O que é o Maniqueísmo?

Hoje em dia, explicar o que é o Maniqueísmo não é uma tarefa fácil. Por um lado, essa religião ainda existe, mas são pouquíssimos os seus aderentes, e os textos originais, escritos por volta do século III d.C., já não existem numa forma completa. Por outro, em dada altura esta foi uma religião tão popular – ou, pelo menos, tão culturalmente significativa – que na Europa se passou a chamar “maniqueísmo” a todos os ramos do Gnosticismo, ou de outras religiões, que de alguma forma incluíam duas divindades com atributos opostos (e.g. o Catarismo medieval). Por isso, se vamos falar deste tema, temos de o abordar de uma forma menos vulgar, que aqui começará pelo fim da vida de Mani, o fundador desta religião.

Mani, o fundador do Maniqueísmo

Na imagem acima pode ser vista a forma como Mani, o fundador do Maniqueísmo, faleceu. A uma primeira vista, poderá parecer que este homem foi (apenas) crucificado numa árvore, mas diz a sua história que (também) lhe foi arrancada toda a pele, esta foi inchada como um balão, e o seu corpo e pele foram exibidos nas muralhas da cidade. O seu grande crime, para motivar uma punição tão horrenda? Reza a história que ele disse ser capaz de curar uma criança, um filho do monarca local, de uma doença que parecia letal, mas depois falhou na tentativa de o fazer… o que não calhou nada bem ao pai do menino, porque este senhor se dizia um sábio com poderes místicos enormes, até capaz de voar nos céus, mas a sua falta de “poderes” traiu as suas promessas.

 

Face a essas ideias, seria imperativo perguntar-se como é que ele obteve os tais poderes… e é muito interessante, porque se a pouca informação que temos sobre este Mani parece admitir que ele copiou pelo menos algumas das ideias de um antecessor (cujos escritos também se perderam…), sabe-se que ele tinha um conhecimento razoável das principais religiões da sua altura (e.g. a ideia dos sábios conseguirem voar era característica do Budismo já nesta época). Isto permitiu-lhe perceber que existiam alguns vectores comuns entre elas, mas também um conjunto de razões pelas quais elas não se tornaram universais. Agora, se – muito infelizmente – esses escritos se perderam na sua quase totalidade, chegaram-nos algumas das suas ideias, o que permite perceber que ele construiu uma espécie de sintetização das principais religiões da sua época, tendo pelo menos por base o Zoroastrianismo, o Judaísmo, o Cristianismo e o Budismo.

Diagrama do Mundo no Maniqueísmo?

Não é fácil compreender o que ele fez com tudo isso – relembre-se, mais uma vez, que a maior parte dos escritos originais estão hoje perdidos – mas, muito simplificadamente, ele parece ter acreditado num mundo preso entre duas forças constantemente antagónicas – o Bem e o Mal, a Luz e a Escuridão, o Amor e o Ódio, etc. Incapaz de destruir directamente o seu oposto, o primeiro destes princípios foi enviando diversas figuras para se “infiltrarem” no mundo físico, por natureza “mau”, e tentarem passar uma nova mensagem religiosa, que em dados aspectos só se cumpriria no final dos tempos, com a derradeira destruição do segundo princípio. E claro que esta é uma visão muito simplista do tema, mas a ideia, como era presumivelmente tratada nos seus escritos, parece ter sido fascinante, porque estabelecia paralelismos entre figuras como Jesus Cristo e Buda, Judas e Devadatta, etc., como que mostrando que todas essas religiões eram, na verdade, expressões e fragmentos de uma mensagem contínua comum, que diversas entidades tinham trazido a diversos povos em múltiplos tempos, e que agora o próprio Mani vinha complementar, dizendo-se o “Paracleto” previsto pelo Novo Testamento, uma espécie de mais recente sucessor da mensagem do Cristianismo (o que não caiu muito bem aos crentes dessa religião*).

 

Curiosamente, tudo isto tem também um factor profundamente irónico – se Mani parece ter estudado o porquê das religiões anteriores falharem, e ter postulado dez grandes razões para tal (apenas cinco nos chegaram…), também o seu próprio Maniqueísmo acabou por falhar. As razões vão muito além do tema de hoje, mas dada a perda dos seus textos essenciais – um dos quais sabemos ter sido ricamente ilustrado pelo próprio fundador, razão que lhe trouxe especial fama na literatura islâmica que se lhe seguiu uns séculos depois – não é difícil perceber o porquê desta religião ter caído progressivamente no esquecimento, ao ponto de hoje já quase ninguém se lembrar dela e dos seus antigos ensinamentos…

 

 

*- É muito curioso notar que os escritos dos Cristãos contra o Maniqueísmo são, hoje, aparentemente uma das maiores fontes de informação sobre essa religião. Como tal, se quiserem mesmo saber mais sobre este tema, podem ler o Contra Fausto de Santo Agostinho, ou a breve obra de Alexandre de Licópolis sobre esta religião, entre outros livros!

Porque comemos Bacalhau no Natal e na Páscoa?

Se existem muitos pratos típicos em Portugal, é curioso que o mesmo Bacalhau esteja associado tanto ao Natal como à Páscoa. Isto poderá levantar diversas questões, a mais notável é provavelmente “se este peixe nem existe nas nossas águas, como se tornou ele tão popular em terras nacionais?” Tentaremos explicá-lo de uma forma breve.

Porque comemos Bacalhau no Natal e na Páscoa?

Em outros artigos semelhantes a este, os respectivos autores tendem a contar uma longa história de como o Bacalhau se tornou popular no norte da Europa, como é que ele primeiro veio para Portugal, como é que os nossos pescadores foram buscá-lo a terras longínquas – incluindo a sua busca por eles na região de uma ilha lendária que então se conhecia por “Terra do Bacalhau” – e muitas outras coisas que tais. Não iremos fazê-lo, seria chover no molhado, podendo toda essa primeira parte da resposta ser condensada em algo bastante simples – este peixe era inicialmente importado para o nosso país do norte da Europa, ou apanhado pelos nossos pescadores em terras longínquas, depois veio-nos por intermédio dos Ingleses, deixou de ser visto por cá na sequência dos conflitos entre esses dois países, e finalmente tornou a ser pescado por nós em terras afastadas.

 

Para explicarmos porque comemos Bacalhau no Natal e na Páscoa, basta então resumir que depois desse período inicial da sua popularidade, e de termos perdido o acesso a ele, só no século XX é que este peixe se tornou verdadeiramente popular entre nós (juntamente com a Sardinha, ou precedido por ela). Quem tiver familiares idosos depressa perceberá porquê – em outros tempos, de histórias comuns como “era uma sardinha para quatro pessoas, e a minha mãe tinha por hábito chupar apenas a cabeça” (como o ouvimos de uma idosa com quase 90 anos), este peixe era o mais barato que estava acessível à população. Também o Bacalhau o foi, mas por uma razão um pouco diferente – o facto de ele não ser completamente fresco, de poder ser conservado em sal, tornava mais fácil que ele pudesse ser trazido para o nosso país de locais afastados. Juntamente com o facto do Estado Novo ter limitado o seu preço, este peixe só podia tornar-se popular!

 

Porquê a associação do Bacalhau à Páscoa? Porque, sendo ele fácil de adquirir e barato, numa altura do ano em que então existiam determinadas imposições alimentares (e delas falámos um pouco quando aqui abordámos a Serração da Velha), as pessoas tinham de evitar a carne, e o peixe era, aparentemente, o alimento que mais facilmente lhes estava acessível.

E porquê, a associação do Bacalhau ao Natal? Porque, se havia a tradição das famílias se reunirem nessa altura, e existem restrições alimentares derivadas da religião, é apenas natural que, por razões económicas, quem oferecia a comida optasse pelo que lhe era mais barato e mais facilmente acessível… mas, com um pequeno sorriso nos lábios, somos agora obrigados a perguntar – será isto verdade, será que há provas reais de tudo isto, ou estamos a tentar enganar os leitores com uma história que até poderá não ser verdade? A resposta irá surpreender-vos…!

 

Um Bacalhau, aquele que se come na Páscoa e no Natal

Há uns dias atrás, quando aqui falámos de algumas breves lendas do Bacalhau, quem tiver prestado especial atenção terá notado que de entre os famosos pratos deste peixe que existem no nosso país, aqueles cuja origem conhecemos ligam-no ao século XX. Não existe, por exemplo, qualquer receita famosa que o ligue a alguma antiga figura real ou lendária de Portugal, como um Vasco da Gama ou um Pedro Álvares Cabral, o que faria todo o sentido se este peixe já fosse tão popular nessa altura. Não o era, ou pelo menos não ainda como agora. Essa grande ascensão em popularidade só ocorreu já no século passado, deveu-se ao Estado Novo – uma das muitas coisas boas que o Salazar fez, mas que agora se procura ocultar no nevoeiro da história… – e gerou uma explosão de novas receitas para um peixe que, por estar facilmente acessível, rapidamente se tornou popular!

 

Em suma, porque comemos Bacalhau no Natal e na Páscoa? Porque esse peixe se tornou popular no nosso país em meados do século XX, fruto do facto de estar extensamente disponível nessa altura e de ter tido o seu preço limitado pelo Estado Novo. É dessa altura que datam as suas mais famosas receitas do nosso país, porque se anteriormente ele já tinha estado disponível no país, não foi tão popular como se veio a tornar só no século passado!

 

 

P.S.- E para alguma informação sobre o Peru de Natal, aqui fica um outro artigo: https://osaldahistoria.blogs.sapo.pt/instantaneos-110-a-ave-que-nao-veio-do-126425 . Uma versão mais simplificada, que posteriormente viemos a ler, diz apenas e na sua essência que o peru era o escolhido para o Natal por ser “um animal que alimenta muita gente”.

Mais um plágio de Daniel Santos Morais

Não gostaríamos de voltar a ter falar de Daniel Santos Morais, mas sim de comer umas fatias de bolo-rei em redor das respectivas lareiras. Até porque está frio lá fora. Infelizmente, nem todos os locais para onde reportámos o problema original se mostraram muito interessados em agir contra ele – pelo contrário, o próprio portal do Sapo até decidiu premiar esse claríssimo crime de plágio publicitando o mais recente artigo do seu perpetrador em plena praça pública. “Os nossos Parabéns”, Sapo, MEO e Altice, pelo sempre fantástico trabalho na luta contra o plágio de conteúdos!

Plágio de Daniel Santos Morais

Plágio de Daniel Santos Morais 2

Para celebrar essa “fantástica e muito justificável” decisão, que envergonharia mesmo o Margites homérico, vamos então aqui expor mais um plágio deste “autor” nacional. Em Novembro de 2022, ele quis publicar um artigo sobre Antónia Rodrigues, uma figura da nossa história conhecida como a “Amazona Portuguesa” ou a “Cavaleira Aveirense”. Infelizmente ainda não falámos dela por cá (talvez voltemos ao tema um outro dia…?), pelo que não existia aqui nada que ele pudesse plagiar, e então teve de recorrer a outras fontes, que como parece ser seu hábito não credita. Pegando num outro artigo que produziu para a mesma publicação que o anterior, e que não nomeamos aqui para não lhe dar qualquer publicidade (caso o original desapareça “misteriosamente”, uma cópia do original e do plagido pode ser encontrada aqui), pode ser gerado mais um curioso paralelismo parcial entre duas fontes de informação, desta vez separadas no tempo por cerca de dois anos:

 

Artigo em Experimentaveiro (24.10.2020)

Artigo deste “autor” (22.10.2022)

Antónia Rodrigues

Antónia Rodrigues

Chamada também de Antónia de Aveiro

também conhecida como Antónia de Aveiro

não foi apenas uma notabilidade da terra de Aveiro

mulher notável dessa terra

mas também uma celebridade de Portugal

assim como da história de Portugal

Mesmo com diversas opiniões, é comummente aceite a data de 31 março de 1580 como data do seu nascimento

Nascida no séc. XVI

filha das gentes da Beira-Mar

filha de uma casa pobre de pescadores

Talvez por algumas contrariedades e\ou doenças os seus pais viram-se obrigados a enviar esta filha para Lisboa

é pela sua condição social obrigada a ir viver com a sua irmã e cunhado para Lisboa

Então com 11 anos

com apenas 11 anos

[Génio] impróprio para a idade

De espírito irrequieto

Génio altivo

génio lascivo

repugnando-lhe os trabalhos domésticos da altura

Antónia recusava-se às tradicionais tarefas domésticas

deixava-se encontrar na Praça da Ribeira a olhar os navios ancorados

admirando antes a vida dos marinheiros que atracavam as caravelas junto ao Tejo

manisfestando a mágoa de não ter nascido homem

confessando com eles o desejo e mágoa que sentia por não ter nascido homem

para, com eles, seguir viagem e vidas aventureiras por novos horizontes

e não poder participar com eles na descoberta de novos horizontes

Chamavam-na louca e por vezes, visionária.

Não será preciso dizer que tais confissões rapidamente se virariam contra si, sendo considerada como louca.

Tinha então apenas 15 anos

Aos 15 anos

Às ocultas, foi vendendo a sua pouca roupa

com algum dinheiro que juntara das feiras onde vendera as suas poucas roupas

trocando por outra, própria do sexo masculino

e/ou trocara por outras masculinas

sentada a baixo do tejo meditou e tomou uma resolução

Antónia decide finalmente aventurar-se numa incursão marítima

vestida com as roupas masculinas

“vestida de homem”

cortou os seus cabelos

de cabelo cortado

O capitão estimava o ajudante

obtendo o reconhecimento do capitão

sempre hábil no manejo das armas

Adquirindo facilmente o manejo das armas

foram várias as “damas” que se apaixonaram por Antónia Rodrigues

Rapidamente Antónia, agora, António Rodrigues, ganhara popularidade entre as damas da corte

D. Beatriz de Meneses

D. Beatriz de Meneses

filha de D. Diogo de Mendonça, um dos principais fidalgos, dos que viviam em Mazagão

filha de um dos principais fidalgos da região

entendendo-se com o Governador, convenceu-o de que a filha teria de desposar Antónia Rodrigues

incentivara o casamento e reconhecimento do casal pelo Governador

Antónia Rodrigues corou, chorou, tremeu e perdeu completamente a coragem

Antónia Rodrigues corou, chorou, e perdendo a coragem em manter a sua falsa identidade revela a sua estória

O Governador fez logo espalhar a notícia

Rapidamente a notícia se espalharia pelo reino

ouvindo as aclamações do povo

Antónia é aclamada pelo povo

que lhe dava o epíteto de cavaleira aveirense

no qual lhe atribua o epíteto de “cavaleira aveirense”

tendo Antónia Rodrigues escolhido um brioso oficial, cujo nome se ignora

Acabando por casar com um oficial do reino no qual tivera um filho

Com trinta e cinco anos voltou para Portugal na companhia do marida e de um filho ainda pequeno

regressaria com a família a Lisboa anos mais tarde

 

“Tudo meras coincidências”, claro está, caros leitores… mas o caso ainda não fica por aqui! Visto que nem toda a gente é tão adepta do plágio, esse artigo presente no site Experimentaveiro revela abertamente que a fonte por eles utilizada foi um livro de Rangel de Quadros de título Aveirenses Notáveis. Fomos consultá-lo, numa edição online do ano 2000, e descobrimos algo muito curioso. Atente-se a uma só frase, tal como ela ocorre nestas três fontes:

  • Livro: “Tendo ouvido a proposta do casamento, [Antónia Rodrigues] corou, tremeu e perdeu completamente a coragem.”
  • Site: “Antónia Rodrigues corou, chorou, tremeu e perdeu completamente a coragem.”
  • Daniel Santos Morais: “Antónia Rodrigues corou, chorou, e perdendo a coragem em manter a sua falsa identidade revela a sua estória.”

 

Apenas nas duas primeiras fontes é dito que ela tremeu antes de perder a sua coragem. O que nos leva a um pormenor delicioso – o plagiador sentiu a necessidade de omitir o tremelique da heroína para não lhe dar sinais de fraqueza, como se uma mulher deixasse de o ser por ter sentido a necessidade de tremer face a uma dificuldade significativa da sua vida! É, ao mesmo tempo, um pormenor que permite descobrir que ele usou como fonte o site aqui em questão, e não o próprio livro (que provavelmente nem se deu ao trabalho de procurar), pela ideia de ela ter chorado apenas se encontrar nessa segunda fonte…

 

Tudo isto é completamente caricato. Isto seria motivo de uma enorme chacota entre colegas num plágio de um aluno do ensino secundário, mas estamos aqui a falar de um doutorando numa universidade pública portuguesa. Portanto, adaptando ao caso umas famosas linhas de Marco Túlio Cícero, Quo usque tandem abutere, “Daniel Santos Morais”, patientia nostra? Quam diu etiam furor iste tuus eludet? Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia? (…) O tempora, o mores!

 

Este é o segundo plágio que lhe detectámos em menos de 15 dias, o segundo de um “autor” e inacreditável doutorando na Universidade da Coimbra. Em seguida, com mais tempo, poderíamos então vir a apontar um terceiro. E um quarto. E um quinto. E um sexto. E um sétimo… e quem gosta de apoiar este plágio continuaria, certamente, a dizer que nada de errado se passa – que ele, “coitadinho”, só o fez apenas e exclusivamente duas, três, quatro, cinco, seis, sete […] vezes – e a assobiar para o lado. Portanto, decidimos então tentar algo de diferente. Além do já referido acima, abrimos 19 outros artigos escritos por ele e apresentados na mesma publicação. Depois, fomos então vendo, de forma muito rápida, o que encontrávamos. Há uma listagem completa, apenas para nosso uso interno e pessoal, mas foi encontrado o seguinte:

  • Pelo menos 4 imagens retiradas de fontes cobertas por copyright;
  • Pelo menos 3 imagens de bancos de imagens pagos (será que as pagou?);
  • Pelo menos 12 citações sem atribuição de origem;
  • Pelo menos 2 citações em que o original nem sempre diz o que ele “cita”;
  • Pelo menos 3 claríssimas violações dos chamados “direitos de propriedade intelectual”;
  • Dois artigos em que ele cita, correctamente, as suas fontes, demonstrando que até o sabe fazer;
  • Um artigo de apologia ao ódio (algo que nos pareceu tão caricato que nem sabíamos, inicialmente, se o deveríamos mencionar aqui).

 

Isto é… isto é inacreditável! Isto é gozar com os leitores, com os editores que lhe aceitaram os tais artigos, e com os professores da universidade que frequenta. Não fosse a quadra natalícia e um dos nossos colegas ia imediatamente a Coimbra para o confrontar e a seja quem for o seu orientador académico. Ao mesmo tempo, a forma como este Daniel Santos Morais procede também explica porque razão os sistemas automatizados da universidade nunca lhe apanharam o plágio que pratica – têm uma dificuldade significativa em casos desta natureza, nos quais um aluno pura e simplesmente pega em fontes da autoria de terceiros e as reescreve, mais ou menos significativamente, para dizer que um dado trabalho de investigação e escrita é apenas e somente da sua própria autoria.

Enfim. Sem palavras, esta situação é completamente de loucos, própria de gente que não tem qualquer espécie de vergonha na cara! Em momentos como estes até nos temos de interrogar porque perdemos o nosso tempo a investigar seja o que for, se é para depois “espertalhões” como estes fazerem o que fazem sem serem responsabilizados, sendo até premiados por plagiarem…

Breves Lendas do Bacalhau em Portugal

Diz uma espécie de lenda nacional que os Portugueses conhecem mais de uma centena de receitas para o seu amado Bacalhau. É um pouco difícil saber até que ponto isso é mesmo verdade – o que é considerado uma receita “diferente”? Será que basta substituir batatas por nabos para a obter? Verdadeiros mistérios da Culinária… – mas o que é inegável é que existem muitos pratos diferentes deste peixe nos restaurantes e casas de Portugal. O significado e origem por detrás de alguns deles é bastante óbvio – por exemplo, o Bacalhau com Natas tem esse nome por, evidentemente, ser acompanhado por esse creme – mas outros nem tanto. Portanto, de onde vêm os muitos nomes dos pratos de Gadus Morhua? É a esse tema que dedicamos as linhas de hoje, mostrando que as receitas mais famosas no nosso país podem ser divididas em três grandes grupos:

Lendas do Bacalhau em Portugal

No primeiro deles podem ser colocadas todas as receitas que têm o nome do seu inventor, seja ele uma pessoa individual ou um restaurante. O Bacalhau à Brás, para se começar com um dos mais famosos, tem esse nome porque supostamente foi criado por um taberneiro lisboeta desse apelido, enquanto que o Bacalhau à Gomes de Sá, de igual fama, se refere a um comerciante portuense, nascido em meados do século XIX, que inventou essa receita. O Bacalhau à [Tia] Narcisa partilha o nome de um restaurante bracarense de onde se diz que foi originário – porém, resta saber qual era o seu nome antes da confecção deste prato. O Bacalhau à Zé do Pipo também vem do Porto, mas já em meados do século XX, tomando a alcunha do proprietário do restaurante em que primeiro foi confeccionada. Menos conhecidos são o Bacalhau à Assis (criada por um Henrique Assis na Covilhã), o Bacalhau à Bruxa de Valpaços (criação de uma mulher que, apesar de cozinheira, alguns também julgavam ser bruxa), o Bacalhau à Conde da Guarda (supostamente inventado pelo seu segundo conde…), o Bacalhau à Margarida da Praça (a sua criadora foi uma Margarida, de Viana do Castelo), o Bacalhau à Padre António (invenção de um padre da zona das Caldas da Rainha, na segunda metade do século XIX), o Bacalhau à Senhor Prior (criado por algum prior, agora desconhecido, da zona de Anadia), ou o Bacalhau à Zé da Calçada (inventado no restaurante com esse nome, em terras da Amarante), entre outros.

 

Numa segunda categoria podem ser colocadas as receitas cujo nome indica alguns dos seus ingredientes ou técnicas usadas para a confeccionar – desde o simples Bacalhau com Batatas a Murro, ou o Arroz de Bacalhau, até ao Bacalhau à Lagareiro, que tem esse nome porque, tendo sido inventado pelo proprietário de um lagar usado para fazer azeite – e, assim, o próprio peixe é nesta receita acompanhado por tal líquido. Também existem o Bacalhau das Furnas, a Roupa Velha (com os restos de bacalhau da noite anterior, tradicionalmente comido no dia 25 de Dezembro), o Bacalhau à Provençal (com muitas ervas), etc.

 

Já a terceira categoria refere-se àqueles que apenas tomam o nome de um local muito geral de onde se acredita que a receita foi originária, e.g. o Bacalhau à Minhota tem a sua suposta origem em terras do Minho, o Bacalhau à Freixieiro vem de Celorico de Basto, e receitas como as de Bacalhau à Moda de Viana, Bacalhau à Romeu (em que “Romeu” é uma vila próxima de Mirandela), Bacalhau à Baiana (do Brasil), etc.

 

Quem quiser saber as receitas para cada um destes pratos poderá simplesmente procurá-las na internet, até porque este não é bem um espaço dedicado à culinária, mas o que aqui quisemos mostrar, hoje, foi apenas que algumas receitas de bacalhau em Portugal, e em especial as da primeira categoria acima, têm algumas pequenas lendas por detrás delas. Desconhecemos até que ponto existirão verdadeiras histórias – com princípio, meio, e fim – para tentar explicar esses processos inventivos, mas sabemos é que em muitos casos os seus criadores ainda são conhecidos e talvez até se saibam, ou tenham ficado preservados, os seus comentários em relação às respectivas criações…

O plágio de Daniel Santos Morais e Paulo Monteiro

Hoje, temos de falar de Daniel Santos Morais e Paulo Monteiro, não porque o queiramos fazer, mas para alertar para o tema do plágio. E, acrescente-se, igualmente para responsabilizarmos quem o pratica, até porque desta vez o efeito dessa prática reprovável nos afectou a nós. Seria preferível escrevermos sobre mais alguns temas natalícios, como nos é habitual nesta quadra, mas após discussão achámos o tema importante o suficiente para não merecer ser adiado até Janeiro. Assim, nas linhas abaixo apresentamos uma introdução ao que teve lugar, e depois explicamos o que estes senhores andam a fazer.

 

Alguma informação introdutória sobre Paulo Monteiro

A 20 de Julho de 2022, na sequência do nosso artigo sobre Santa Vilgeforte, um dos nossos colegas tentou colocar um comentário num determinado site português de foco em temas semelhantes – a ausência ao nome do site é aqui repetida e deliberada, por ser natural que não queiramos dar qualquer publicidade a quem faz este tipo de coisas. Era um comentário simplicíssimo, apenas alertando para um tema que poderia interessar a esse espaço, mas ele foi censurado, enquanto que ao mesmíssimo tempo a política censória do local em questão permitia, muito abertamente, comentários como estes:

Dois comentários associáveis a Daniel Santos Morais e Paulo Monteiro

Não entendemos o que se passava. Pareceu-nos estranho que um local público cometesse, ao mesmo tempo, censuras de informação que lhe poderia interessar e promoção de conteúdos que atentam contra a dignidade humana. Portanto, em busca de uma resposta, contactámos o site e pedimos explicações. Na pessoa de um tal Paulo Monteiro (cuja fotografia o site omite e apenas define com as seguintes palavras, “Desde muito novo senti que queria melhorar o mundo. Desde 2010 estou envolvido neste projecto para dar o meu contributo na área dos Direitos Humanos, aprender e partilhar”, sendo provável tratar-se de uma figura fictícia e de fachada), foi-nos dito que, e cite-se:

Não houve razão nenhuma para o comentário ter sido rejeitado. Aliás, lembro-me de ter visto esse comentário e ter comentado com um elemento da equipa que teríamos de escrever sobre isso a partir de Setembro quando voltarmos de férias. A não ser que o queiram fazer desse lado um breve texto sobre essa personagem – teríamos todo o gosto em apreciar o texto para publicação em Setembro (…) o mesmo comentário pode ter sido apagado, por lapso, no seguimento dos múltiplos comentários de ódio que estavamos a receber e que temos de filtrar. Ao seleccionar vários esse pode ter sido escolhido (a plataforma salta no telemóvel) e eliminado. Mas pedia-lhe o favor de repetir o mesmo, pois não temos meios de recuperar comentários apagados. (…) Recordo ainda que todo o n/ trabalho é efectuado em regime de voluntariado e que a disponibilidade da equipa varia em função do seu tempo livre.

Pareceu-nos uma resposta suspeita, pelo que tivemos de discutir o tema entre nós. Entretanto, esse tal Paulo Monteiro tornou a contactar-nos a 29 de Julho (“Aproveito e volto a convidar para escrever sobre a mesma para artigo a ser publicado a partir de Setembro”), a 1 de Outubro (“Lançado o apelo aguardo a vossa resposta. Positiva ou negativa.”), e a 8 de Outubro (“Aguardo.”). Respondemos a 25 de Outubro:

Após diversas discussões internas, decidimos não voltar a publicar isto [referente ao comentário original]. A razão é simples e tanto eu como os meus colegas sentimos que deveria ser explicada – o vosso site tem uma política de moderação de comentários. Faz muito bem em tê-la, mas quem selecciona os comentários deixa quebrar constantemente essa mesma política, ora aceitando comentários que no mínimo dos mínimos são ofensivos, ora rejeitando comentários inofensivos (como foi o nosso), sem que se compreenda qualquer critério excepto um tácito “fazemos o que bem entendemos”.

A esse tema, Paulo Monteiro respondeu essencialmente que “Iremos atribuir o assunto a uma pessoa da equipa para dar a conhecer a história desta Santa aos nossos leitores.” E tudo teria ficado por aí, pela parte que nos diz respeito, cada um escreve sobre o que bem entender, desde que não se ultrapassem certas regras éticas.

 

O plágio de Daniel Santos Morais

Posteriormente, descobrimos que nesse mesmo espaço existiam conteúdos plagiados. Isso pouco ou nada nos interessaria, não é (habitualmente) da nossa competência, não fosse o facto de há poucas semanas termos sido informados de uma publicação que foi feita nesse espaço a 28 de Outubro de 2022, ou seja, uns meros três dias depois de termos falado pela última vez com esse tal Paulo Monteiro, e cujo início mostramos na imagem:

Da responsabilidade de Paulo Monteiro e Daniel Santos Morais

Da autoria de um tal Daniel Santos Morais, que esse site define como um “mestre em Sociologia pela Universidade de Coimbra. Feminista, LGBTQIA+, activista pelos Direitos Humanos. Partilha a sua vida entre Coimbra e Viseu“, o artigo em questão não só copiava o nosso título, como reutilizava a mesma imagem presente no nosso artigo – que nunca autorizámos o uso, nem autorizaríamos para fins como estes – e um elemento que incluímos para detectar potenciais plágios. Se, de facto, o autor até admite que a “foto” – que não o é, mas sim uma pintura… – era “nossa”, tornando óbvio que conhecia o que nós escrevemos sobre o mesmo tema, existem um conjunto de aspectos curiosos no artigo em questão, que vão muito além da evidente ideia de copiar o tema do artigo sem qualquer referência ao facto de apenas terem sabido dele através do nosso trabalho. Aqui fica parte do texto, em formato de imagem, para o caso do original “misteriosamente” vir a desaparecer:

Fragmento central do texto

Apenas para darmos alguns breves exemplos baseado no acima, o artigo da suposta autoria de Daniel Santos Morais refere uma versão muito específica da lenda, com presença de datas e locais (i.e. “Liberata nascera na Lusitânia, Portugal, por volta do ano 119“), eventos muito concretos (e.g. “[Liberata] fora oferecida em casamento ao rei da Sicília“), e até a possibilidade de ela ser lésbica (que nunca ocorre na lenda original). Utiliza uma citação sem mencionar a sua origem (i.e. é dito que esta princesa era bela como uma flor da Primavera”, com as aspas e tudo), e absolutamente nada diz sobre a história do violinista.

 

Este autor parece desconhecer que a Lusitânia e Portugal não eram um só e o mesmo local, como desconhece em que consistia uma heresia, entre outras coisas presentes no artigo, mas ainda assim “foi capaz” de escrever sobre o tema. Como? Recorrendo a diversos plágios. Vejamos já um:

Artigo no Jornal “O Despertar” (14-10-2022)

Artigo deste “autor” (28-10-2022)

Reza ainda a lenda

De acordo com a lenda

Que [Liberata] nasceu na Lusitânia, em terras de Portugal

Liberata nascera na Lusitânia, Portugal

Por volta do ano 119

Por volta do ano de 119

E que, antes de ser Santa, se chamava Vilgeforte

Tendo antes de ser elevada a santa conhecida pelo nome de Vilgeforte

 

Depois segue-se algo bastante mais grave – toda a história relativa ao Rei da Sicília aparece num artigo do Jornal Público, datado de 15 de Fevereiro de 1999, onde, muito curiosamente, não só é revelada a verdadeira origem daquela citação que ele usou (“um martirológio seiscentista”), como também se menciona que a santa podia ser lésbica (“afirmam os hermeneutas mais modernos”), e não há quaisquer menções ao violinista da imagem… o que é um tanto ou quanto caricato, porque quem olhar para a imagem incluída no artigo deste senhor imediatamente se interrogará sobre a presença da invulgar figura, que ele ignora por completo no seu relato. Ou seja, ele reutilizou a imagem do nosso artigo sem permissão, sabendo de antemão que ela jamais lhe seria dada, e sem sequer pensar que ela já não faria qualquer sentido para ilustrar o cerne do texto que ele plagiou de outra fonte!

Queiramos ou não, é difícil negar que as semelhanças entre o relato no artigo do jornal Público, datado de 1999, e este escrito recentemente para um outro site são muitas (ver o fim deste artigo para um paralelismo sintético), sendo particularmente digna de nota aquela citação que ao plagiar ele se “esqueceu” de dizer de onde lhe veio, e que entre os anos de 1995 e 2021 só apareceu num único local online. Aqui, uma imagem vale mesmo por mil palavras:

Origem da citação deste plagiador

Mas, dando-se o benefício da dúvida, acredite-se que tudo isto são coincidências. Só meras coincidências, apenas isso e nada mais, sem qualquer espécie de má intenção – imagine-se que o “autor” passou três intensos dias a ler obras como a Flos Sanctorum ou a Legenda Aurea, uma actividade sempre muito popular entre os jovens (é ironia!), e se deparou com aquela citação já em português. Decidimos então colocar um comentário no artigo da autoria desse Daniel Santos Morais, que pode ser lido abaixo, em que alertávamos para a ocorrência, com referência apenas ao que nos era relevante:

Comentário enviado para a publicação de Daniel Santos Morais e Paulo Monteiro

Como anteriormente, também esse comentário foi censurado. Mas ainda decidimos voltar a dar, mais uma vez, o benefício da dúvida. Então, enviámos um e-mail à publicação em questão, dirigido a Paulo Monteiro ou “a quem for, neste preciso momento, responsável legalmente pelo vosso projecto”. Foi-lhes dado um período de tempo razoável para apurarem responsabilidades, para responderem, sendo que apenas pretendíamos, e cite-se, saber se “esta nova censura [de um comentário] também foi deliberada, e o plágio foi intencional e é uma prática apoiada pelo vosso projecto; ou, em alternativa, a responsabilidade no caso é exclusivamente dos vossos moderadores e do próprio autor do artigo”. Não obtivemos qualquer resposta em tempo útil, nem sequer se defenderam da acusação, denotando que isto não são meras coincidências, eles sabem bem o que se passa, mas não lhes interessa responsabilizar o seu autor, preferindo tentar ocultar este tipo de práticas.

 

Em suma…

Ora bem, tratando-se actualmente este Daniel Santos Morais de um doutorando em Coimbra, esta é uma situação grave, porque demonstra que enquanto estudante e investigador ele pratica abertamente o plágio, utilizando informação de terceiros e reescrevendo fontes sem nunca lhes dar o devido crédito, e se o faz num pequeno artigo publicado online, como o aqui em questão, em que mais já o terá feito antes? Ou, sabendo-se bem que quem plagia não o faz somente uma vez, até quando continuará ele essa sua prática? Será que toda a gente pensa olhar para o lado e assobiar?

Ao mesmíssimo tempo, Paulo Monteiro, sabendo existirem casos de evidente censura e plágio na publicação pela qual nos deu a cara, absolutamente nada faz em relação a isso, preferindo mesmo olhar para o lado e assobiar. Ou seja, numa publicação em que se diz “Reprodução proibida da totalidade dos artigos sem autorização prévia, menção explícita do link e da fonte” [sic.], os direitos dos outros, incluindo os de um jornal nacional, que se lixem!

 

E, na verdade, casos como estes incomodam-nos. Este espaço existe há quase 20 anos para investigar temas pouco conhecidos, em alguns casos o que agora procuramos demorou até meses a descobrir (por exemplo, a lenda do Castigo do Bispo), publicamos os nossos temas sem nunca esperar outra recompensa que não a de espalhar o conhecimento, e depois terceiros não só se aproveitam do nosso conteúdo – o que nos levou até a ter de omitir fontes, excepto quando nos pedem para as incluirmos (e.g. o caso da lenda da Quinta do Anjo) ou as requerem nos comentários, algo que fazemos apenas e somente para dificultar práticas de plágio – como nem sequer se dão ao trabalho de admitir algo tão simples como “eu não sabia nada disto, só o soube porque o li no local X, devia creditá-lo”. Que um doutorando como Daniel Santos Morais não saiba disto, ou até saiba mas prefira ignorá-lo quando bem lhe apetece, é grave; e é igualmente grave que Paulo Monteiro e os seus companheiros, sabendo do que se passa, prefiram censurar comentários que alertam para um plágio, em vez de lutar contra uma prática ilícita que condenam nos outros mas já aceitam quando lhes dá jeito a eles.

 

Não mais falaremos deste tema, até porque já estaríamos a dar demasiado tempo de antena a estas pessoas, e voltaremos daqui a uns dias com algo bem mais interessante para esta quadra do ano…

 

 

 

P.S.- Para quem ainda estiver a querer duvidar deste plágio, expomos aqui alguns paralelismos da lenda tal como ela é contada no jornal Público e como depois foi plagiada por este doutorando conimbricense. Em ambos os artigos a ordem destas afirmações é quase a mesma. Só pode fazer rir o facto de em determinada altura o plagiador se ter distraído e em vez de adaptar uma expressão pouco comum, a ter copiado directamente do jornal (i.e. “ditames masculinos”):

Artigo do Público (1999)

Artigo de Daniel Santos Morais (2022)

St. Uncumber

(não mencionado)

Santa Liberata

Santa Liberata

Santa Vilgeforte

Santa Vilgeforte

infanta filha de rei pagão

Filha de um rei pagão

em território português

nascera na Lusitânia, Portugal

que o monarca oferecera em casamento ao rei da Sicília

fora oferecida em casamento ao rei da Sicília

princesa «bela como uma flor da Primavera»

princesa “bela como uma flor da Primavera”

segundo um martirológio seiscentista

(não mencionado)

não queria casar

mostrando a recusa deste enlace

queria ficar solteira, casta e virgem

em defesa da sua castidade

dizem os católicos

(não mencionado)

não queria render-se aos ditames masculinos

lutando contra os ditames masculinos

era lésbica

a sexualidade da princesa fora rapidamente questionada associando a a heresia da lesbiandade [sic.]

afirmam os hermeneutas mais modernos

(não mencionado)

Na véspera do casamento

(não mencionado)

St. Uncumber rezou intensamente

Recorrendo a inúmeras preces, Vilgeforte

pedindo a Deus que a transfigurasse e tornasse fisicamente repugnante

pedia a Deus que a salvasse e que lhe retirasse a beleza

O pedido foi deferido

Das suas preces parece ter resultado

St. Uncumber acordou naquela manhã com barba e bigode farto

em poucos dias o bizarro mistério em torno do seu corpo, ao qual teria ficado totalmente  coberto por pêlos

e o rei da Sicília desprezou-a

O rei da Sicília (…) desistira dos seus intentos

O rei seu pai mandou crucificá-la.

levando a que o pai da noiva a mandasse crucificar

 

P.P.S.- Na noite de 18 para 19 de Dezembro de 2023 o artigo aqui em questão “desapareceu” da sua publicação original. Falando com evidente ironia, nada da parte destas pessoas diz “não somos culpados de absolutamente nada nem temos nada a esconder” como tentar destruir as provas de um crime! Para evitar que isso acontecesse, fizemos algumas cópias das mesmas, e estão agora acessíveis ao público em Archive.org.

P.P.P.S.- Infelizmente, o tema deste artigo continua numa outra página, com mais novidades…