O Barco do Amor em Lisboa

O Barco do Amor – ou, na versão original, The Love Boat – é uma de aquelas séries dos anos 80 que ainda hoje podem ser vistas na televisão portuguesa. É uma série relativamente simples, um tanto ou quanto divertida, cujos episódios podem ser visualizados sem qualquer ordem muito específica, mas o que aqui tem particular interesse é o facto de um dos seus últimos episódios tomar lugar na cidade de Lisboa. É, curiosamente, a penúltima sequência da trama, na sua nona temporada, e uma das três histórias contidas nesse episódio duplo até tem particular ligação à cidade, razão pela qual decidimos fazer-lhe esta breve referência aqui.

O Barco do Amor, título

Para quem conhecer a série, cada episódio tem pelo menos três viajantas que entram neste barco de cruzeiros, passando por aventuras que ocasionalmente se cruzam. Aqui, um deles é um tal Carlos Belmonte, o patriarca reformado de uma família de toureiros, cujo neto – António Belmonte – se prepara para a sua primeira aparição na arena, precisamente no Campo Pequeno lisboeta. O jovem, cujo pai até faleceu na arena, sente-se um pouco inseguro com a tarefa, prefere tornar-se escritor e continuar os seus estudos universitários em vez de ser toureiro, e decide não combater. Então, o avô decide tomar o seu lugar, e antes de ele descer à arena tem lugar uma sequência que é breve mas também bela:

O Barco do Amor em Lisboa

Antes de combater, Carlos Belmonte, talvez o maior herói deste episódio do Barco do Amor em Lisboa, toma um momento ritual para rezar num pequeno oratório, com a Nossa Senhora de Fátima a seu lado, numa postura de um verdadeiro nobre, aquele a que a trama até chama “o maior cavaleiro de Portugal”. É provável que a ironia não tenha sido bem planeada, mas ele depois cai do cavalo, certamente fruto de anos de falta de prática, e tem de ser visto por um médico, levando o neto António a combater, talvez pela primeira e última (?) vez – o episódio não o torna claro, dizendo apenas que ele vai continuar os seus estudos, mas sem que seja dito se abandonou definitivamente a Tauromaquia.

 

Além desta história principal, ao longo do episódio dessa nona temporada, as principais personagens do elenco – o Capitão Stubing, o médico, o bartender, a directora do cruzeiro, etc. – podem ser vistas a passear por alguns dos locais mais famosos da cidade, e o telespectador até vai vendo alguns momentos panorâmicos do Cristo-Rei, do Tejo, da Torre de Belém, etc. Portanto, toda a cidade de Lisboa até está relativamente bem apresentada neste episódio do Barco do Amor, captando igualmente um pouco da cultura portuguesa, apesar de um momento estranho – na arena tauromáquica, os anúncios são ouvidos em perfeito Português do Brasil, e não no de Portugal, como seria naturalmente de esperar.

 

Vale, então, a pena ver este episódio do Barco do Amor em Lisboa? Sim, acreditamos que sim, quanto mais não seja pela pura curiosidade de ver as suas famosas personagens na capital de Portugal. Por isso, se um dia estiverem a ver televisão e, talvez pelo mais mero acaso, se depararem com este episódio da série (ele passou recentemente na RTP Memória!), fica o pequeno convite de que lhe dediquem alguns momentos.

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4 comentários em “O Barco do Amor em Lisboa”

  1. Vai passar de novo (pelo menos é costume repetirem os episódios no mesmo dia) às 19h. No das 13h ,hoje, vi apenas a parte da tourada até ao fim do dito episódio(filmado em 1985). Curioso que não conhecia esse episódio em Lisboa e era hábito ver esta série quando passou na rtp nos anos 80. Tenho também um post sobre este episódio do Love Boat no meu blog Lisboa e o Tejo.

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    • Obrigado pela informação! Este episódio é um dos últimos da série, pelo que é provável que não tenha passado cá antes, ou que as pessoas já tivessem perdido o interesse por essa altura…

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  2. Em 1985, estive lá na Josefa de Óbidos, quando chegou o “barco do amor”, há 38 anos atrás. E que desilusão. Não era o Pacific Princess, com nome nórdico (Vistafjord), e a única coisa que tinha igual era uma chaminé da mesma cor. Estive com o Lorenzo Lamas no bairro da Graça, que tinha ido visitar a Voz do Operário e foi almoçar perto de onde vivia. E naquela semana foi o único famoso que por lá vi. No dia que o barco partiu vi uma mulher vestida como a Julie (a directora) com a Vicki. Na altura pensei ser uma dupla, não era. Era a nova directora que durou meia dúzia de episódios antes da Vicki ficar com o cargo até ao fim da série.
    Maioria das pessoas ficou desiludida ao descobrir que a série era gravada num barco muito diferente do Pacific Princess. No inicio de Setembro o verdadeiro Pacific Princess esteve em Lisboa, só com turistas.

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    • Caro Manuel, muito obrigado por essa partilha muito inesperada! Desconhecemos por completo se “algo” de especial teve lugar em Lisboa nessa altura, e não esperávamos, de todo, que alguém ainda se lembrasse da passagem deles por cá – eu e os meus colegas ainda mal tínhamos nascido! Se se lembrar de mais alguma coisa sobre tudo isto, por favor partilhe! 🙂

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