Esta Batalha dos Sapos e dos Ratos, também conhecida mais simplesmente como Batracomiomaquia, é vulgarmente atribuída a Homero. E a sua trama até é muito simples:
Um sapo tenta ajudar um rato a cruzar um lago. Contudo, a meio da viagem deparam-se com uma serpente marinha e o sapo tem de mergulhar, fazendo involuntariamente com que o rato morra afogado. Um outro rato vê estes eventos e menciona ao seu povo que um sapo matou um dos ratos. Isto leva a que os ratos declarem guerra aos sapos. Segue-se uma descrição da batalha, até que os ratos começam a ganhar vantagem face aos seus opositores. No final, e para impedir o extermínio dos sapos, Zeus envia uma força de caranguejos, cuja armadura os ratos não conseguem penetrar, tendo então de retirar-se.
O mais interessante nesta obra parece-me ser a capacidade do seu autor em pegar num estilo mais direccionado para o épico e usá-lo numa simples paródia, numa forma que depois será reaproveitada na literatura bizantina. Quem for ler a obra em questão e já tiver lido a Ilíada poderá até notar as semelhanças entre as duas obras, como a aparição de deuses (Zeus e Atena) ou as descrições dos combates, entre outras. Ainda assim, e contrariamente ao que sucede em vários épicos, esta obra é de fácil leitura, assemelhando-se até, pela sua simplicidade, a uma fábula de Esopo.
Contudo, e em relação a esta obra, existe uma outra questão a ter em mente – será que o seu autor foi realmente Homero? Não me parece, não só pelo facto de Plutarco dar outra autoria a esta obra, mas porque pode ter sofrido de um mal muito frequente na literatura da época – a atribuição de múltiplas obras a autores famosos, sem que existam provas reais para tal. É, quem sabe, o equivalente antigo de algo frequente nos dias de hoje, a “descoberta” (notem-se bem as aspas) de novos textos após a morte de um dado autor, que descendem não da mão do falecido mas da de alguém que procura uma fama rápida. Nesse sentido, se Homero é o melhor exemplo do épico da altura, o uso do seu nome nesta obra (ou em obras similares), torna-se bastante lógico…
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos-300x199.jpg)





Olá! Vê aqui o segundo volume.
Continuação de bom blog!
http://www.fluirperene.com/biblioteca.ht ml
Sobre a autoria dos textos antigos, convém que nos lembremos duma outra coisa: muitas vezes a obra toma o nome daquele que origina o pensamento (ou o seu maior vulto) da escola em que se insere a mesma. É assim que encontramos, por exemplo, epístolas assinadas por S. Paulo, mas que, pela exegese e crítica textuais, se revelam muito posteriores ao falecimento daquele. Claro, e como bem apontas, havia também uma óbvia vontade de publicitação…