Origem da expressão “Lágrimas de crocodilo”

Já todos ouvimos falar das proverbiais lágrimas de crocodilo, mas a que se deve essa expressão?

As proverbiais lágrimas de crocodilo

Segundo diversos autores da Antiguidade, o crocodilo – o animal do Egipto, relativamente comum no rio Nilo, entenda-se – chorava aquilo a que se chamavam crocodili lachrymae por uma determinada razão. Alguns diziam que o fazia para atrair uma presa pela compaixão, que depois atacava e devorava brutalmente. Outros, mais particularmente os autores cristãos, diziam que o mesmo animal o fazia pelo arrependimento dos seus maus actos – mas tenha-se também em atenção que, como um falso arrependido, nunca mudava o seu comportamento. Qualquer que tenha sido a razão por detrás de esse suposto choro, os mais variados autores eram horizontais na ideia de que não era um choro sincero. E é precisamente daí que vem a expressão – as lágrimas de crocodilo eram dissimuladas, sendo por isso ainda nos dias de hoje um símbolo de falso arrependimento.

Origem da expressão “À maneira dos Ciclopes”

Muitas são as referências aos Ciclopes, enquanto figuras mitológicas, na literatura da Antiguidade, mas a mais famosa de todas elas é indubitavelmente aquela que ocorre na Odisseia de Homero. O episódio de como o herói Ulisses o cegou (momento que até pode ser visto na imagem acima) é sobejamente conhecido, bem como a forma brutal como Polifemo e os seus companheiros ciclopes conduziam a sua vida.

De onde vem então a expressão “à maneira dos Ciclopes”? Se esta expressão já não é utlizada nos nossos dias, remetia-nos para a ideia de uma vida desregrada, “bárbara” no sentido grego da palavra, contrária às regras da civilização, como aquela do ciclope de Homero, que comia seres humanos e bebia muitas vezes em excesso.

“Lana Caprina”, origem e significado

Que a expressão lana caprina significa algo de pouca importância já muitos certamente saberão (o quê, ainda não sabiam? Então podem ver, por exemplo, este artigo), mas qual é mesmo a origem de toda essa curiosa expressão?

Lana caprina, origem e significado

Segundo Erasmo de Roterdão, a expressão lana caprina nasceu de uma disputa entre duas pessoas que, acerrimamente, discutiam se uma determinada cabra estava coberta de lã ou de pêlo – um tema de muito pouca importância, como facilmente nos podemos aperceber – e a situação poderá ter parecido tão absurda a todos os demais que acabou por gerar esta expressão e o seu uso, que ainda é comum nos nossos dias de hoje.

O autor, infelizmente, não nos diz que fontes literárias utilizou para obter essa sua informação, mas a expressão já era motivo de alusão numa das epístolas de Horácio, sendo provável que fosse bem mais conhecida entre os estratos mais baixos da população da altura, e depois o seu uso diário se tenha ido prolongando ao longo dos muitos séculos, até porque a expressão latina por detrás da nossa ainda se diz precisamente como no tempo dos Romanos – de lana caprina!

O mito e a expressão do “Corno da Abundância”

O Corno da Abundância, também conhecido como cornucópia ou copiae cornu, está frequentemente associado ao deus-rio Aqueloo, que Hércules defrontou em combate. Como pode ser visto na parte inferior da imagem acima, o herói até partiu um dos cornos do deus quando este assumiu a forma de um bovino. Mas depois o mito torna-se um pouco invulgar – para obter o seu corno de volta, o deus trocou-o pelo Corno de Amalteia, símbolo da cabra/deusa que tinha amamentado um jovem Zeus. Em seguida, o herói entregou esse segundo corno ás Náiades, que o transformaram na chamada “cornucópia” (note-se que, etimologicamente, esta era uma “cópia do corno” da deusa). Desconhece-se o porquê da necessidade dessas trocas e cópias, mas é possível que se tenham devido a uma sintetização de diversos mitos antigos. Posteriormente, essa cornucópia acabou por ir parar ao mundo dos mortos, em que o deus Pluto a passou a carregar como o seu símbolo de abundância.

Mas porque usamos, então, a expressão “cornucópia”? Em Portugal ela parece ser utilizada para designar locais em que existe uma abundância de alguma coisa. Por exemplo, o bolo que partilha este nome costuma ter um interior repleto de alguma espécie de creme, não porque seja um corno da abundância, mas porque se encontra cheio de um sabor doce.

Origem das expressões “História sem [pés nem] cabeça” e “O alfa e o omega”

Se esta primeira expressão até é famosa nos nossos dias, tinha uma forma ligeiramente diferente na Antiguidade, referindo-se exclusivamente a uma “história sem cabeça”, ou seja, uma que está incompleta, sendo a expressão derivada, segundo nos diz Plutarco, da existência de um antigo ritual em Creta no qual uma estátua sem cabeça era apresentada como o símbolo de um homem que, após ter violado uma ninfa, foi encontrado sem essa parte do corpo.

 

Já a expressão “o alfa e o omega” provém do bíblico Livro do Apocalipse, que a popularizou na nossa cultura. Platão dizia que a figura divina era “o princípio, o meio e o fim de todas as coisas”, enquanto que Cícero se referiu à “proa e popa” de um assunto como se de um todo contínuo se tratasse; poderão estar ambas, no seu sentido geral, até relacionadas com a expressão cristã, mas isso não é totalmente certo.

 

A ligação entre as duas expressões até poderá nem nos parecer muito óbvia, mas passa pela referência a todos os elementos constitutivos de alguma coisa através dos seus limites (por exemplo, “alfa” e “omega” são, respectivamente,a primeira e última letras do alfabeto grego). Poderá ter sido por essa razão que foi adicionada a sequência “(…) pés nem (…)” à primeira das ideias, mas também devido ao facto de uma história sem os proverbiais “pés” não teria em que se apoiar, estando não só incompleta mas igualmente desprovida de apoio factual.