Um dos aspectos mais curiosos de se tentar estudar Mitologia Comparativa é o facto de, uma e outra vez, nos depararmos com alguns elementos que, apesar de pouco vulgares, transcendem culturas de uma forma difícil de explicar. Por exemplo, há algum tempo uma idosa contou-nos uma história que a avó dela lhe tinha contado, de que já falámos aqui. Sucintamente, apresentava um homem que Deus transportou para a Lua como punição por um pecado repetido. Poderia parecer uma ideia estranha, mas não é única.

Quase do outro lado do mundo, os Chineses ainda hoje contam a história de Wu Gang, um camponês que foi transportado para a Lua e perpetuamente destinado a tentar cortar uma árvore, que tornava a crescer por magia a cada nova noite. É uma espécie de “Sísifo Chinês”, como lhe ouvimos chamar em diversas obras ocidentais.
Qual foi o seu crime? As várias versões a que tivemos acesso divergem nas razões para a sua punição, mas parecem ter um elemento em comum – que esta terá advindo do facto de Wu Gang nunca levar os empreendimentos que planeava até ao seu final. E, nessa sequência, que ele tenha sido punido com a atribuição de uma tarefa impossível de finalizar faz todo o sentido.
Resta, então, uma questão – será que existe alguma ligação entre a história portuguesa que nos foi contada e a de Wu Gang? Quase certamente que não, mas esse é um dos grandes mistérios da Mitologia Comparativa, o porquê de algumas histórias, aparentemente similares mas sem uma fonte comum, surgirem em culturas e contextos completamente diferentes.
[Editado: Recentemente, o Sapo colocou este artigo em destaque, aqui. Deixamos o nosso agradecimento, e se esse destaque contribuir para uma só pessoa adicional conhecer esta história e a passar a outras, já valeu a pena deixá-la escrita por cá!]
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos-300x199.jpg)





Interessante!
Obrigado pelo comentário, mas neste caso metade do crédito deverá mesmo ir é para a idosa que nos contou a outra história. E, de facto, dentro de alguns dias traremos ainda mais um elemento inesperado em relação à mesma…