O mito de Antígona

O mito grego de Antígona, particularmente famoso entre nós graças a uma peça de teatro que chegou aos nossos dias, diz, essencialmente, o seguinte:

Antígona representada por Eva Lopes

Antígona era filha de Édipo e de Jocasta, irmã de Ismena, Etéocles e Polinices. Teve uma vida dolorosa e uma morte atroz, mas nunca renunciou à dedicação e à grandeza de alma, incomparáveis na mitologia. Quando o seu pai foi expulso de Tebas por seus irmãos e quando, de olhos vendados, ele teve de mendigar o alimento ao longo dos caminhos, Antígona serviu-lhe de guia e procurou dar-lhe conforto e assisti-lo nos seus últimos momentos em Colono. Depois voltou a Tebas: mas, aí, uma nova e cruel provação a esperava. Os irmãos disputavam entre si o poder e Polinices, que partira à procura de socorrro em Adrasto, rei de Argos, voltou com uma armada estrangeira para sitiar a cidade e combater contra seu irmão Etéocles, como se de um inimigo se tratasse.

 

Depois da morte dos dois irmãos, Creonte, seu tio, tomou o poder em Tebas; realizou um funeral solene a Etéocles, mas proibiu de dar sepultura a Polinices: é que ele ousara levantar as armas contra a própria pátria, com a ajuda de estrangeiros. Assim, a alma de Polinices não conheceria nunca o repouso. No entanto, Antígona, que considerava sagrado o dever de sepultar os mortos, aproximou-se uma noite do corpo de seu irmão e, segundo o mito, pôs-lhe por cima alguns punhados de terra. Surpreendida por um guarda e conduzida à presença de Creonte, ela ouviu a condenação à morte e foi encarcerada viva no túmulo dos Labdácidas. Em vez de morrer à fome, preferiu enforcar-se. Hémon, o próprio filho de Creonte, e seu noivo, desesperado, suicidou-se. Euridíce, esposa de Creonte, não pôde suportar a morte deste filho, que ela amava acima de tudo, e pôs termo à própria vida.
(in: “Dicionário de Mitologia Grega e Romana”, Joël Schmidt)

Breves considerações sobre Édipo

Bom dia. Eu estava aqui pela faculdade e então resolvi escrever um artigo eu mesmo, em vez de andar a tirar coisas de livros ou de sites… Então, vou escrever sobre… Édipo! É assim, se pensarem um pouco sobre essa questão deverão conseguir compreender que esse é um dos herois mais importantes da mitologia grega, pois apesar de não apresentar características superiores ao do ser humano comum (como Hércules…), ele acaba por triunfar sobre grande parte dos problemas que se cruzaram na sua vida, tal como nós próprios deveremos triunfar sobre os problemas que connosco se cruzem. Assim, toda a tristeza que lhe foi causada pelas mãos terríveis do Fatum é não mais que uma conjugação de eventos que realmente pode suceder na nossa realidade do dia-a-dia, não ao ponto que nos surge na obra clássica mas sim de uma maneira muito menos cruel… Quer dizer, é quase impossível para uma pessoa comum ter o azar de, após ser adoptado, encontrar seu pai (sem sequer saber que esse é seu familiar) e ter o azar de acabar com a vida dele, enquanto que nutrir uma paixão pela sua própria mãe foi o fundamento para séculos mais tarde o famoso psiquiatra Freud analisar e identificar um complexo com o mesmo nome deste herói grego… Desse mesmo modo, a esfinge que este encontra ás portas de Tebas e a qual o inquire sobre uma adivinha poderá também ser encarada como as dúvidas que por vezes se cruzam no nosso caminho, e perante as quais teremos de tomar decisões, as quais poderão nem sempre ser as mais correctas mas deverão ser seguramente as nossas opções! E nós, tal como Édipo no seu tempo, devermos triunfar perante todas essas atrocidades!

O mito de Héstia

O mito de Héstia, na Mitologia Grega (e conhecida como Vesta entre os Romanos), é o de uma irmã de Zeus e, tal como Atena e Artémis, uma deusa igualmente virgem. Não é propriamente uma personalidade destacada, nem desempenha quaisquer papéis de muito relevo na maior parte dos mitos. Porém, ela era a deusa da lareira, o símbolo do lar, para junto da qual os recém-nascidos tinham de ser levados antes de serem recebidos pela família. Todas as refeições começavam e acabavam com uma oferta à deusa. Como diz um poema:

Héstia, em todas as moradas dos homens e dos imortais

É tua a honra maior, o primeiro e último doce vinho

Oferecido na festa, deitado para ti como é devido.

Nunca sem ti podem os deuses ou os mortais festejar.

Na altura dos Romanos todas as cidades tinham também uma fogueira pública consagrada a esta deusa, onde a chama nunca devia extinguir-se. Na verdade, até quando se estabelecia uma nova colónia, os novos colonos levavam consigo brasas da lareira da cidade-mãe, com as quais atiçavam o fogo da nova cidade. Seis sacerdotisas virgens, as Vestais, tinham a seu cargo os cuidados da grande fogueira de Roma, que foi apagado pela última vez em 394 d.C., meses antes da queda da grande cidade… o que não pode senão deixar uma questão, será que foi por isso que a cidade foi conquistada?!