sua Alteza, como bons, e leaes vassallos seus, e pelo grande, e entranhavel amor, que a todos vos tenho, me queiraes emprestar vinte mil pardaos, os quaes vos prometto como Cavalleiro, e vos faço juramento dos Santos Evangelhos de vo-los mandar pagar antes de hum anno, posto que tenha, e me venhão de novo outras oppressões, e necessidades maiores, que das que ao presente estou cercado.
Eu mandei desenterrar D. Fernando meu filho, que os Mouros matarão nesta Fortaleza, peleijando por serviço de Deos, e dei Rei Nosso Senhor, para vos mandar empenhar os seus ossos, mas acharão-no de tal maneira, que não foi lícito ainda agora de o tirar da terra; pelo que me não ficou outro penhor, salvo as minhas próprias barbas, que vos aqui mando por Diogo Rodrigues de Azevedo; porque como já deveis ter sabido, eu não possuo ouro, nem prata, nem movel, nem cousa alguma de raiz, por onde vos possa segurar vossas fazendas, somente huma verdade secca, e breve, que me Nosso Senhor deo. Mas para que tenhais por mais certo vossos pagamentos, e não pareça a algumas pessoas, que por alguma maneira podem ficar sem elle como outras vezes aconteceo, vos mando aqui huma Provisão para o Thesoureiro de Goa, para que dos rendimentos dos Cavallos vos va pagando entregando toda a quantia que forem rendendo, até serdes pagos. E o modo que neste pagamento se deve ter o ordenareis lá com elle. (…)

 

Infelizmente, esta carta tende quase sempre a ser citada de uma forma muito abreviada, dando a entender algo que não é uma completa verdade. Para pagar a reconstrução da fortaleza, é certamente verdade que Dom João de Castro “penhorou” as suas agora-famosas barbas, como pode ser lido acima, mas fê-lo num sentido simbólico e oferecendo também, ao mesmo tempo, um pagamento parcial. Se for apresentada como aqui, a carta também nos permite compreender algo mais importante, o facto de tudo isto se tratar de uma questão de honra, i.e. ele estava disposto a arriscar a sua família, a sua vida e até a sua honra em defesa do património que via como Português. Assim, as suas barbas tornaram-se um símbolo disso mesmo, de alguém que está disposto a fazer tudo o necessário em prol do país – e como tal tornaram-se uma relíquia quase religiosa, já que ao longo das décadas foram passando de mão em mão, até terem desaparecido da história nacional para parte incerta.

 

Resta uma questão – será que, como alguns parecem pensar, a expressão “pôr as barbas de molho” veio mesmo dos actos deste Dom João de Castro? Apesar de se pensar frequentemente que sim, há que notar que a oferta simbólica das barbas pressupõe uma cultura em que isso faça sentido*. Como tal, é possível que toda a ideia o preceda – pôr as barbas de molho não é senão preparar-se para as cortar, i.e. ainda hoje é hábito humedecer a face antes de se fazer a barba… – mas que se tenha cristalizado na cultura popular em associação a ele. Se assim não o fosse, como explicar esta estranha oferta? Se, por exemplo, um amigo nos pedisse dinheiro emprestado, e em troca nos oferecesse as suas unhas dos pés, não nos pareceria isso extremamente estranho?! É óbvio que sim, excepto se vivêssemos numa cultura em que unhas dos pés significam coisas como saber, justiça ou fidelidade. Portanto, é bem mais correcto admitir que a expressão será anterior a esta figura histórica, mas que poderão ter sido as suas acções a popularizá-la ainda mais.

 

 

*- Veja-se, ainda nos nossos dias de hoje, culturas como a judaica e a islâmica, em que os homens raramente cortam as suas barbas, por razões religiosas.

“As leis são como teias de aranha”, origem e significado

As leis são como teias de aranha é uma daquelas expressões que se não é muito popular nos nossos dias de hoje, deveria sê-lo. Algumas pessoas, como Marcelo Rebelo de Sousa, parecem acreditar que já existiu uma espécie de tempo idílico em que as leis eram iguais para todos… enquanto que, ao mesmo tempo, esta expressão é muito repetida online, mas sempre sem que lhe seja dado o seu contexto original, o que faz perder parte da ironia, e do verdadeiro significado, de toda a expressão. Por isso, hoje, escrevemos aqui sobre a origem e significado dessa expressão.

Sólon, muito associado à frase as leis são como teias de aranha

Na imagem acima pode ser visto um rosto que se pensa ter sido o de um homem hoje conhecido como um dos Sete Sábios da Grécia Antiga. Já cá falámos dele anteriormente, o Sólon que um dia confrontou Creso, mas de um ponto de vista histórico ele é mais conhecido como o primeiro grande legislador da sociedade ocidental. Ou seja, pondo-o de uma forma muito simples, se pensamos que foram os Gregos da Antiguidade que nos trouxeram a democracia, este homem terá sido o principal responsável por isso. Assim, tratou de criar um código legal escrito com as primeiras legislações das sociedades ocidentais. E se isto é tudo muito bonito – recordem-se, por exemplo, que as leis de Drácon, que antecediam esta figura, em que se diz que os crimes eram punidos horizontalmente com o sangue dos criminosos – também tem uma falha crucial, como podemos mostrar com o prosseguimento de toda esta história.

 

Um dia, um tal Anacársis, que alguns também consideravam ter sido outro dos Sete Sábios, visitou Atenas e foi a casa de Sólon. Quando este lhe mostrou o que andava a preparar, o viajante riu-se solenemente e disse-lhe duas frases, hoje preservadas em famosas linhas de Plutarco, que raramente nos são apresentadas nesta sua forma original:

As leis escritas são como teias de aranha. Apanham, é verdade, os fracos e pobres, mas são facilmente destruídas pelos ricos e poderosos.

Posto assim, quando dizemos que as leis são como teias de aranha, tendemos a esquecer uma pequena palavra crucial no original, “escritas”. E ela é fulcral para todo o contexto, porque demonstra que a expressão que Anacársis usou não criticar pretendia o espírito das leis, mas sim o facto de elas serem colocadas numa forma escrita, estática, que – falsamente – se gostaria de supor que serve para toda a gente. O que é falso. Se uma lei é estática, se está escrita na proverbial pedra, é puramente humana e, como tal, terá as falhas dignas de todos os seres humanos. Alguém com dinheiro ou poder suficiente saberá como as contornar, é como uma pedra que encontra no seu caminho o produto do trabalho árduo de uma aranha – este consegue apanhar pequenas moscas, claro está, mas nada pode contra coisas mais pesadas.

 

É incómodo, estonteante, absurdo, que alguém que ensinou várias áreas do Direito, incluindo até Direito Fiscal, como Marcelo Rebelo de Sousa, não consiga reconhecer esta realidade, que agora já tem cerca de 25 séculos. Fazendo nossas as palavras de Platão, “as leis existem para agrilhoar os fracos aos desejos dos fortes”. As leis são como teias de aranha, sem qualquer dúvida real, porque não têm um mesmo poder para com os fracos e os fortes. Um homem que rouba uma maçã num supermercado, e um que rouba 10000000€ de uma instituição bancária, deveriam ambos ser punidos na proporção da gravidade do seu crime, mas quem consegue acreditar que isto acontece no Portugal, ou no Brasil, dos dias de hoje? Só um fantasista que, a bem do seu próprio bolso e do dos seus amigos, não queira mesmo ver a prática da realidade…

O significado da Sala dos Cisnes no Palácio Nacional de Sintra

Há alguns dias perguntaram-nos sobre a Sala dos Cisnes, no Palácio Nacional de Sintra. Se já cá falámos sobre a lenda da Sala das 136 Pegas, no mesmo palácio, é apenas natural que também falemos deste outro local, até porque parece existir muito pouca informação sobre o porquê desta curiosa simbologia. E, de facto, o site oficial do palácio revela pura e simplesmente o seguinte:

[Esta sala] deve o seu nome à decoração dos painéis do teto, desconhecendo-se a data da sua execução, mas pensa-se que pode ter origem no século XIV, quando Sintra era administrada diretamente por D. Filipa de Lencastre, como parte das Terras das Rainhas. O cisne com coroa foi um emblema utilizado por Henrique IV de Inglaterra, irmão da rainha.

Infelizmente, esta informação revela muito pouco sobre a razão por detrás destes cisnes com uma coroa, ou o porquê exacto da sua representação neste local. Assim, vamos explicá-lo!

A Sala dos Cisnes, em Sintra, e a origem do símbolo

Na imagem acima pode ser visto, do lado esquerdo, um destes animais, tal como ele está representado na Sala dos Cisnes em Sintra. No lado direito está uma representação de um exemplo do chamado “Cisne de Bohun”, um símbolo que a família britânica Bohun utilizava por volta do século XIV. Quando, em 1381, Maria de Bohun casou com Henrique IV de Inglaterra, da casa de Lencastre, esta casa adoptou o mesmo cisne como um dos seus símbolos. E assim, quando Filipa de Lencastre veio para Portugal e casou com o monarca durante o reinado de D. João I, em 1387, o símbolo que era originalmente dos Bohun foi trazido para Portugal por via dessa família dos Lencastres.

Nesse seguimento, se os dois cisnes representados acima são ligeiramente diferentes – o mais antigo tem uma corrente em redor do pescoço, o mais recente uma coroa – o significado por detrás da sua simbologia é quase o mesmo e refere-se a uma famosa lenda medieval, a do Cavaleiro do Cisne, mais conhecido hoje sob o nome de Lohengrin.

O Cavaleiro do Cisne, inspirador da Sala no Palácio Nacional de Sintra

Se a tarefa de contar a complicada lenda do Cavaleiro do Cisne terá de ficar para outro dia – posteriormente, falámos dela nesta outra página – até porque ela tem muitas versões significativamente diferentes, o elemento mais relevante, neste momento, é o facto de nessa história aparecer pelo menos um cisne que corresponde a esta descrição geral, e que mediante a versão consultada um membro desta espécie animal poderá ter uma coroa ou uma corrente ao pescoço. E de facto, na imagem acima, provinda de um manuscrito do século XV e que ilustra uma francesa Lystoire du chevalier au Cygne, pode ser visto este animal quase precisamente como ele é representado no Palácio da Vila sintrense!

 

Em suma, a representação do interessante animal na Sala dos Cisnes, no Palácio Nacional de Sintra, deve-se a Filipa de Lencastre, que quando casou com o rei português Dom João I trouxe para Portugal um símbolo que era originalmente da família britânica Bohun, e que contém um momento famoso da lenda medieval do Cavaleiro do Cisne.

 

 

P.S.- Para quem ainda não conhecer o Palácio Nacional de Sintra, este pequeno vídeo do Youtube permite ver a sala em questão de uma forma virtual – notem as aves no tecto, que são o elemento que lhe deu o nome!

A lenda de Geraldo Sem Pavor (ou Geraldo Geraldes)

Geraldo Sem Pavor, também conhecido como Geraldo Geraldes, foi uma figura conhecida do tempo de Dom Afonso Henriques. Não sabemos, como já parece ser costume nestas lendas, quais os limites da pura realidade e da sua história ficcional, mas o facto é que existe uma grande e famosa história associada a ele na zona de Évora, e depois algumas pequenas historietas, aqui e ali, por todo o território nacional.

A lenda de Geraldo Sem Pavor (ou Geraldo Geraldes)

Por exemplo, na imagem acima pode ser visto um azulejo que, supostamente, marca um local em que Geraldo Geraldes acampou com o seu exército aquando da conquista de Sintra. Não há qualquer ideia de como essa informação foi descoberta ou determinada, tratando-se de uma lenda oral e nada mais. Mas ao seu lado está o brasão da cidade de Évora, em que pode ser visto um cavaleiro e duas cabeças decepadas (note-se uma pequena linha de sangue próxima do seu pescoço), uma delas do sexo masculino e outra do feminino – e essa sim, é a lenda do Geraldo Sem Pavor que se encontra entre as mais famosas do nosso país. Na verdade, é até provável que esse seu nome alternativo até provenha dessa lenda – “sem pavor” é o mesmo que dizer “sem medo, sem receio”, uma característica do herói que está bem presente na história eborense.

 

Conta-se então que Évora foi conquistada aos Mouros por volta do ano de 1165*, mas que esta foi uma conquista quase pacífica. Ela aconteceu porque Geraldo Geraldes se infiltrou na cidade, disfarçado como um mendigo ou trovador (o que depende da versão), e tentou localizar os pontos de maior interesse. Apercebendo-se de que o alcaide vivia numa torre, passados alguns dias escalou o local durante a noite, matou a filha dele (que estava de vigia), matou o próprio alcaide enquanto este dormia, roubou a chave da cidade e abriu as portas da mesma, possibilitando a entrada de um grande exército cristão que rapidamente dominou o local. Infere-se, portanto, que se tenha passado a chamar “Geraldo Sem Pavor” pela coragem demonstrada em feitos como estes.

 

Agora, se esta lenda de Geraldo Sem Pavor, ou Geraldo Geraldes, está bem atestada ao longo dos séculos, como já referido existem também algumas pequenas histórias que associam o mesmo herói a locais por todo o país, e que podem ser resumidas sob a forma de “aquela famosa figura fez X neste local” ou “ele combateu na batalha Y”. Raramente estão bem atestadas, parecendo ter nascido apenas da imaginação popular e de uma inferência como “se ele acompanhava Afonso Henriques, é provável que tivesse feito X”. Por aí também se compreendem, por exemplo, lendas como a de Afonso Henriques e a Palmeira, entre muitas outras que existem por todo o país e que são ocasionalmente celebradas em topónimos – terá sido a Praça do Giraldo, em Évora, o local em que este herói fez o seu famoso feito? Mesmo que os factos o confirmem, ou neguem, a imaginação popular dá a entender que sim, e assim se foram criando muitas outras lendas, frequentemente apócrifas, por todo o país…

 

 

*- Relembre-se, dado o contexto, que as conquistas de Sintra e de Lisboa datam de 1147.

“Um Mágico Entre os Espíritos”, de Harry Houdini

Quando se fala do nome de Harry Houdini, é quase sempre como um dos mais famosos praticantes da história da Magia. Ainda mais se gostarem das artes mágicas, certamente que já conhecerão o seu nome e as muitas coisas que criou dentre esse domínio. Mas Houdini não era apenas um mágico, ele tinha também um interesse significativo no Espiritismo. Foi nesse sentido que já cá falámos dele antes, e nessa altura até referimos muito brevemente um dos seus livros, que no original se chamava A Magician Among the Spirits (que é como quem diz Um Mágico Entre os Espíritos). Voltamos agora ao tema porque muito recentemente o Project Gutenberg lançou uma edição online deste livro, com muitas – mas, segundo nos parece, não todas – das fotografias presentes na obra original. Portanto, quisemos falar um pouco deste livro, e convidar para ele possíveis leitores.

Um Mágico Entre os Espíritos, de Harry Houdini

Que tem, então, este livro de especial? Ele foi escrito por um Harry Houdini que, inicialmente, tinha algum cepticismo face ao fenómenos espíritas mas até parecia querer acreditar neles. Uma e outra vez, deu mesmo por si a tentar acreditar neles, até que se foi apercebendo, de forma muito repetida, que tudo se tratava de nada mais do que puras trapaças, de aquilo a que os anglófonos chamam “smoke and mirrors“, construídas e destinadas de forma a enganar os mais crentes, até porque – de uma forma muito conveniente – os chamados médiuns jamais conseguiam utilizar os seus poderes quando se lhes pedia que o fizessem em ambiente controlado… o habitual “há um céptico no quarto”, etc.

 

Até certo ponto, este Um Mágico Entre os Espíritos, de Harry Houdini, é como que uma resposta à History of Spiritualism de Arthur Conan Doyle, procurando contar o outro lado de uma questão que o seu amigo apoiava, e que estava muito em voga no século que os viu nascer. Porém, se essa outra é uma obra de crentes para crentes, já esta é a de um potencial crente que ao longo do tempo se foi vendo envolvido em algo que, de facto, queria ver como verdadeiro, mas não podia deixar de se aperceber que era falso. Até pelo contrário, foi encontrando mais provas da sua falsidade do que alguma, uma que fosse, de uma possível verdade por detrás dos rituais espíritas.

 

Este Um Mágico Entre os Espíritos, de Harry Houdini é, sem dúvida, uma obra digna de nota, não só por ter sido escrita por um dos mais famosos mágicos da história mundial, mas porque ele sabia reconhecer muitos dos estratagemas usados para enganar as pessoas. Para nós, nos dias de hoje, não deixa de ser actual, por ainda existirem tantas pessoas que em redor de uma possível crença, nos queiram enganar a bem do vil metal… até porque ainda existem os chamados grupos, centros e fraternidades espíritas, quase sempre em locais mais degradados, a oferecer esperança vã a quem se deixa cair nessas coisas. Assim, o que o autor nos oferece neste seu livro é uma espécie de libertação da fantasia espírita, e que nos mostra o absurdo por detrás de muitas das suas crenças, para que também nós saibamos reconhecer as (outras) trapaças que vão surgindo nas nossas vidas. Fica o convite para a sua leitura.