“Compêndio de Teologia Grega”, de Cornuto

 

 

Esta obra de Cornuto aponta, essencialmente, os mitos dos deuses através das suas etimologias e interpretações simbólicas. Porém, recorre frequentemente a elementos muito forçados, que dificilmente estariam em conta nas criações originais. Para dar um pequeno exemplo, Urano é referido como tendo obtido esse nome por ser o limite superior (“ouros anô“) de tudo o que existe; claro que existe uma semelhança notável entre o nome do deus e essa expressão, mas até que ponto era essa semelhança de vocábulos intencional? Não sabemos – e é essa a grande dificuldade desta obra, não podermos ter uma completa consciência de até que ponto a informação que nos dá é credível.

A Papisa Joana existiu mesmo?

Será que a Papisa Joana existiu mesmo? Será que, um dado dia, uma mulher ascendeu verdadeiramente ao trono papal? Vejamos, hoje, se há alguma verdade por detrás de toda essa história.

A Papisa Joana existiu mesmo?

Conta-nos a sua lenda que a mulher que ficaria mais tarde conhecida como Papisa Joana se disfarçou de homem e se juntou a um mosteiro. Foi aprendendo cada vez mais, chegando a fama da sua sabedoria a tornar-se tão grande que foi subindo na escada da Igreja Católica e acabou por chegar a Papa. Contudo, acabou por engravidar de um amado e teve o seu filho durante uma procissão na própria cidade de Roma. Se morreu durante esse nascimento, se foi depois morta pelos fiéis, ou se foi deposta e levada para um convento, as diversas fontes parecem discordar em relação a esse ponto. Ainda assim, quem for a essa cidade poderá encontrar, próximo do número 27 da Via dei Querceti, o local em que tradicionalmente se crê que ela faleceu, como pode ser visto neste vídeo (infelizmente, com alguns problemas técnicos):

 

Terá esta história da Papisa Joana acontecido mesmo? A maior parte dos estudiosos do tema dizem que não, alguns deles referindo-se a ela como uma estranha consequência de uma amante do Papa João XII (e a quem este ofereceu mundos e fundos, levando os cidadãos da época a referirem-se a ela como a verdadeira “papisa”), mas então… porque existe uma carta de tarot chamada “A Papisa”? Porque existe em Roma uma rua evitada durante cortejos papais, supostamente o local em que esta papisa deu à luz, como já vimos acima? Porque são diversas as fontes que afirmam ter visto, na galeria onde eram guardados os bustos dos vários papas, uma figura claramente feminina? Porque terá escrito um famoso autor (cremos que Erasmo, mas a memória poderá estar a trair-nos a todos) que viu em Roma uma estátua desta papisa com o seu filho nos braços? E também, porque existe no Vaticano uma cadeira com um buraco, supostamente desenhada para verificar os genitais daqueles que ascedem ao trono papal? A resposta a todas estas questões, deixamo-la aos leitores!

Quem foi Viriato?

Já aqui falámos anteriormente de Viriato através de algumas das fontes primárias que o mencionam, mas quem for à procura da identidade real desta figura encontrará dois grandes polos de resposta, que não podem deixar de levar a uma interrogação ainda maior – afinal de contas, quem foi Viriato?

Quem foi Viriato?

Em Portugal esta figura parece ser essencialmente conhecida como um herói, um defensor da pátria, que se revoltou contra os (malvados?) Romanos, e que da sua vida de pastor se tornou um grande general, acabando depois por ser morto à traição por um dos seus próprios companheiros (Apiano até nos revela os seus nomes – Audax, Ditalco e Minurus, que cortaram a garganta ao herói enquanto este dormia). Mas se as fontes literárias que consultámos até confirmam parcialmente estas ideias, também nos deixam claro um elemento curioso – mais do que um herói, na maior parte das fontes a que temos acesso esta figura parece ter sido um bandido que se dedicava inicialmente ao assalto de gentes incautas. Poderia argumentar-se que essas potenciais “más línguas” se deviam ao facto de os Romanos quererem defender as suas próprias acções, mas em nenhum momento é dito que as acções desta figura ou dos seus companheiros se prendiam com a defesa honrosa e justificada dos locais em que viviam.

 

Então, de onde vem a ideia nacional de que Viriato foi um herói da pátria lusitana? Muito provavelmente do tempo de Salazar, em que surgiu uma necessidade de heroicizar muitas das figuras do passado nacional – por vezes até sem evidências concretas que o justificassem, como neste caso em particular!

O mito de Prosimno, ou o primeiro dildo(?)

O mito de Prosimno, a que até poderíamos acrescentar um subtítulo de o primeiro dildo, é tão invulgar quanto obscuro (só o encontrámos de forma mais notável em Pseudo-Nono), mas provavelmente também um pouco inapropriado para os mais novos – perdoem-nos os pais, familiares, encarregados de educação e pessoas com papéis semelhantes. Deixado então este aviso inicial, continuamos então com a trama do mito grego.

O mito de Prosimno, ou o primeiro dildo

Numa dada altura o deus Dioniso procurava a entrada para o reino de Hades, de forma a trazer de volta à vida a sua mãe. Incapaz de encontrar esse local, acabou por se cruzar com um pastor de nome Prosimno. Este acedeu a ajudá-lo, desde que o deus aceitasse fazer amor com ele. Por motivos de tempo, Dioniso acedeu a este pedido mas com a contingência de que aguardassem até ao seu retorno. Porém, quando o deus depois voltou ao mundo dos vivos Prosimno já tinha morrido. Então, construiu um enorme falo de madeira, uma espécie de primeiro dildo, colocou-o sobre o túmulo do pastor e como que cumpriu parte da sua promessa.

 

Tome-se em atenção que nenhum autor nos conta este mito de Prosimno, ou do primeiro dildo, por completo e de uma forma contínua, sendo apenas inferida do cruzamento de várias fontes literárias. Ainda assim, não deixa de ser curiosa ao ponto de merecer ser mencionada por cá – o que vos parece? Já conheciam?