A expressão ars longa, vita brevis é frequentemente citada em Latim, mas também pode ser traduzida para português dos nossos dias como “A arte é longa, [e/mas] a vida é breve”. Na verdade, esta é uma ideia que foi popularizada por Séneca, que a menciona no seu tratado Sobre a Brevidade da Vida sob a forma de vitam brevem esse, longam artem. Porém, a sua verdadeira origem também antecede esse autor em alguns séculos, com os Aforismos de Hipócrates a começarem com uma frase e ela muito semelhante:
A vida é breve,
A arte [é] longa,
A ocasião passageira,
A experiência perigosa,
O julgamento difícil.

Esta ars longa, vita brevis trata-se então de uma ideia que foi passando de mão em mão ao longo dos séculos, e que nos remete, entre outras coisas, para a impossibilidade de se vir a saber tudo, dado que o nosso tempo de vida para isso seria mais que insuficiente.
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos-300x199.jpg)





Eu tentei ler “Sobre a Brevidade da Vida”, do Sêneca, bem como “Aprendendo a Viver”, e larguei ambos de lado no meio pois achei-os chatíssimos. Assemelhavam-se aos sermões dos padres nas missas, de quando eu ainda era católico. Porém, meu pai idoso gostou desses livros. Será coincidência o fator idade na determinação do gosto?
Essa é uma questão muito interessante, obrigado por tê-la colocado.
Essencialmente, o grande problema poderá vir do que pretendia desses livros. Este tratado de Séneca, como diversos dos tratados filosóficos de Cícero e de outros tantos autores, supõem uma verdadeira ligação entre o leitor e o próprio tema. Uma pessoa jovem, alguém na flor da idade, raramente tende a pensar que terá de morrer algum dia, e por isso esse tema pouco lhe interessará, por muito que o autor tenha para lhe ensinar.
Explorando o contrário, certamente que existem temas que lhe interessam mais na sua vida. Por exemplo, a amizade, o amor, a felicidade, a própria vida, etc. Por isso, o que podemos fazer é sugerir-lhe um tema quase intermédio – será que já tentou ler “A Consolação da Filosofia”, de Boécio, que está disponível gratuitamente online? É, simplificadamente, a história de um homem que tudo teve, tudo perdeu, e se decidiu lançar uma questão – porque acontecem coisas más a pessoa que são boas?
O que eu esperava ao ler Cícero era encontrar algo tão interessante quanto os textos do Platão.
Eu penso sim que terei de morrer algum dia. Eu tive depressão e tentei suicídio, há alguns anos, e desde então fiz meus próprios questionamentos e encontrei minhas próprias respostas sobre a questão da vida e da morte, para sair dessa “fossa” e conseguir viver com sentido. O que me parece é que Cícero escreve para alguém que nunca se preocupou com isto, como meu pai: ele simplesmente foi vivendo a vida, como se o tempo dele fosse infinito e tudo valesse a pena. Só recentemente passou a se dar conta de que o tempo está acabando e que ele deveria gastar melhor o tempo dele, com coisas que tenham mais sentido. Então o Cícero parece que não se aprofunda no tema, fica no básico que já concluí sozinho.
A propósito, meu pai me pediu para eu lhe dar alguns livros do Cícero para ele ler. Vou comprar e dá-los. Depois que ele ler, provavelmente “passarei os olhos” em Cícero também, para ver qual é o valor dele, antes de serem doados para uma biblioteca pública.
Agradeço sua recomendação do Boécio. Vou dar uma pesquisada sobre ele, e depois provavelmente te contarei se vou ler, e se ler, contarei o que achei.
De nada, de nada! Sobre Cícero, se o seu pai é idoso, há um livro fantástico, que é o de “De Senectute”, ou Sobre a Velhice. Como um colega nosso costuma dizer, “esse livro remove o medo da morte de todos os seres humanos”.
Olá boa noite,eu tenho 22 anos e esse livro mudou a minha vida. Sei que é redundante falar isso mas eu amei ler cada pedacinho dele.
Obrigado, pensamos nós!