Como morreram os deuses gregos, como foi o seu fim? Provavelmente na sequência de jogos como God of War, já muitos foram os leitores que procuraram neste espaço mitos relativos a esse evento. A famosa morte de Zeus já aqui foi falada há muitos anos, mas achámos que já era hora de responder a essa pergunta – afinal de contas, como morreram os deuses gregos?
Para responder a essa questão importa, antes de tudo o resto, saber dividir o panteão grego em três grupos diferentes, cada qual com as suas características e destinos bem diferentes.
Em primeiro lugar surgem aquelas divindades que são completamente eternas, até pelo facto de a sua presença nos mitos ser muito limitada ou quase inexistente. Figuras como o Caos e Gaia (da Teogonia de Hesíodo), o Motor Imóvel de Aristóteles ou, de um modo mais geral, todas aquelas figuras anónimas por detrás da criação dos vários universos gregos e romanos, nunca morrem, até porque a sua existência é quase puramente etérea.
Num segundo lugar poderíamos colocar os mais famosos deuses, figuras como Zeus, Atena, Ares, Afrodite ou Apolo. Quase todos os mitos que temos se referem a eles como imortais, eternos, as únicas entidades que nasceram mas que nunca irão morrer. Porém, o nosso “quase” tem uma forte razão de ser – de acordo com ideias como as de Evémero, nada de divino existia nessas figuras, tratando-se apenas de seres humanos que após a morte, por uma ou outra razão, foram divinizados por aqueles que os conheceram. E, como tal, se quisermos acreditar nessas teorias (de que o exemplo particular de Dioniso é digno de nota – Dinarco até afirma que ele tinha morrido em Argos e sido sepultado em Delfos), os deuses gregos só se tornaram divindades quando o seu corpo físico faleceu, sendo eternos somente na cabeça daqueles que os veneravam como tal.
Em terceiro, e último, lugar, poderão então ser colocados alguns dos heróis gregos. Acreditando-se que existiram na carne, só depois da morte física – e somente em alguns casos, frise-se essa excepção – é que foram tornados divindades, às quais alguns crentes prestavam culto. São muito famosos os casos de Herácles e de Aquiles, mas algo de semelhante se passou com Castor e Pólux, Anfiarau, etc. E, nestes casos, a morte (física) naturalmente que precede a própria conversão à forma de deuses, altura em que estas figuras desaparecem quase completamente dos mitos.
Então, sumariamente, como morreram os deuses gregos? Não é uma questão simples, mas uma que só pode ser resolvida tendo em conta os elementos muito específicos de cada figura divina. O destino final de Phobos e Deimos, de Hermes e Poseidon, ou até de Mémnon e Ceneu, não podem ser vistos de uma forma brevemente horizontal. Por exemplo, que deus nos poderia parecer mais imortal do que Hades, figura tutelar dos mortos e do submundo? E, ainda assim, Pseudo-Clemente, na sua quinta epístola, refere um túmulo deste deus próximo do Lago Aquerúsia, em Itália…
!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin "O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos.jpg)





Texto muito interessante. Realmente os deuses gregos são chamados de imortais, mas há alguns casos onde isso é contraditório. Na Teogonia, Hesíodo conta que os deuses mantem sua imortalidade com ambrosia e néctar, e se um deus cometer perjúrio, ele fica sem esse alimento por um tempo o que o faz ficar inerte como se estivesse doente, num torpor, como se fosse uma sombra. Zeus ainda teria tirado a imortalidade de Apolo e Poseidon, certa vez, por conspirar contra seu reinado, fazendo-os trabalhar como meros mortais em Tróia. Menoécio, primo de Zeus e um dos Titãs (ele era filho de Jápeto e Clímene ou Ásia), foi fulminado por um raio do senhor do Olimpo e foi transformado em pó. A deusa Dione, mãe de Afrodite, contou que certa vez Ares o senhor da guerra quase morreu nas mãos dos Aloídas, porque ficou 13 meses preso num cofre, e estava extremamente debilitado e foi salvo por Hermes, senão teria perecido. Zagreus, filho de Zeus e Persefone, também morreu, ele foi despedaçado e devorado pelos Titãs, sobrando apenas o coração que ainda batia, Hermes levou isso até Zeus que deu à Sêmele, que comeu para dar vida a Dionísio. Hera fez Zeus queimar Sêmele não intencionalmente e só sobrou o feto da criança que era divina então ele o colocou na coxa onde renasceria depois. Ainda há relatos antigos de que Zeus teria morrido e sido enterrado em Creta. Há um relato similar de Apolo também. Mas devemos entender que a morte de um deus não é igual a mortal.
Muito interessantes, essas palavras! São, verdadeiramente, muitos os mitos em que os supostos deuses morrem, ou parecem morrer. Aquele caso ali do Zeus cretense é talvez o mais famoso de todos eles, sendo até profusamente mencionado pelos autores cristãos dos primeiros séculos da nossa era.
Obrigado pela partilha!