The Knight of the Burning Pestle, da autoria de Francis Beaumont, é um daqueles livros que está quase completamente esquecido nos nossos dias. De inícios do século XVII, não é uma comédia muito interessante, excepto por um curioso elemento que é relativamente comum nos nossos dias, mas que na altura da sua composição e apresentação no teatro era verdadeiramente único.

De forma muito breve, The Knight of the Burning Pestle pode ser definido como uma comédia de cavalaria, semelhante no geral do seu espírito ao Dom Quixote de Cervantes e de outros autores. Porém, o que nela toma lugar é verdadeiramente único e, a nosso ver, digo de alguma nota – quando a apresentação da peça começa a decorrer, dois elementos do público, um homem burguês e a respectiva esposa, começam a chamar a atenção dos representantes para si, e pelo seu estatuto pessoal na comunidade forçam os actores a alterar o próprio texto da peça, tornando-a mais ao seu gosto pessoal. Ou seja, não só existe uma quebra da chamada “quarta parede”, mas também uma intervenção ficcional da audiência no desenrolar da trama, em que a uma nova personagem, como que desenvolvida pelo casal, vão sendo dadas todo um conjunto de aventuras inesperadas.
Fora esse seu elemento inovador, o resto de The Knight of the Burning Pestle não é – na nossa opinião, claro está – uma composição muito interessante, tratando-se apenas de uma peça cómica com os vários elementos comuns na sua época.
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin "O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos.jpg)




