“A verdadeira história da lebre e da tartaruga” no teatro

É famosíssima, a fábula aesópica de lebra e da tartaruga. Pois bem, o Teatro Bocage, em Lisboa, terá a partir de 22 de Outubro (e creio que até 26 de Novembro) uma comédia para crianças baseada nessa fábula. Como nos dizem as informações da produtora:

Após décadas e décadas de injustas criticas à Lebre, eis chegada a verdadeira história que levou à sua derrota numa corrida que parecia já ganha. 

Quem é esta Tartaruga aparentemente pacata e paciente? 

Quem é esta Lebre aparentemente vaidosa e presunçosa?

Vem descobrir nesta hilariante comédia de desenganos e torpecias o que realmente aconteceu naquele dia, àquela hora, naquela floresta…!!!

 

Não fomos ver, mas fica a recomendação para os mais novos, até porque as fábulas de Esopo são, como um dia escrevemos, das melhores prendas que lhes podemos dar.

Sobre o Livro de Jó

O Livro de Jó é, num contexto meramente mitológico, provavelmente um dos mais interessantes do Antigo Testamento. Apresenta-nos, logo no seu início, a figura de Deus e de um seu adversário, Satanás, a decidirem testar Jó. Claro que este venerava Deus, até porque a sua vida lhe corria sempre bem, mas o que aconteceria se todos esses benefícios lhe fossem retirados?

 

É esse o grande tema abordado neste texto – porque sofrem aqueles que têm uma conduta correcta e bondosa? No final do texto todos os benefícios são restituídos e Jó até é premiado com alguns extras. Não sabemos que resposta teria Satanás para nos dar, até porque não torna a surgir na parte final do texto, mas a questão aqui posta é de tal importância que, séculos mais tarde, a ela até voltariam autores como Boécio.

De onde nasceu a ideia da Trindade?

A questão da forma como nasceu a ideia da Trindade é de uma complexidade imensa, que não pretendemos abordar de forma aprofundada. As linhas que se seguem são, portanto, uma versão muito básica e simplificada dos acontecimentos.

 

As crenças do Cristianismo tiveram a sua base no Judaísmo, em que é mencionado “Deus” como a única figura divina dessa religião. No entanto, com o advento do Cristianismo, e em particular com a ideia de Jesus enquanto filho de Deus, começaram a pôr-se todo um conjunto de questões de grande complexidade, como, a título de exemplo, as seguintes:

Em que momento se tornou Jesus divino? Nasceu assim, ou apenas se tornou divino mais tarde?

Quando a “pomba” desceu sobre Jesus no baptismo, o que teve lugar?

O livre-arbítrio existe, podendo Jesus decidir não ser crucificado?

Deus também foi crucificado? Sentiu dor?

(…)

 

Dificilmente se poderia aceitar ideias como as de um Jesus criança a usar milagres na oficina de José, ou de um Deus crucificado e a sofrer na cruz. Por isso, questões como estas levaram ao problema de tentar definir quem era Deus, quem era Jesus, e quais os limites de ambas as figuras. Infelizmente, os textos bíblicos também não ajudam na resolução de questão, já que tanto Jesus como os seus predecessores nada de conclusivo disseram sobre o tema. Assim, surgiu a necessidade de recorrer a outras fontes. Mas quais são elas?

Poderá até chocar alguns leitores menos informados, mas muitas das bases da teologia cristã provêm do Neoplatonismo, mais precisamente do Timeu platónico, um texto de grande complexidade mas que contribuiu, por exemplo, para a ideia de uma terceira figura na Trindade, o Espírito Santo, anteriormente conhecido como o Logos, aquela “Palavra” (recorde-se que uma das traduções mais simples do “λογοσ” grego é palavra, discurso) a que se refere o primeiro versículo do evangelho atribuído a João.

Assim, se os primeiros adeptos do Cristianismo já acreditavam na existência de Deus (recorde-se, naturalmente, que eram Judeus), e pensavam em Jesus como filho dessa figura, foi através de conflitos religiosos e da influência de diversas heresias que a teologia cristã foi sendo refinada. Se, por exemplo, Deus não sofreu na cruz, isto tornaria difícil que fosse também Jesus, mas se Deus não era Jesus isso poderia levar à ideia de que os cristãos veneravam dois (ou mais) deuses, o que não é simples de explicar. Outros pensavam que Jesus era a primeira de todas as criaturas, enquanto outros pensavam que este era co-eterno com o Pai. Existiam ainda aqueles que posicionavam o Espírito Santo abaixo dessas duas figuras divinas. Em suma, a história das heresias nos primeiros séculos da igreja está intimamente ligada à própria definição, que ainda hoje temos, do divino.

Portanto, se Deus tinha de existir, tal como era inegável a existência de Jesus, essa ideia foi sendo refinada com base nas ideias dos opositores da igreja católica, com o Espírito Santo a ser pensado como uma espécie de interveniente com a função geral de comunicar algumas mensagens divinas aos seres terrenos. É – deixe-se bem claro – uma ideia muito simplificada do que teve lugar, mas serve para explicar, de uma forma pelo menos basilar, como o Deus do Judaísmo se tornou na Trindade da nova religião.

Jogo “Apotheon”

 Este parece ser um jogo interessante, cujo principal atractivo é mesmo o “look”, com gráficos que se assemelham a vasos de cerâmica de figuras negras. Sabe-se que tem algumas figuras mitológicas no seu conteúdo, com o vídeo acima a mostrar pelo menos um Ciclope, mas talvez valha a pena ser jogado, mais que tudo, pela sua imagética invulgar.