Na semana passada celebrou-se mais um 25 de Abril. E se há palavra que se repete todos os anos é “liberdade”. Liberdade de expressão, liberdade de voto, liberdade de escolha, entre outras tantas “liberdades”. Mas raramente se fala da forma como essa liberdade nos continua a ser condicionada. Porque sim, podemos (supostamente) dizer o que quisermos e votar em quem quisermos — mas esse processo não é, de todo, neutro.
Quando falamos em liberdade eleitoral, importa refletir sobre o que realmente está em causa. Há formas subtis (e outras nem tanto) de influenciar o sentido de voto. Escolher quais notícias destacar, repetir continuamente escândalos de uns e ignorar totalmente os de outros, manipular a ordem dos temas no telejornal — tudo isso molda o nosso julgamento. Trata-se de uma forma sofisticada de manipulação mediática, ainda mais perigosa por ser disfarçada de “informação imparcial”.

Mas hoje não iremos ficar por generalidades. Vamos a um caso concreto: a cobertura mediática durante as eleições legislativas de 2025, nomeadamente o tratamento dado pelo Polígrafo no seu “Especial Legislativas 2025”. Entre 7 e 25 de abril, o Polígrafo analisou 57 declarações individuais feitas por líderes partidários em debates. Abaixo, apresentamos a tabela com os dados recolhidos, que dizem muito sobre o viés da comunicação social em Portugal:
| TOTAL – | VERDADEIRO – | FALSO – | IMPRECISO – | DESCONTEXTUALIZADO – | |
|---|---|---|---|---|---|
| Paulo Raimundo (PCP) | 6 | 6 | 0 | 0 | 0 |
| Luís Montenegro (AD) | 5 | 5 | 0 | 0 | 0 |
| André Ventura (CH) | 15 | 4 | 8 | 2 | 1 |
| Pedro Nuno Santos (PS) | 5 | 2 | 3 | 0 | 0 |
| Nuno Melo (AD) | 4 | 2 | 1 | 1 | 0 |
| Rui Rocha (IL) | 6 | 3 | 1 | 2 | 0 |
| Rui Tavares (L) | 4 | 3 | 0 | 1 | 0 |
| Inês Sousa Real (PAN) | 6 | 4 | 2 | 0 | 0 |
| Mariana Mortágua (BE) | 5 | 3 | 0 | 2 | 0 |
| Joana Mortágua (BE) | 1 | 1 | 0 | 0 | 0 |
À primeira vista, parece tudo neutro. Mas depois nota-se um padrão. Por exemplo: André Ventura foi o político com mais declarações analisadas — 15 no total — e mais de metade foram consideradas falsas. Já Pedro Nuno Santos, do PS, teve apenas 5 declarações verificadas — e 3 delas também foram classificadas como falsas. Mas isso passa despercebido porque… foram só 5. Aqui entra o fator de quantidade e visibilidade, que afeta diretamente a perceção pública.
Se o objetivo fosse realmente descobrir quem mente mais, então haveria uma análise proporcional entre todos. Mas não é o caso. Por que motivo são umas figuras políticas analisadas três vezes mais do que outras? Isso não distorce inevitavelmente a imagem que o público cria de cada candidato?
Imagine-se que o leitor pretende saber quem mente mais: Pessoa A ou Pessoa B. Para isso, segue A 24 horas por dia e B apenas durante uma hora. Objectivamente, quem é que vai parecer mais desonesto? Este é um exemplo claro de como a falsa neutralidade jornalística pode ser usada para manipular resultados eleitorais — mesmo sem recorrer à censura direta.
E mais: se o objetivo for criar a imagem de um candidato “puro”, um já primeiro ministro, bastava verificar apenas as suas afirmações verdadeiras. “Vejam como ele é honesto, Ecce Homo!” O mecanismo é simples e eficaz: usa-se a verificação de factos como ferramenta de persuasão política.
Aliás, num artigo intitulado “Luís Montenegro vs. André Ventura: Quem faltou mais à verdade?”, o mesmo Polígrafo conclui que Montenegro nunca mentiu — quanto muito, foi apenas e somente “impreciso” três vezes. Interessante como certas palavras são escolhidas com muito cuidado, não é? A linguagem é moldada para suavizar uns e condenar outros, criando assim um viés político que não é assumido — mas está lá.

Voltando à tabela apresentada ali em cima, e a segundo exemplo retirado do portal Sapo que reproduzimos acima, percebe-se a narrativa implícita e apresentada repetidamente: mostrar o Chega como o grande mentiroso, e o Bloco de Esquerda — a alternativa que se pretende vender ao eleitor indeciso, ou a alguém desiludido com o Chega — como um partido ocasionalmente “impreciso”, mas essencialmente sincero e digno de voto (shhh, não se lembrem de eles terem despedido grávidas, isso não importa nada). Este tipo de narrativa mediática é reforçada pelo uso seletivo de termos como “extrema-direita”, que aparece constantemente nas notícias, ao passo que “extrema-esquerda” é praticamente tabu na imprensa portuguesa. Essa assimetria linguística também é uma forma de manipulação ideológica.
É fundamental dizer: este texto não está aqui para dizer em quem o leitor deverá votar. Está apenas — e tão só — para lembrar que quem controla a informação, controla a narrativa. E quem controla a narrativa, controla o voto. Se um órgão de comunicação social supostamente “isento” escolhe a dedo o que verifica — e como apresenta os seus resultados — então não estamos a fazer uma escolha livre. Estamos a ser conduzidos. Acreditamos que estamos a exercer a nossa liberdade eleitoral, mas estamos simplesmente a caminhar por um trilho já traçado.
É assim que se manipula uma eleição — com dados, com palavras, com escolhas subtis, e com uma censura moderna que não se faz tanto pela proibição, mas pela omissão.



!["O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin "O cavaleiro que fazia falar as vaginas [e os rabos]", de Garin](https://mitologia.pt/wp-content/uploads/2026/06/O-Cavaleiro-que-Fazia-Falar-as-Vaginas-e-os-Rabos.jpg)


Escolher quais notícias destacar, repetir continuamente escândalos de uns e ignorar totalmente os de outros, manipular a ordem dos temas no telejornal — tudo isso molda o nosso julgamento. Trata-se de uma forma sofisticada de manipulação mediática, ainda mais perigosa por ser disfarçada de “informação imparcial”. —————————————- —— Completamente!
Uma forma sofisticada de manipulação fascista, mais perigosa por ser disfarçada de democrática, descaradamente anticonstitucional, é CONSIDERAR O VOTO EM BRANCO, UM VOTO NÃO VÁLIDO! PARA NADA CONTA, consagrada na lei eleitoral!
Ao povo, soberano, o qual devia exercer e decidir , nas eleições o futuro do país, não é permitido, exercer este poder constitucional porque o voto em branco não é um voto VÁLIDO, NAO CONTA PARA NADA. O ELEITOR QUE VOTE EM BRANCO, NÃO EXISTE, É UM PARIA, O POVO É MANIPULADO, OBRIGADO A VOTAR NO VOTO CONSIDERADO PELOS POLITICOS DESTE MISERAVEL PAÍS, OPORTUNISTAS E INCOMPETENTES NO VOTO UTIL!!!
NÃO É PERMITIDO DISCORDAR, MANIFESTAR O SEU DESCONTENTAMENTO E ATÉ DESPREZO, DA MEDIOCRIDADE POLITICA , INTERESSEIRA , IGNÓBIL DOS POLITICOS E GOVERNANTES.