O que aconteceu aos três reis magos depois de conhecerem Jesus?

O texto bíblico, como já aqui foi apresentado anteriormente, não é muito claro em relação à proveniência e destino das figuras que ficaram conhecidas como os “três reis magos”, mas na Idade Média surgiram várias histórias em relação a eles. Não têm qualquer fundo sustentado de verdade, mas não deixam de ser curiosas.

 

Relativamente ao destino destas figuras, Marco Polo, na sua famosa obra, diz-nos que eles tinham vindo da cidade persa de Saba. O mesmo autor acrescenta que Jesus, apesar de muito jovem, lhes entregou uma pequena caixa. Curiosos, no seu caminho de volta a casa acabaram por abri-la, apenas para encontrar uma pedra no seu interior, uma espécie de metáfora para a fé que deveriam continuar a mostrar. Contudo, julgando-se enganados, os viajantes atiraram a pedra para o interior de um poço, que, por razões miraculosas, começou a arder. Face a esse incomum presságio, pegaram em parte do fogo e levaram-no para casa, onde o colocaram no interior dos seus locais de culto.

 

Evidentemente que esta história nada tem de credível, mas é usada por Marco Polo para justificar o facto das pessoas na Pérsia venerarem o fogo, unindo essa crença à sua própria religião através de um relato que, aparentemente, proveio de alguns habitantes locais.

Significado de “si vis pacem, para bellum” e “parabellum”

A famosa expressão latina si vis pacem, para bellum [ou “parabellum“, numa forma um tanto ou quanto incorrecta, como a do filme de John Wick, em que significa algo como “prepara-teparaaguerra!”] pode ser traduzida para Português dos nossos dias como “se desejas a paz, prepara-te para a guerra!”, na medida em que por vezes as nossas verdadeiras intenções só podem cumprir-se com recurso a algo que nos pode parecer, à primeira vista, totalmente indesejável.

 

E de onde vem ela? Não conseguimos encontrá-la directamente em qualquer obra latina da Antiguidade, mas na sua obra militar Vegécio, autor do século IV da nossa era, diz algo muito semelhante – qui desiderat pacem, praeparet bellum – ou seja, “quem deseja a paz, que se prepare para a guerra”. A ideia acima parafraseia esta com um significado quase igual.

As brincadeiras do menino Onfim

Falando sobre as brincadeiras do menino Onfim, este é um tema bastante curioso. Explique-se. Onfim, também conhecido como Antémio de Novgorod, viveu no século XIII da nossa era. Quando era criança também ele estudou, brincou e fez os seus trabalhos de casa. Isto nada teria de estranho, não fosse o facto de algumas das suas produções terem chegado até aos dias de hoje. Nelas podem ser encontrados alguns exemplos de cópias de textos (a sua fonte era a Bíblia), mas também diversos bonecos que ele fez nos seus tempos livres, em que se representava a si mesmo como uma criatura mitológica, em cenas de batalha ou até com os seus amigos, como pode ser visto abaixo.

Não é particularmente claro qual das sete figuras seria o seu autor, mas quem o quiser tentar identificar poderá ver outros desenhos de Onfim aqui [link desaparecido antes de 2019], em particular nas entradas 199 a 210 (a 206 é a reproduzida acima). Nós pensamos tratar-se do sexto menino, mas estamos abertos a outras possibilidades.

Dois mitos de Anteu

Se esta figura mitológica é bem conhecida pelo mito que a une a Hércules, na verdade existem dois mitos de Anteu. Não é totalmente claro se se referem à mesma figura – é provável que sim, dado o facto de se tratar de um nome pouco vulgar, mas já voltaremos a esse ponto. Por agora, resumam-se sucintamente essas duas tramas.

Um mito de Anteu

Num primeiro mito, que é indisputavelmente o mais famoso dos associados ao nome de Anteu, esta figura encontrou Hércules, que o tentou derrotar. Incapaz de o fazer por diversas vezes, o mais famoso dos heróis gregos lá acabou por se aperceber que o seu opositor era absolutamente invulnerável enquanto tocava o chão – e porquê? Porque ele era filho de Gaia, i.e. a Terra, e então o contacto com o elemento da sua mãe não poderia senão apoiá-lo, regenerá-lo e torná-lo mais poderoso. Assim, face a esse problema, o filho de Zeus levantou este seu opositor no ar e matou-o numa espécie de abraço fatal, cujo momento fulcral foi repetidamente representado na arte até aos nossos dias.

 

Porém, numa das Odes Píticas de Píndaro é dado outro facto associado a um Anteu. Não sabemos, repita-se, se é a mesma figura referida acima, mas o poeta diz-nos que um rei com este nome teve uma filha, e que tomando por exemplo o mito de Danau decidiu oferecer a mão dessa sua descendente a quem conseguisse ganhar uma corrida. Infelizmente, pouco mais sabemos sobre esse outro mito, que está claramente incompleto nos versos que nos chegaram.

 

Serão, portanto, estes dois mitos de Anteu referentes a uma só figura? O nome não é muito vulgar e ambas as figuras estão associadas ao território da Líbia, o que poderia indicar que se tratam de um só. Contudo, é igualmente possível que esse monarca tenha tomado o nome de um antepassado (o contrário, i.e. um semideus tomar o nome de um rei, seria muito invulgar…). Por isso, nada podemos concluir, com grande certeza, sobre se estas duas personagens mitológicas gregas eram, originalmente, uma só…

O que tem Deus feito desde a criação do mundo?

Uma pequena curiosidade – segundo um texto judaico frequentemente conhecido como Genesis Rabbah, após a criação do mundo e até aos dias de hoje Deus dedicou-se a uma tarefa semelhante à de um casamenteiro, unindo determinados homens e mulheres. Tenha-se em conta que esta não é a resposta oficial da igreja católica, sendo apenas mencionada neste texto em particular.