A lenda de Ilvala e Vatapi

A lenda de Ilvala e Vatapi vem-nos de terras da Índia, sendo referida de uma forma breve no épico Mahabharata. Não parece ser uma história com grande importância cultural, mas decidimos que devíamos contá-la por cá face a um elemento muito incomum presente na sua narrativa.

 

Ilvala e Vatapi eram dois irmãos da classe dos asuras, uma espécie de semideuses do Hinduísmo. Um dia, um deles pediu a um sábio que lhe concedesse um desejo, o de vir a ter um filho com poder maior do que o de Indra, rei dos deuses. O sábio negou-lhe este pedido. Muito irritados com essa acção, pelos seus poderes de transformação Vatapi adoptou a forma de uma cabra e foi cozinhado. Depois, foi servido em jantar ao sábio… mas quando já se encontra dentro da barriga deste homem, o irmão do “comido”, Ilvala, pediu a este que voltasse à sua forma original. E isso aconteceu, a transformação desfez-se, e feito homem no interior da barriga de outro, os efeitos foram de tal forma grotescos que explodiram com a barriga do sábio, matando-o!

Depois, Vatapi e Ilvala repetiram estas acções com muitos outros sábios, conduzindo-os à sua morte, até que se depararam com um novo sábio de nome Agastya, que foi capaz de digerir completamente o primeiro dos irmãos, antes de matar o segundo de uma forma bem mais física.

 

Esta é uma das muitas histórias, aparentemente exemplares, que podem ser lidas no decurso da trama do Mahabharata. Como aqui já dissemos, ela não parece ter nada de muito particularmente digno de nota, com excepção do facto de apresentar o estranho elemento de um vilão que mata os seus inimigos de uma forma tão invulgar como a relatada acima. Alguns episódios como estes até aparecem em séries de manga e anime do Japão, mas esta parece ser a mais antiga referência a um episódio ficcional desta natureza.

“Livro Da Seita Dos Indios Orientais”, de Jacobo Fenicio

Enquanto ainda decorre o nosso concurso de poesia – e já temos várias dezenas de concorrentes! –  decidimos aqui abordar um tema que tinha ficado para trás desde há algumas semanas. Este Livro Da Seita Dos Indios Orientais, da autoria de Jacobo Fenicio, é um manuscrito que merece ser apresentado por cá pelo seu carácter muitíssimo único. De forma breve, podemos dizer que se trata de um dos primeiros livros ocidentais sobre as crenças, mitos e lendas do Hinduísmo, que o seu autor – também conhecido por Giacomo Fenicio ou Arthunkal Veluthachan – procurou apresentar aos Europeus. E essa é uma tentativa que tem pontos positivos e negativos, como iremos ver em seguida.

Livro Da Seita Dos Indios Orientais, de Jacobo Fenicio

Neste Livro Da Seita Dos Indios Orientais é sem qualquer dúvida notável que, por uma das primeiras vezes, um autor europeu tente sintetizar as crenças provindas de Índia. Ele conta, de uma forma mais ou menos detalhada, diversas histórias significativas, em alguns casos referindo até várias versões regionais das mesmas. Entre elas, dedica muitas páginas a toda a importante trama do Ramayana, enquanto que o Mahabharata já é resumido de uma forma muito breve, exaltando-se assim uma (aparente) importância cultural do primeiro face ao segundo.

 

Ao mesmo tempo, este mesmo Livro Da Seita Dos Indios Orientais também tem um elemento que poderá ser menos positivo para quem o pretender ler com a intenção de chegar aos mitos e lendas originais (como foi o nosso caso). Se o autor conta as histórias referidas acima, parece fazê-lo essencialmente para que as possa refutar (chega até a chamar-lhes “fábulas como as de Ovídio“), para mostrar o que ele considerava, à lua da teologia cristã, ser um certo absurdo pagão nas suas tramas. Assim, a obra contém igualmente comentários pessoais do seu autor, em que exalta as crenças cristãs e tenta diminuir as dos locais, o que é justificável, já que se trata de um padre e membro da Sociedade de Jesus. Alguns destes são breves e podem fazer sorrir o leitor, enquanto que outros abrangem capítulos inteiros e pouco acrescentam à representação das histórias originais.

 

Portanto, o Livro Da Seita Dos Indios Orientais, de Jacobo Fenicio, tem o seu interesse por nos preservar, naquela que parece ter sido uma das primeiras vezes, as histórias de um oriente hindu à vista nova de um intérprete ocidental. Merece ser lido em virtude de toda essa novidade, mas aos potenciais leitores também deve ser alertado o facto da obra conter várias sequências teológicas nas quais poderão não encontrar um interesse tão grande. Poderão passá-las à frente sem se perder muita informação real sobre as tais sequências mitológicas, mas elas estão na obra original.

A lenda de Krishna

Falar da lenda de Krishna não seria, normalmente, uma tarefa fácil. Conforme referimos quando cá falámos sobre os avatares de Vishnu, “ainda há dias um amigo que pratica activamente a religião hindu nos dizia, com enorme ênfase, que Krishna não era um avatar [do deus], mas sim a maior expressão do mais elevado dos deuses hindus. São muitos os crentes que partilham de essa mesma ideia”. Como tal, face a esta visão dupla desta figura do Hinduísmo, seria difícil conseguirmos contar a sua história, como já fizemos antes para alguns dos outros avatares. Por isso, em alternativa, decidimos tentar algo de completamente novo, pela mais pura curiosidade – em busca de uma completa isenção religiosa, abordámos um algoritmo de IA e, sem lhe dar qualquer contexto adicional, pedimos-lhe que nos contasse, em língua portuguesa, a história desta figura. E o resultado, que compõe o cerne do tema de hoje, foi o seguinte:

A lenda de Krishna

Krishna é uma figura central na religião hindu. Sua história é ampla e abrange muitos aspectos da mitologia indiana, incluindo suas façanhas como um jovem pastor, seus ensinamentos como um sábio e sua liderança como um guerreiro.

Krishna nasceu na cidade de Mathura, na Índia, cerca de 5.000 anos atrás. Sua mãe, Devaki, era irmã do rei Kamsa, que governava a região. Quando um profeta previu que o oitavo filho de Devaki seria responsável por derrotar Kamsa, ele decidiu matar todos os filhos de Devaki para garantir sua própria segurança. No entanto, Krishna foi salvo da morte quando sua mãe o enviou para ser criado por pastores na aldeia de Vrindavan.

Em Vrindavan, Krishna cresceu como um jovem pastor, brincando com suas amigas e lutando com demônios que ameaçavam a paz da região. Ele ficou especialmente conhecido por sua habilidade com a flauta, que ele usava para encantar animais e humanos.

Krishna retornou a Mathura quando adulto para enfrentar Kamsa e libertar seu povo da tirania. Ele liderou uma série de batalhas contra as forças de Kamsa, incluindo um duelo final no qual ele matou o rei com suas próprias mãos.

Depois de derrotar Kamsa, Krishna tornou-se um líder espiritual e ensinou as pessoas sobre a natureza da alma e a importância de se viver uma vida justa e honesta. Ele também teve um relacionamento próximo com a deusa Radha, que é frequentemente descrita como sua amante.

A história de Krishna é rica em simbolismo e significado, e suas lições continuam a ser ensinadas e praticadas na religião hindu até hoje. Ele é frequentemente retratado como um avatar, ou encarnação, do deus Vishnu, e sua imagem é reverenciada em todo o mundo.

 

O que esta formulação de toda a história tem de notável – além de aquilo que uma leitora designou um “texto sem alma e sem estilo” – é que deixa quase de lado a ideia de ele poder ser um avatar de outro deus, só aludindo a isso já na última frase. Desconhecemos, mais precisamente, como foi obtida toda esta informação pelo tal algoritmo (ele foi repetidamente incapaz de nos citar quaisquer fontes), mas é de presumir que se tratará da versão mais famosa de toda a trama. Por isso, a ter de ser contada alguma versão basilar destes eventos, que fique essa por aqui, uma que bem atesta a incompletude e falta de estilo da informação dada por esses estranhos algoritmos informáticos, mas que, pelo menos, permite uma informação isenta das paixões religiosas que um tema como este poderia suscitar…

As lendas de Varaha e Narasimha

Na longa sequência de outras lendas dos avatares de Vishnu, contamos hoje aqui as de Varaha e Narasimha. Porém, mais do que as recontarmos com as nossas próprias palavras, como já aqui fizemos para outras (e.g. Matsya e Kurma), iremos fazer algo um pouco diferente – na Biblioteca Nacional de Portugal existe uma obra manuscrita de título Noticia Summaria do Gentilismo da Azia, de meados do século XVIII, que conta de uma forma relativamente breve muitos dos principais mitos da Índia. Entre eles contam-se, como é natural, os relativos a estes dois avatares, pelo que hoje contaremos as suas respectivas histórias com as mesmas palavras com que essa tal obra as resume, ligeiramente adaptadas para facilitar a leitura nos nossos dias:

 

Da terceira encarnação, a que chamam Varaha Avatar.

Na primeira época [do mundo] houve outro movimento na terra a cujo rigor ficou inclinação pelos lados e о mesmo artifice, em figura de um quadrúpede chamado Varaha, fixando os seus dentes nas extremidades da mesma terra, fez conservá-la firme daquele movimento.

 

Da quarta encarnaçâo a que chamam Narasimha Avatar.

Na dita primeira época [do mundo], um imperador chamado Iranne Caxiepo, filisteu muito poderoso, teve um filho chamado Pralahado : o dito imperador deu-se todo ao serviço de Shiva e conseguiu dele a felicidade de ser insensível, e de nenhum mortal, por mais ardiloso que fosse, o pudesse privar de vida humana. E como se achou nessa excelência, fulminou decretos e mandos no seu império, que pessoa alguma debaixo da pena capital adorasse a outros deuses mais que tão somente a Shiva, a quem ele dava о culto, em cuja determinaçao se praticou no dito império.
Porém, o seu filho Pralahado adorava unicamente ao omnipotente [Vishnu], e assim persistiu nessa adoração, não reconhecendo a outro algum por deus. Soube о imperador que só o seu filho preteria os seus decretos, e irado contra ele quis apurar a sua paixão, mandando-o lançar no fogo de vivas fogueiras, despenhar dos altissimos montes, e meter no mar profundo, de que ficou [sempre] vencedor este, por soccorro do omnipotente.
Por último, como a cólera do imperador não se abaixava, conduziu o filho à sua presença e perguntou-lhe onde estava o deus que ele adorava. Este respondeu que estava em toda a parte. Tornou a perguntar-lhe o mencionado imperador se estava também na coluna de pedra preta que aí estava, e disse о filho que sim, pois logo havia de mostrar о contrário, que a cabeça havia de mostrar fora dele, a qual proposição conviu o dito filho, sempre firme na omnipotência do deus, e pondo-se em oração, foi-se abrindo a dita coluna de pedra e aí foi visto Vishnu em figura humana, e arremetendo-se com furor contra о imperador, о deixou em pedaços e pegou do seu filho Pralahado e o pôs no trono imperial.

 

De um modo muito geral, estes dois resumos até captam os elementos mais essenciais das lendas de Varaha e Narasimha, mas (infelizmente) omitem alguns pormenores deliciosos que parecem unir as duas histórias. Na primeira delas, se o deus Vishnu tomou efectivamente a forma de um javali para salvar a terra de um conjunto enorme de terramotos que a assolavam, algumas versões atribuem essas calamidades a um deva chamado Hiranyaksha, que acabou morto por esta divindade, como mostrado ali na imagem.

Uma estátua de Narasimha

Algum tempo depois (que nisto dos multiversos é sempre difícil controlar datas…), quando Vishnu tomou a estranha forma de um homem-leão, fê-lo para destruir a figura a que o texto em português chama “Iranne Caxiepo”. Ora bem, este Hiranyakashipu – como ele é chamado na versão original – era irmão do causador dos tais terramotos, e então, horrorizado com o destino do seu familiar, rezou e meditou durante anos, até que o deus Shiva lhe decidiu conceder um dom. Ainda descontente com o triste destino do irmão, este deva pediu então uma quase imortalidade* – não podia ser morto durante o dia ou durante a noite; nem por homem, nem por animal; nem no interior de algum lugar, nem no exterior; entre outras limitações. Depois, quando Narasimha saiu da tal coluna negra, agarrou este monarca num abraço letal, esperou pelo momento do pôr do sol, arrastou-o para a ombreira de uma porta e devorou-lhe as entranhas, matando-o, como também mostra a imagem acima.

 

Se até existe esta ligação curiosa entre as duas lendas, devemos esclarecer que esta ponte entre elas não é verdadeiramente original. Ela parece ter sido adicionada a toda a história num período mais recente, possivelmente quando se estabeleceu uma espécie de cânone dos avatares de Vishnu, pelo que nas versões mais antigas Varaha veio ao mundo “apenas” para salvar o nosso mundo de enormes terramotos, enquanto que Narasimha sempre foi uma espécie de ligação entre os avatares do deus que eram animais e os que são, depois, já completamente humanos.

 

Para terminar, talvez mais algumas notas sobre o tal livro Noticia Summaria do Gentilismo da Azia. Por um lado, ele preserva-nos uma visão ocidental de algumas das principais lendas da Índia, juntamente com algumas belíssimas representações alusivas a elas, cujo número varia de edição para edição (encontrámos pelo menos três, uma delas pode ser encontrada nesta página…); mas, por outro, a forma como reconta algumas dessas histórias é demasiado sucinta, incompleta, difícil de seguir por quem ainda não as conhecer minimamente. É uma espécie de introdução ao tema para quem já não precisa dela, talvez mais focada para uma espécie de cristalização das crenças de uma região indiana em determinado período da sua história, do que em sumarizar, de forma contínua e bem perceptível para o leitor, as mesmas tramas. Portanto, talvez até seja um texto interessante para aprender um pouco mais sobre estes temas, mas não é indica para uma verdadeira introdução, mesmo que o título o pareça sugerir…

 

 

*- Porque não pediu ele uma imortalidade plena? Claro que é uma boa questão, mas neste caso a resposta é igualmente válida e aparece bem explícita nas lendas hindus – se foram várias as figuras que até tentaram pedir aos deuses uma imortalidade completa, estes rejeitam sempre concedê-la, propondo depois alternativas que, impreterivelmente, têm alguma falha e acabam por levar à destruição de quem as pediu.

A Verdadeira Origem do Multiverso

Hoje em dia parece falar-se muito sobre o conceito de multiverso, mas igualmente pouco sobre a sua origem real. Isso dá, falsamente, a ideia de que todo este conceito é uma invenção moderna, completamente nascida já nos nossos dias. Assim, ele aparece na série animada Family Guy, em filmes como Spider-Man: No Way Home, Doctor Strange in the Multiverse of Madness, em repetidas fanfics, e em muitos locais como uma ideia já bem assente na nossa cultura popular, mas sem que alguma vez pareça ser explicado de onde nasceu. E, assim sendo, decidimos hoje tentar explicar de onde vem toda esta ideia, que parece ser cada vez mais popular nos nossos dias.

A Origem do Multiverso (e o Family Guy)

Na imagem acima pode ser vista uma cena do primeiro episódio da oitava temporada do Family Guy, em que duas das personagens principais viajam através de diversos universos, cada qual com as suas características particulares. Um dos mais intrigantes (e que optámos por mostrar aqui), é um em que todas as personagens são representadas como se vivessem num filme da Disney, em que até cantam músicas e outras coisas que tais. O episódio em questão é de Setembro de 2009, ainda uns anos afastado dos filmes de agora, mas acaba por levantar uma questão – se pudessemos seguir essa corrente de possíveis multiversos até à sua origem, onde iríamos dar? Qual é, pergunte-se, a primeira de todas as fontes para esta ideia que tanto reutilizamos hoje em dia?

 

Hanuman e a Origem dos Multiversos

Essa busca por respostas levou-nos, eventualmente, ao Ramayana. Por toda a Índia, e até por alguns dos países vizinhos, existem diversas versões do épico que divergem das versões, que até são as mais famosas, de Valmiki e de Tulsidas. Seria aqui difícil explicar quais são os elementos comuns e os divergentes em cada uma delas, mas o traço que as une é bem captado numa lenda indiana que é acessória à trama do épico. Relate-se aqui essa lenda, que encontrámos por mero acaso, para que se consiga, depois, compreender melhor todo o conceito de multiverso, bem como da sua respectiva origem.

 

Conta-se que nos últimos dias da sua vida Rama deixou cair um anel ao chão. Foi incapaz de o encontrar, e então pediu ao seu fiel companheiro Hanuman, o deus-macaco, que o fosse procurar. Nessa busca, esta figura, ainda hoje muito popular nas terras da Índia, desceu ao submundo e encontrou um dos seus monarcas. Quando lhe explicou o que andava a fazer por esses estranhos locais, Yama mostrou-se estupefacto, mas decidiu ajudar nessa procura pelo anel. Então, pediu a um dos seus servos que trouxesse um enorme prato onde estavam infindáveis anéis que tinham caído para o submundo. Todos eles eram muito parecidos, quase iguais. Hanuman não sabia o que fazer, não sabia qual deles era o do seu amado Rama, e então perguntou ao rei dos mortos qual era o correcto, aquele que procuravam. Este monarca, igualmente desesperado, disse-lhe: “Rama veio muitas vezes a este mundo. Em cada uma das suas vidas, pouco antes de morrer deixou cair um anel. Todos eles lhe pertencem.”

 

O que esta lenda tem de muito especial é o facto de possibilitar a existência de um mundo em que não existe apenas um Ramayama, uma versão oficial de toda a história do épico, mas em que muitas versões tiveram lugar e em que todas elas podem ser apresentadas como igualmente válidas, por muito estranhas que até nos possam parecer – existem, por exemplo, algumas em que Ravana até é o herói da história, outras em que Sita não é rejeitada por Rama no final, e assim por diante, numa infinidade de possíveis narrativas em que as semelhanças e as divergências são sempre mais que muitas e bastante difíceis de traçar… e não é caso único – numa outra versão do poema épico, quando Sita deseja seguir Rama para a floresta, uma das razões que ela dá em favor da sua decisão é “já foram escritos tantos outros Ramayanas, conheces algum em que Sita não acompanhe Rama?!”, e o herói acaba por dar-se por convencido face a esse invulgar argumento.

 

Mas, deixando de lado essas antigas lendas, podemos agora voltar ao tema da origem do multiverso. Parece ter sido, originalmente, um conceito asiático, derivado do Budismo e do Hinduísmo, em que se acredita numa infinidade de existências que nos precederam e incontáveis outras que se nos seguirão. Por essa perspectiva, cada um de nós viveu 300000 vezes e viverá 300000 mais, numa espécie de bailado eterno em que tudo aquilo que existe passa de existência em existência sem cessar. Poderá, nesse seguimento, existir um universo com um Porco Aranha, outro com uma Mulher Aranha, um terceiro em que Peter Parker é órfão, um quarto em que ele vive com o Batman, e assim por diante…

 

Em suma, qual é mesmo a origem do conceito de multiverso? Seguindo os fundamentos de todo o conceito até ao nosso passado cultural mundial, é bastante provável que toda esta ideia tenha originado no Budismo ou no Hinduísmo, religiões em que ainda hoje se acredita numa infinidade de existências, que começaram com um de muitos inícios do universo e terminarão, um dia mais tarde, com uma das suas quase-infinitas extinções. De todo esse conceito é um excelente exemplo a lenda indiana que reproduzimos acima, em que o deus Hanuman é confrontado com o mistério das repetidas existências humanas e se mostra tão estupefacto como nós em virtude da existência, passada e futura, de tantos homens a que ele também poderia chamar Rama.