Algumas ideias gnósticas ainda hoje dão muito que pensar

Deus criou a humanidade; [mas agora os seres humanos] criam Deus. É assim que o mundo funciona – os seres humanos fazem deuses e veneram a sua criação. Seria [mais] apropriado para os deuses que venerassem os seres humanos!

Fonte: Evangelho de Filipe

 

Um curioso exemplo dos muitos segredos que os evangelhos gnósticos ainda nos escondem. A ideia não é nova – já aparecia em filósofos gregos muitos séculos antes, como cá foi discutido – mas a simplicidade da forma como este autor (que dificilmente terá sido Filipe) mereceu ser deixada por cá.

Quem foi o primeiro a dizer que a terra orbita em volta do sol?

A teoria heliocêntrica do nosso sistema solar é normalmente atribuída a Nicolau Copérnico, em inícios do século XVI, mas algumas fontes da antiguidade já tinham conhecimento dessa hipótese. Aristarco de Samos é referido numa das obras de Arquimedes como tendo postulado a teoria de que o sol e as estrelas se encontravam fixos e apenas a Terra girava em redor do primeiro. Também parece ter apoiado a ideia de que as estrelas eram sóis que estavam muito distantes.

 

Sabemos (hoje) que este autor estava correcto, mas poucos foram os autores da Antiguidade que lhes prestaram essa devida atenção. Só Copérnico, muitos séculos mais tarde, voltaria a essa ideia, popularizando-a de uma forma tão significativa que hoje lhe atribuimos essa (re)descoberta, como se fosse algo de totalmente novo.

O que significa o tridente do Diabo?

Imagem do Diabo com o seu tridente

Quando pensamos na figura do Diabo, porque é que tendemos a imaginá-lo com um tridente (ou uma forquilha) na mão? Esta questão foi-nos inspirada por uma pesquisa recente, em que um qualquer leitor brasileiro se perguntava – “Poseidon pegava almas com o tridente?”. Posto de uma forma muito simples, não, o deus grego dos mares não o fazia. Na Mitologia Grega não existe qualquer tipo de ligação entre Poseidon e as almas dos mortos, sendo estas últimas mais ligadas a Hades, deus dos mortos, por razões óbvias. Mas então, de onde terá vindo essa pergunta?

 

Bem, a figura cristã do Diabo tende a ser representada com um tridente nas mãos em virtude de se tratar de uma criação fictícia que nasceu da fusão de vários elementos pagãos, entre eles o instrumento guerreiro que Poseidon costumava carregar sempre consigo. Depois, ao longo dos séculos, foram sendo associadas ao Diabo novas características que nem sempre têm qualquer espécie de fundamento bíblico, como o facto de ele capturar almas de uma determinada forma. Assim se chegou, a longo prazo, à figura do Diabo como a temos hoje em dia, vermelha, com um tridente na mão, com pés de cabra e cornos (como os Sátiros), e assim sucessivamente. O tridente que ele usa na mão é, nem mais nem menos, aquele que um dia o deus Poseidon, conhecido entre os Romanos como Neptuno, também costumava usar.

“Invented Knowledge: False History, Fake Science and Pseudo-religions”, de Ronald Fritze

Este livro é aqui mencionado em particular devido ao seu primeiro capítulo, no qual o autor nos escreve sobre o mito da Atlântida. Se o tema já está mais do que batido, o que este autor nos apresenta é uma exposição sobre o porquê de acreditarmos que a Atlântida tinha certas e determinadas características que nunca aparecem no relato das obras de Platão, mostrando como essas crenças foram sendo refinadas ao longo dos séculos e até aos nossos dias.

Os restantes capítulos não têm muito interesse para o estudo da mitologia, mas contêm um ou outro aspecto importante para se poder apreciar como determinadas crenças – desde as características da Atlântida até à descoberta do continente americano, passando pela possibilidade bíblica de povos pré-adâmicos – foram sendo alteradas sem razões credíveis para tal.

A canção de Nero no filme “Quo Vadis”

Todos aqueles que já tenham visto o filme “Quo Vadis” de 1951 terão visto uma cena em que Nero canta uma breve música:

 

 

Se esta música nada parece ter de notável, a sua melodia provém do Epitáfio de Sícilo, uma das mais antigas músicas que nos chegou preservada de forma completa. Pode ser ouvida abaixo:

 

 

É claro que a letra original nada tem a ver com a cantada por Nero na primeira sequência, mas não deixa de ser curioso que tenham reaproveitado a melodia para o filme, mostrando que quem o produziu sabia bem o que estava a fazer.