O Jogo Real de Ur

No vídeo abaixo pode ser visto o Jogo Real de Ur, um dos jogos mais antigos que ainda podem ser jogados nos nossos dias:

Para quem estiver curioso sobre as regras deste jogo e como ele deve ser conduzido, o Museu Nacional de Arqueologia tem um documento que as explica e que pode ser acedido aqui.

A “Exortação da Guerra”, de Gil Vicente

Há aguns dias discutíamos as obras de Gil Vicente, e a forma como algumas figuras da Antiguidade surgem em parte delas. Nesse contexto, a Exortação da Guerra, desse autor, tem um elemento digno de nota.

 

Em primeiro plano a peça apresenta um clérigo afamado nas artes da necromância. Após uma descrição dos seus poderes mágicos, este invoca duas criaturas diabólicas, e por sua influência comum são invocados do mundo dos mortos algumas figuras relacionadas com a guerra. Quem são elas? Sucessivamente, entram em palco Políxena, Pentesileia e Aquiles (que os leitores poderão conhecer das tramas da Guerra de Tróia), seguidos por Aníbal, Heitor e Cipião (duas figuras reais, e uma delas famosa da Ilíada). O seu grau de intervenção da peça varia – a que mais fala é mesmo Políxena, filha de Príamo – mas não deixa de ser curioso que Gil Vicente ainda pense nessas figuras, todas elas da Antiguidade, como as mais indicadas para discutir as várias faces da temática da guerra, mil anos após o término do tempo dos Gregos e Romanos.

 

Por razões como essas se vê o repetido apelo dos temas e eventos da Antiguidade Clássica…

A lenda do Judeu Errante

A lenda do Judeu Errante é uma das muitas que surgiram na Idade Média, algumas delas com um conteúdo marcadamente antisemítico (recorde-se até o curioso exemplo do Toledot Yeshu, a que voltaremos no futuro). Parece ter tido uma popularidade significativa na Europa, ao ponto do nome do visado variar de país para país – em Portugal e Espanha, por exemplo, era muitas vezes chamado um nome como “Juan Espera[endios]”, mas em outros países era chamado Gregório, Buttadeo, etc. – e de existirem diversas versões dos acontecimentos que o envolvem. Mas conte-se, então, o cerne da sua história.

Judeu Errante entre os crucificados

Na versão mais famosa, o homem que ficaria conhecido como Judeu Errante vivia em Jerusalém aquando da crucificação de Jesus Cristo. Quando este último carregava a cruz e se dirigia para o Calvário, parou por um breve momento e, de uma qualquer forma, foi ofendido por este Judeu. Face a esse acto reprovável, Jesus condenou-o então a caminhar pelo mundo fora até ao final dos tempos. Outras versões diziam que o futuro Judeu Errante se tratava do homem que criou o Bezerro de Ouro, ou até de um colaborador da casa de Pôncio Pilatos que ofendeu Jesus Cristo.

 

Em comum, todas as versões desta lenda do Judeu Errante parecem ter o facto de se tratarem de histórias antissemíticas, explicando, de alguma forma, a razão pela qual um determinado judeu, ou o próprio Povo Judeu no seu conjunto, estavam a ser condenados a múltiplas provações.

A breve história de Hipátia de Alexandria

Hipátia de Alexandria foi provavelmente uma das mais famosas filósofas da Antiguidade. Uma das suas histórias diz-nos até que, ao ser confrontada com o amor de um aluno,o tentou afastar pela música, e depois mostrando-lhe algo semelhante a um penso higiénico usado, dizendo-lhe que era isso que ele amava e que nada de belo tinha – a vergonha levou-o a afastar-se das suas intenções originais.

 

Não sabemos muito mais sobre esta figura, salvo o facto de ter sido morta pelos cristãos, não porque tenha feito algo de mal, mas – diz-nos pelo menos uma fonte – pela inveja de Cirilo, patriarca de Alexandria, tinha da sua enorme fama. Então, foi violada, o seu corpo foi despedaçado e depois levado numa espécie de procissão doentia pela cidade.

 

Quem tiver mais curiosidade sobre esta história pode vê-la no filme Ágora de 2009.

Um segredo da Notre Dame de Paris

Certamente que a catedral Notre Dame de Paris é uma das mais famosas construções religiosas de toda a Europa, mas nem por isso acolhe menos segredos do que, por exemplo, a Sé de Lisboa. Conta-nos então a história que por volta de 1710 estavam a ser feitas uma obras no interior da catedral, com o objectivo de construir uma cripta, quando foi encontrado algo de inesperado.

 

Hoje chamado o “Pilar dos Navegantes”, que pode ser visto parcialmente reconstruido na imagem acima, contém referências a deuses gauleses como Cernuno e Esmértio, juntamente com figuras romanas como Castor e Vulcano, e até uma dedicatória ao Imperador Tibério. Mas como terá este pilar ido parar ao subsolo da Notre Dame? Muitas poderão ser as respostas, mas é possível que tenha existido nesse local um antigo templo religioso de alguma importância, sobre o qual posteriormente foi construída uma igreja cristã (recorde-se que também em Lisboa a Sé foi construída sobre um antigo templo religioso islâmico), ou que ao longo dos séculos a pedra de que era feita este pilar tenha sido simplesmente reutilizada para outros propósitos, sem qualquer valor dado à sua anterior função religiosa.

 

Ainda assim, acabou por nos preservar a única menção indisputada a Cernuno, um cornudo deus gaulês aqui identificado pelo nome e que na imagem acima pode ser visto do lado esquerdo (segunda representação a contar do topo).