A lenda de Sun Wukong, o Rei Macaco

Hoje, falamos da lenda de Sun Wukong, o Rei Macaco, uma figura pouco conhecida em Portugal mas muito famosa na China e em diversos outros países do Oriente. É ele um dos heróis da novela chinesa Jornada ao Oeste, pelo que seria difícil contar todas as suas aventuras num só punhado de linhas. Assim, relatamos aqui apenas as suas primeiras aventuras, apresentando igualmente um breve resumo (inglês) das restantes.

A lenda de Sun Wukong, o Rei Macaco

Sun Wukong poderia ser um macaco como os outros, mas nasceu de uma pedra mística na Montanha das Flores e Frutas. Pouco depois, encontrou-se com outros macacos e, juntos, descobriram que existia uma caverna secreta por detrás de uma cascata. Inicialmente não conseguiram descobrir como lhe aceder, pelo que decidiram honrar como seu rei aquele que conseguisse fazê-lo. Foi o macaco que nasceu da pedra mágica que o conseguiu fazer, acabando por receber tão grande honra.

Tendo descoberto esse recanto secreto, os macacos divertiram-se em segurança durante muito tempo. Mas, um dia, aperceberam-se de um problema – por muita diversão que tivessem, um dia acabariam por morrer. E essa foi, para eles como para qualquer um de nós, uma ideia assustadora.

Face ao problema, o macaco que nasceu da pedra decidiu partir em busca da imortalidade. Encontrou o sábio Bodhi, que lhe ensinou diversas artes mágicas e técnicas secretas. E foi ele que primeiro lhe deu o nome de Sun Wukong (que significa algo como “Macaco alertado para o nada”, possivelmente em honra dos ensinamentos que teve, mas discutir crenças budistas escapa ao nosso objectivo de hoje).

 

Depois disto, o Rei Macaco teve muitas outras aventuras, que a obra American Myths, Legends, and Tall Tales, de Christopher R. Fee, nos parece resumir na perfeição da seguinte forma:

After becoming king of the monkeys, thus attaining his title of Monkey King, he learned of his own mortality. His subsequent efforts to attain immortality resulted in altercations with various gods, which attracted the attention of the Jade Emperor, the master of the Chinese heavenly administration. To curb the Monkey King’s ambitions and prevent him from causing any further havoc, the Jade Emperor offered him a place in the Celestial Court. Sun Wukong accepted, only to find his post was that of a lowly stable keeper. He also learned he was not invited to a sumptuous banquet held for the other heavenly officials. Insulted, the Monkey King devoured the magic pills of longevity and the peaches of immortality that were to be served at the banquet and attempted to fight his way back to the mortal realm. Alarmed, the armies of heaven rallied against him but were
unable to defeat him. The battle ended through the intervention of the Buddha, who sealed the Monkey King under a mountain, alive but unable to move. However, the Buddha’s actions were part of a greater plan. After 500 years, the Buddhist monk Xuanxang released the Monkey King from imprisonment. Xuanxang was on a quest to recover Buddhist scriptures, and in exchange for his freedom, Wukong agreed to travel with the monk as his protector. To control the rambunctious Monkey King, Xuanxang tricked him into wearing a magic headband that shrinks upon command, causing him considerable pain. Along the way, companions Sha Wujing and Zhu Bajie joined them. The quartet overcame a gauntlet of obstacles ranging from demons and natural disasters to their own interpersonal conflicts. They were occasionally helped by the goddess Guanyin, and after their successful quest, the Buddha granted the Monkey King immortality and eternal happiness for his noble efforts.

 

Claro que este resumo é demasiado breve, para uma obra que tem centenas e centenas de páginas, mas ser-nos-ia difícil contar todas as aventuras deste herói numa só publicação. Assim, para as conhecerem fica a sugestão de que leiam a Jornada ao Oeste, uma obra bastante divertida. Não parece existir em Português, mas naturalmente que existem diversas traduções para o Inglês. E, quanto mais não seja, depois poderão gabar-se de ter lido a obra literária que inspirou a primeira temporada do Dragon Ball – de facto, sabiam que Son Goku é o nome nipónico dado a esta mesma personagem?!

Thanos [da Marvel] e a Mitologia Grega

Quem gostar de comics certamente que sabe que são muitas as figuras heróicas e vilãs baseadas em mitos da Antiguidade – o Thor nórdico é um dos exemplos mais óbvios, mas existem igualmente heróis associados à Atlântida (como Aquaman), um filho de Anteu, e daí por diante. E isso pode gerar uma questão… Será que Thanos, um famoso vilão das histórias da Marvel, foi retirado dos mitos gregos?

Thanos

Na verdade, e para quem estiver curioso, não existe qualquer figura significativa na Mitologia Grega que se chame mesmo “Thanos”, mas ele foi baseado num mito grego. Passamos a explicar – o seu nome em Grego seria Θάνος, e os Gregos conheciam uma figura chamada Θάνατος, cuja semelhança com o nome deste vilão é óbvia.

 

E quem era Θάνατος, mais conhecido em Português como Tânato ou Tânatos? Uma personificação da morte, que até tem um papel menor em diversos mitos. Agora, essa interrelação entre os dois nomes poderia até parecer uma mera coincidência, não fosse o facto de nas bandas desenhadas existir uma história muito famosa em que Thanos se apaixona por uma personificação da morte, aí chamada “Senhora Morte”, cujo amor ele pretendia conquistar sacrificando-lhe metade das criaturas vivas do universo.

 

Assim, Thanos não é uma figura da Mitologia Grega, mas tem uma parte significativa das suas raízes nos mitos da Grécia Antiga. E esta, hem?!

A origem dos gigantes

David e Golias

Se já cá falámos de diversas origens, a origem dos gigantes apresenta-se como potencialmente mais simples que as anteriores. Desde o Golias do Antigo Testamento, até aos muitos gigantes das histórias de cavaleiros e donzelas, passando pelos Γίγαντες dos mitos gregos e latinos e alguns Jötnar nórdicos, quase todas as mitologias e religiões fazem referência à existência de “gigantes”, seres que são quase como nós mas de maior estatura. Por isso, de onde vem essa ideia? Será que eles realmente existiram, num tempo já há muito passado e entretanto esquecido?

 

A resposta pode ser tanto positiva como negativa. Sempre existiram seres humanos de estatura maior que o normal (por exemplo, Robert Wadlow, o maior homem de que temos registo, tinha 2.72m de altura), mas a ideia também parece provir da descoberta de diversos esqueletos de dinossauro. Eles existem por todo o mundo e sabemos que uma confusão de identificações teve lugar ao longo dos séculos.

Por exemplo, são diversas as fontes gregas e latinas que atestam que, após um terramoto, foram encontrados esqueletos enormes no interior do solo, que vão sendo identificados como heróis do passado (sempre de grande estatura!), ou como monstros serpentinos (e.g. aquele que Perseu derrotou para salvar Andrómeda, ou o que Hércules matou para salvar Hesíone). A ideia foi-se mantendo, e quando em 1613 se encontraram ossos gigantes em França, os locais pensaram tratar-se de Teutobochus, um suposto lendário rei dos Teutões – e assim se compreende que a ideia não era só da Antiguidade, e prevaleceu até um tempo mais recente do que poderíamos imaginar.

 

Face a identificações como essas, torna-se fácil conseguir acreditar que algo de semelhante possa também ter tido lugar noutras culturas, levando a uma crença intercultural relativa a um tempo em que estes supostos gigantes viviam quase lado-a-lado com seres humanos como nós.

Como sabemos que a Terra gira em volta do Sol?

Modelo Geocêntrico vs Modelo Heliocêntrico

Como todos nós aprendemos nos tempos de escola, existiu um período de tempo em que as pessoas pensavam que a Terra estava no centro do Universo. Depois apareceu Copérnico, que parece ter sido o primeiro a postular a ideia de que, afinal de contas, no centro do nosso Universo estava era o Sol. Esta comparação dos dois modelos pode ser vista na imagem acima, mas deixa-nos uma questão – afinal de contas, como é que Nicolau Copérnico descobriu isto?

 

A sua obra mais famosa, Da Revolução das Esferas Celestes, não é um texto simples. De facto, em busca de uma resposta à questão anterior encontrámos algumas referências a ela como “o livro que ninguém leu”, possivelmente pela complexidade matemática que apresenta. Mas, felizmente para todos nós, uns anos antes o mesmo autor escreveu também um texto conhecido como Pequeno Comentário, em que apresenta a sua teoria de uma forma muito breve e simples.

 

E então, afinal de contas, como chegou Copérnico à sua teoria heliocêntrica? Simplificadamente, pegou nas medições dos muitos autores que o antecediam, como Cláudio Ptolomeu, e acabou por se aperceber de um problema – para esses autores, o movimento das esferas celestes não era uniforme. Em vez disso, os planetas moviam-se de uma forma muito inconsistente, como na imagem seguinte:

Geocentrismo

Em seguida, ele apercebeu-se que, em alternativa, se o Sol estivesse no centro do Universo todo este complexo modelo poderia ser muito simplificado – todas as medições que tinham sido feitas antes continuariam a bater certo, mas com um movimento das esferas celestes muito mais consistente e sucinto, em que todos os planetas se moviam de uma forma exclusivamente circular em torno de um mesmo centro, como pode ser visto na imagem abaixo.

Sistema Solar

Se esta explicação até poderá parecer simples, o que Nicolau Copérnico fez no seu livro Da Revolução das Esferas Celestes foi provar, matematicamente, que existia uma alternativa ao modelo dos Antigos, e que esta permita simplificar bastante o modelo que até então era seguido. Mais do que postular que cada planeta tinha o seu movimento individual, como antes, o seu modelo permitia compreender que todos os planetas tinham um mesmo movimento circular. Infelizmente, essa possibilidade também implicava vir a dizer que a Terra tinha de perder o seu lugar cimeiro no centro do Universo, algo que a Igreja de então não levou muito bem, condenando injustamente a teoria deste autor…

Como saber qual é a verdadeira?

A história de hoje começa com um convite pouco vulgar. Imaginem que chegam a casa e, em detrimento de lá encontrarem a vossa cara-metade, encontram duas pessoas iguais a ela. Como saber qual é a verdadeira? Claro que a ideia não é nova, ela já aparecia em romances de cavalaria da Idade Média e ainda hoje aparece em centenas de séries televisivas, mas qual é a melhor forma de saber distinguir a pessoa verdadeira de aquela que, por uma qualquer razão menos explícita, lhe copiou a forma física?

Como saber qual é a verdadeira?

Uma lenda provinda do Japão levanta esta mesma questão. Um dia, um homem, cujo nome já há muito foi esquecido, voltou a casa depois de um dia de trabalho e encontrou por lá duas cópias da sua esposa. Ele, conhecendo bem a cultura em que se inseria, depressa se apercebeu que uma delas tinha de ser uma kitsune, uma raposa mágica que copiou a forma da mulher que ele amava, mas como descobrir qual das duas era a verdadeira? Foi tentando uma e outra opção, mas durante semanas não conseguiu descobrir a resposta que procurava. Até que um dia, feliz ou infelizmente, notou que uma delas comia com as mãos em vez de utilizar pauzinhos. Face a essa divergência, e sabendo que a esposa era uma mulher muito educada (i.e. que jamais comeria com as mãos), atacou essa figura e viu-a transformar-se muito rapidamente numa raposa – e o animal fugiu do local, para nunca mais ser visto!

 

A resposta encontrada por este japonês anónimo faz um certo sentido, assemelhando-se até a diversas soluções encontradas nas muitas séries de televisão dos nossos dias, mas voltando à questão inicial, se isto vos acontecesse como é que saberiam distinguir a pessoa verdadeira da falsa? Aceitamos opiniões e sugestões para a resolução do famoso problema…