Quem foi Maria do Carmo de Mello?

Hoje falamos de Maria do Carmo de Mello, cujo nome já teria sido esquecido não fosse a existência de um pequeno cruzeiro no Pai do Vento, Cascais. E não seria caso único – como o Sal da História mostrou há já uns anos, casos parecidos existem por todo o país, em que toda a vida de um ser humano, normalmente jovem, acaba, por mero acaso das circunstâncias, resumida na berma de uma qualquer estrada do nosso país. Assim, quem passar pela cascalense “Avenida de Sintra” poderá ver, muito próxima de duas bombas de gasolina, um pequeno cruzeiro circundado por uma pequena vedação, hoje quase abandonado e esquecido pelo tempo:

O Cruzeiro de Maria do Carmo de Mello

Este cruzeiro, como é aqui fácil de ver, dá-nos muito pouca informação. Contém apenas um nome – Maria do Carmo de Mello – e uma data, escrita como 20-9-1902, talvez porque quem o mandou erguer tenha pensado que não eram sequer necessárias mais explicações. E talvez nem o fossem, não fosse aquele eterno acaso do progresso alterar toda a zona circundante – onde outrora apenas existiam árvores, montes e vales, agora está tudo repleto de casas, como que fazendo esquecer o desastre de outros tempos.

Quem já tiver visto esta zona do Pai do Vento, em Alcabideche, tal como a região era há mais de 100 anos atrás, vê-la-ia quase completamente vazia de ocupação humana. Havia, no entanto, uma pequena estrada de terra batida, onde ocasionalmente passavam carroças, dirigindo-se quase certamente para a zona de Cascais, tendo por isso de suportar os enormes ventos que deram nome ao local – e ele ainda hoje é ventoso, mas talvez agora menos pelas casas que circundam o local.

 

Nesse contexto, a 20-9-1902 passava esta Maria do Carmo de Melo pelo local, acompanhando o pai numa viagem de charrete, quando um enorme vento se levantou e causou um acidente. O pai, António Maria Vasco de Melo Silva César e Meneses, que até era o nono Conde de Sabugosa, sobreviveu, apenas macerado na carne, mas a sua filha faleceu no local – e o seu elemento paterno, com uma óbvia e notória tristeza, depois erigiu este pequeno monumento, hoje já quase esquecido, no local em que tinha visto a sua amada filha a perder a vida. Hoje, talvez seja relembrada por ele e por pouco mais.

 

Talvez esta espécie de tradição se tenha perdido ao longo dos anos, talvez as pessoas já não sintam o sofrimento como em outros tempos, mas quantos mais monumentos semelhantes existirão, ainda, pelo país fora? Quantos deles já terão sido esquecidos e feitos perder pela crueldade do tempo? Como nos casos da Cruz da Popa e da Arranca-Pregos, também geograficamente próximos da história e hoje, é provável que também esta pequena história acabe esquecida mais tarde ou mais cedo…

A lenda das Crianças Verdes de Woolpit

A lenda das Crianças Verdes de Woolpit vem de uma pequena aldeia inglesa, no condado de Suffolk, leste de Inglaterra. Diz-se que a sua história tomou lugar em finais do século XII, mas o curioso é que parecem existir provas de que ela poderá ter sido bem real. Mas, como já é costume, já lá iremos, por agora convém introduzir sucintamente toda a lenda.

As Crianças Verdes de Woolpit

Conta-se então que numa data agora desconhecida do século XII alguns habitantes da zona de Suffolk andavam a passear nas florestas locais quando aí encontraram duas crianças, as tais que ficariam conhecidas sob o nome de Crianças Verdes de Woolpit. Elas eram completamente iguais às humanas, excepto pelo facto de terem uma pele verde, de terem umas roupas que nunca ninguém tinha visto, e falarem uma língua completamente desconhecida. Mas, apesar de estas diferenças, ainda eram crianças e, por isso, os cidadãos locais decidiram recolhê-las e protegê-las. Se, inicialmente, elas nem comiam nada, às tantas lá se descobriu que gostavam de feijões verdes. Depois, foram crescendo (e perdendo a cor verde), até que uma delas – a do sexo masculino – faleceu por razões desconhecidas. A outra, que se supõe ter sido sua irmã, foi baptizada com o nome de “Agnes”, aprendeu a língua inglesa e acabou por revelar que vinha de uma misteriosa “Terra de São Martinho” (seria o santo de Tours? Não é claro…), nos subterrâneos da terra. E, muito inesperadamente, diz-se até que ela casou e teve pelo menos um descendente…

 

Se este último elemento poderia atestar a veracidade de pelo menos uma parte da história das Crianças Verdes de Woolpit, há também que notar que histórias portuguesas da mesma época contêm elementos semelhantes. Tanto Dona Marinha como as Damas de Pés de Cabra tiveram descendentes, mas é seguro pensar que ninguém as considera como personagens históricas de existência bem real. Será, por isso, que estas crianças vieram do mesmo sítio que essas suas companheiras nacionais, de aquela eterna terra da imaginação humana? Talvez sim, talvez não, mas duas crónicas da época asseguram-nos da sua existência, ao ponto de ainda hoje, quase 800 anos depois, a vila inglesa de Woolpit ainda ter esta história como um dos seus elementos mais emblemáticos…

O mito do Mogwai (e os Gremlins)

Na cultura ocidental o nome do Mogwai é particularmente famoso do filme Gremlins, de 1984, em que é o de uma criatura bastante fofinha que pode ser vista, já com má cara, na imagem abaixo. Porém, o que muito menos leitores provavelmente saberão é que a ideia por detrás desta singela criatura vem dos mitos e lendas da China, com o próprio filme a adaptar parte dos mitos originais.

O mito do Mogwai (e os Gremlins)

No vídeo abaixo, por exemplo, pode ser vista uma sequência inicial do filme Gremlins, em que uma das personagens se depara com um mogwai (魔鬼) numa loja. Ficamos sem saber bem porque razão ele lá estava, visto que o proprietário nem parece muito interessado em vendê-lo, mas ele lá é vendido e ao novo dono da criaturinha são dadas três regras basilares – o “bicho”, que depois adoptará o nome de “Gizmo”, não deveria ser exposto ao sol, não deveria entrar em contacto com a água, nem deveria ser alimentado após a meia-noite. Essas regras até podem levantar todo um conjunto de grandes questões filosóficas, mas, na verdade, provêm de uma adaptação de alguns elementos da criatura chinesa original.

Essencialmente, este Mogwai não devia ser exposto à luz porque apesar da sua forma toda bonitinha, é uma criatura demoníaca, uma das muitas do séquito de Mara (que já conhecemos da história de Sidarta Gautama), e por isso fazia muitas maldades. Depois, não devia comer após a meia noite porque isso lhe dava força e pujança reprodutiva – o que leva ao último elemento, já que no mito original era a altura das chuvas que causava o seu período reprodutivo. E porquê as chuvas? Simplesmente porque podem ser interpretadas, metaforicamente, como as antecessoras de um bom período de colheitas, onde irá existir muita comida (o que, novamente, nos leva ao ponto anterior). Mas, curiosamente, não encontrámos qualquer história em que este monstrinho se transforme em outras criaturas*, sendo essa parte da história uma mera adaptação para a história do próprio filme.

 

Agora, poderíamos ainda tentar contar aqui alguma história associada ao próprio Mogwai , uma provinda da China, que o afastasse do nosso filme Gremlins, mas muito infelizmente não conseguimos encontrar nenhuma. Isto porque as histórias sobre a própria criatura chinesa se parecem ter esquecido progressivamente ao longo dos séculos – como, por exemplo, as de Zigu, que já poucos chineses parecem conhecer – sendo ela hoje quase somente um dos (muitos) sinónimos para aquele conceito que na cultura ocidental chamaríamos pura e simplesmente “demónio”.

 

 

*- O que são, então, os tais “Gremlins”? Talvez regressemos a esse tópico um outro dia, mas por agora podemos resumi-los como criaturas mitológicas europeias que nasceram no século XX e a quem se atribui a função geral de causar danos em equipamentos electrónicos, e.g. se o vosso telemóvel deixou de funcionar sem razão aparente, foram eles!

“Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa”, de Francisco de Holanda

Falar sobre esta obra, Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa, de Francisco de Holanda, implica necessariamente abandonar os processos habituais de todo este espaço para aqui contar uma história que me é bastante pessoal. In illo tempore uma amiga pediu-me que lhe encontrasse uma cópia da obra a que se referem as linhas de hoje. “Que terá isso de complicado?”, pensei eu, e depressa consegui encontrar uma edição, penso que de inícios do século XX, que continha todo o texto adaptado de duas das obras deste autor. Porém, quando a entreguei à minha amiga, ela explicou-me que o grande problema não era o de encontrar uma edição textual desta obra, mas sim uma em que constassem os desenhos originais, feitos pelo autor, que em quase todos os casos apresentam as suas sugestões para melhorias que poderiam vir a ser feitas na cidade de Lisboa, e onde são apresentadas pérolas como esta, para a renovação de uma ponte sobre o Tejo na zona de Abrantes:

'Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa', de Francisco de Holanda

Na altura não foi possível localizar a obra em questão, numa edição que tivesse os respectivos desenhos, mas prometi-lhe que, custasse o que custasse, lhe arranjaria um dia uma cópia da mesma…

 

De que fala, portanto, esta Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa, da autoria de Francisco de Holanda? O seu título não é muito claro, em virtude da forma como a língua portuguesa foi evoluíndo ao longo de mais de quatro séculos, mas ele refere-se a uma sugestão de construções que, segundo o próprio autor, muito beneficiariam a cidade de Lisboa – fortificações, pontes, locais religiosos, etc., que o autor diz ter testemunhado no exemplo de outras grandes cidades europeias e que pareciam faltar na capital de Portugal. O rei Dom Sebastião acabará por nunca as realizar, por razões que nos são bem conhecidas, mas o interesse da obra é essa sugestão de novas construções para a cidade, que não só o autor deixou por escrito, como também desenhou, em jeito de uma proposta mais concreta. Talvez não sejam desenhos tão belos como os que o autor nos deixou no seu De Aetatibus Mundi Imagines, mas pelo menos referem-se a temas mais reais e que muito teriam embelezado a nossa capital de Portugal.

 

Também, é importante frisar que, aqui e ali, o autor desta Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa faz brevíssimas alusões a mitos e lendas da sua época, desde a fundação de Lisboa por Ulisses até ao famoso caso de São Vicente, passando por uma estranha violação da hóstia no ano de 1552. Esta não é, muito claro está, uma obra de grandes conteúdos mitológicos, mas por essas ténues referências podemos construir uma ideia geral das histórias que se contavam sobre – e em – Lisboa nessa segunda metade do século XVI.

 

Mas… porquê falar desta obra agora? Para terminar a história presente no início da publicação de hoje, há uns meses contactei a Biblioteca de Ajuda, onde está hoje o único manuscrito desta Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa, e fui informado que foi recentemente produzido um fac-símile da obra original, que também inclui todos os desenhos. Infelizmente, parece que (agora) até já está em ruptura de stock, mas pelo menos consegui adquirir, para uma biblioteca privada, uma cópia da obra antes de ela se voltar a tornar inacessível ao cidadão comum.

 

Por isso, para ti… que nunca irás ler estas linhas, consegui o que te prometi. Um dia prometi-te que encontraria uma cópia desta obra e acabei por fazê-lo. Demorei alguns anos, já não poderás vê-la aí onde estás, isso macera-me o coração e a alma, mas cumpri a minha promessa (!), e que me perdoem todos aqueles que queiram levar a mal o tema (pessoal) deste dia de hoje. Feita então esta ressalva pessoal, volto, com os meus colegas, aos temas habituais no início da semana que vem!

Adolf Hitler tinha sangue judeu?

Se, há uns anos atrás, alguém nos viesse perguntar se Adolf Hitler tinha sangue judeu, a pergunta pareceria muitíssimo estranha. Seria respondida com algo como “O quê? Estás maluco? Claro que não!” Mas, desde há uns tempos para cá, como aludimos recentemente, essa sugestão parece ter-se tornado mais frequente, razão pela qual achámos que seria muito apropriado dedicar algumas linhas ao tema, seja para confirmar toda esta estranha ideia, ou para a negar de uma vez por todas. Nesse seguimento, qual é mesmo a verdade por detrás de toda essa questão? Para que ela possa ser compreendida há que, talvez mais que tudo, tentar procurar as respostas num breve passo a passo, como faremos abaixo, para deitar este tema por terra de uma vez por todas.

 

Em que consiste ‘ter sangue judeu’?

Saber se o ditador alemão “tinha sangue judeu” implica, muito naturalmente, começar por definir esse estranho conceito. É certamente possível que pelo menos um dos seus muitos ascendentes fosse judeu (como os nossos ou os de qualquer outro leitor…), porque é impossível traçar o percurso das nossas famílias até ao início dos tempos. Porém, desde tempos da Inquisição que esta mesma expressão e conceito foram sendo adoptados num sentido muito concreto – não o de uma ascendência quase eterna e impenetrável, mas uma que se prolonga por apenas três gerações, em que bastaria a pequena presença de, por exemplo, um único judeu entre os oito bisavós de Adolf Hitler para considerar que esta figura histórica tinha ascendência judaica. Seria esse o seu caso, ou nem por isso?

 

O que sabemos sobre a família de Adolf Hitler?

Hoje, é muitíssimo fácil abrir um qualquer motor de busca e tentar pesquisar a família do ditador alemão, com a intenção de saber se pelo menos um oitavo dos seus antecessores era de origem judaica. Sem muito trabalho, depressa se consegue encontrar um diagrama como o reproduzido abaixo (provindo da Wikipedia), que aqui foi adaptado para mostrar os pais, avós e bisavós dessa figura.

A família de Adolf Hitler

Muito poderíamos escrever sobre toda esta família, mas o mais importante para o tema de hoje concentra-se no lado esquerdo, relativamente à verdadeira identidade do avô paterno de Adolf, a figura com quem uma tal Maria Schicklgruber teve o seu único filho, a quem deu um nome que acabou imortalizado sob a forma de Alois Hitler. Explicar tudo o que aconteceu com esta família seria uma verdadeira telenovela do século XIX, mas podemos resumi-lo assim – quando este jovem nasceu, a mãe deixou claro, de forma oficial, que não queria revelar a identidade do pai do menino. Posteriormente, isto levaria a imensas confusões, e então, após a morte de um tal Johann Georg Hiedler, foi declarado que este tinha sido o seu pai para todos os motivos legais – quanto mais não fosse, para que pudesse vir a receber a sua devida herança!

Face a este problema, saber a ascendência de Adolf Hitler passa, mais que tudo, por saber com quem a sua avó, Maria Schicklgruber, gerou o pai do ditador. Não há qualquer informação completamente fidedigna, irrefutável, mas as três grandes teorias dos nossos dias dizem que ele terá sido: a) Johann Georg Hiedler; b) Johann Nepomuk Hiedler, irmão mais novo do anterior; ou c) um judeu de nome Leopold Frankenberger.

 

Quem foi Leopold Frankenberger?

Se o avô de Adolf foi um dos irmãos Hiedler – depois “Hitler”, tendo o nome sido alterado por razões agora obscuras – tudo bem, eles não tinham sangue judeu. Mas, a tratar-se de um tal Leopold Frankenberger, cujo próprio nome até indica ascendência judia, isso queriria dizer que o ditador tinha, efectivamente, sangue judeu, o que era um problema muito significativo para a carreira política de Adolf – para fazer uma espécie de comparação com os dias de hoje, seria como um partido político ter um dirigente cigano e mesmo assim querer exterminar todos os ciganos!

Mas será isto um mito, ou a mais pura realidade? Existiram, na altura da sua ascensão, diversas controvérsias sobre a ascendência do futuro ditador, mas não pode deixar de se considerar curioso que nunca ninguém tenha levantado a possibilidade directa de ele ser filho de um judeu, ou pelo menos não com o surgimento de um nome ou identidade concreta, de alguém que se tenha chegado à frente e dito que sabia que o verdadeiro avô era a pessoa X. Só depois da guerra é que surgiu, pelas palavras de Hans Frank (sem qualquer relação com a famosa Anne Frank!), antigo advogado do ditador, uma história intrigante…

 

Segundo ela – e recordamo-la aqui por mero título de curiosidade – numa dada altura alguém tentou chantagear Adolf Hitler, pedindo dinheiro em troca de ocultar a sua ascendência judia. O político parecia desconhecer por completo essa estranha possibilidade, até por nunca ter conhecido os avós paternos, e então pediu que ela fosse investigada. Hans Frank disse tê-lo feito, e supostamente encontrou informação que dizia que quando Maria Schicklgruber engravidou trabalhava na cidade de Graz, em casa de uma família judaica de nome “Frankenberger”, e se envolveu com um jovem de 19 anos, Leopold (outras versões falam de uma verdadeira violação, até porque a senhora já tinha cerca de 41 anos aquando dessa sua única gravidez).

 

Leopold Frankenberger foi avô de Adolf Hitler?

Claro que esta possibilidade é muito intrigante, sem qualquer dúvida, mas quando se começa a explorar a sua possível veracidade depressa começam a surgir diversos problemas, que nos impedem de afirmar, com certezas, que este Adolf Hitler tinha sangue judeu. Não iremos falar de todos eles, por motivos de tempo e espaço (e até porque este é um espaço de mitos e lendas!), mas talvez os três mais notáveis sejam o facto dos Judeus terem sido expulsos de Graz vários séculos antes; de não existir registo de qualquer família “Frankenberger” com um filho de nome “Leopold” cuja data de nascimento bata certo com toda esta ideia; e de Hans Frank só ter mencionado toda esta história após a guerra, quando nada tinha a perder (nem ninguém para o refutar), e tudo a ganhar para a sua causa anti-semita, ao inventar esta estranha possibilidade.

Alois Hitler, pai de Adolf Hitler, tinha sangue judeu?

Conclusão: Afinal, Adolf Hitler tinha sangue judeu?

Se sabemos que a família de Adolf Hitler teve uma história complicada, também está comprovado que aproximadamente sete oitavos dos seus ascendentes não eram judeus. Não sabemos com quem é que a sua avó materna, uma tal Maria Schicklgruber, teve o filho Alois (visível na imagem acima), pai de Adolf, mas é importante notar, nesse ponto, que salvo uma única história, claramente ficcional e que não é suportada por quaisquer provas reais, e que até só apareceu no pós-guerra por via de uma fonte enviesada, não existem provas de que este senhor de bigode farfalhudo tenha tido ascendência judaica. Ao mesmo tempo, existem algumas provas circunstanciais de que ele tenha sido filho de um dos irmãos Hiedler, Johann Georg ou Johann Nepomuk, quanto mais não seja porque a mesma senhora depois casou com o primeiro.

Portanto, a maior parte dos constituintes de família hoje-conhecida como “Hitler” era comprovadamente cristã, e se Maria Schicklgruber, avó de Adolf, nunca parece ter revelado quem foi o pai do seu único filho, não temos qualquer prova real para afirmar que ele era judeu. Claro que também não temos grandes provas concretas em contrário, mas pelo menos existem alguns indícios de que a mãe tinha alguma ligação notável à família Hiedler, que não era judia.

 

Como tal, dizer que Adolf Hitler tinha sangue judeu é falso, na medida em que não existem quaisquer provas reais dessa possibilidade, com excepção de uma história falsa e inviesada, certamente inventada por Hans Frank, antigo advogado do ditador, por volta do ano de 1946. Não fosse essa infame história – que, relembre-se ainda mais uma vez, é falsa e não tem provas reais a suportá-la – e ninguém ousaria dizer, hoje, que o responsável pela morte de tantos judeus era, também ele, seu consanguinário. Afirmá-lo assim, de uma forma tão pouco suportada por quaisquer provas reais, é uma completa abominação, e deveria ser feito com muito mais prudência e cautela nos nossos dias, dadas as horrendas implicações que pode gerar…